domingo, 26 de janeiro de 2014

17.- Dentro. Pesquisando e amando o lado de dentro das coisas.



Olhando apenas o lado de fora, externo,
permanecemos com a compreensão parcial,
pois estaremos vendo e analisando
somente um lado da realidade.

Não estaremos vemos o todo. 

Queremos conquistar uma nova ciência.

Uma ciência 
que nos possibilite olhar o interior,
o lado de dentro das coisas,
o lado misterioso da vida
que ainda guarda segredos.

A visão que o Heipo 
procura aprender e vivenciar 
supõe penetrar na interioridade 
e na profundidade, nas origens, 
razões e finalidades das coisas, 
no mundo infinito que cada um de nós é.

Há o mundo visível
e há o mundo do invisível.

É, portanto, de fundamental importância, 
conhecer também o lado de dentro das coisas.
 
Parece-nos ser tão importante 
a ponto de fornecer 
elementos mais completos 
para a avaliação e conceituação 
da parte externa, que aparece.

Nós, humanos, estamos dotados 
com a capacidade conhecida 
com o nome de inteligência.
 
Inteligência é uma palavra 
composta de duas raízes latinas: 
in que significa interior 
e legere que significa ler. 

Assim, inteligência 
é a capacidade que temos 
de ler por dentro,  
penetrar o interior do objeto.

Nós estamos acostumados 
a ver e a avaliar 
tudo o que cai sobre o nosso olhar.
 
Sobre o que não vemos, 
nos aventuramos ou nos arriscamos 
quando falamos.
 
Existem atualmente muitas ciências 
que estudam o exterior 
para entender sobre o interior.

Por exemplo, os médicos, 
através de estudos e pesquisas, 
sabem muito sobre nossas doenças 
quando analisam nossa face, 
tomam nossa temperatura, 
observam a pupila dos nossos olhos 
e a cor da nossa pele.

Os psicólogos 
avaliam nosso grau de estresse 
pelas rugas da nossa face 
ou pela agressividade 
das nossas palavras.

Nossa maneira de ser, nossa postura, 
nossos atos, às vezes, 
falam mais claramente de nós 
do que nossas próprias palavras.

Há um universo 
quase infinito dentro das coisas 
e, muitas vezes, desconhecido.

O lado de dentro das coisas 
é outro mundo a ser pesquisado 
e conhecido, para ser valorizado e amado. 
 
Não há pessoa que tenha autoridade 
para afirmar que não há nada lá dentro 
só porque não se vê.

O único obstáculo 
para a aquisição desta ciência
é a rapidez e a superficialidade.
 
Estes dois elementos modernos 
dificultam o cultivo 
da ciência do lado de dentro das coisas.
 
A cultura na qual estamos envolvidos 
quase só ensina a cultivar a aparência, 
isto é, só o que aparece, 
o que brilha e o que atrai. 
 
Pouca importância se dá aos poetas, 
artistas, filósofos e teólogos, 
que procuram teimosamente 
penetrar por este caminho, 
a leitura do interior das coisas.

Você já ficou maravilhado 
diante da grandeza escondida 
na pequenez de uma criança?
 
Quando escutou 
o canto dos passarinhos, 
percebeu que aquela melodia 
vinha de dentro do pássaro?
 
Quando ouviu o ruído suave 
dos pequenos riachos e quedas de água, 
percebeu que o riacho estava vivo, 
expressando-se
e que o que aprecia e sente
está dentro de você?
 
Quando olhastes 
para um entardecer colorido, 
viste algum pintor escondido?
 
Quando percebestes 
o barulho do vento nas árvores, 
movimentando-as, percebestes ali 
um elemento real e invisível?
 
Quando o vento veio visitar-te, 
balançando seus cabelos, 
aceitaste sem medo, 
as carícias deste fantasma?

Como é fácil ignorar as belezas
que nos envolvem.

Um beliscão na nossa sensibilidade 
seria bem-vindo para nos acordar 
e percebermos 
que estamos prejudicados.
 
Perdemos alguns elementos 
da nossa personalidade 
que inflacionaram 
ou até arruinaram 
nossa percepção.

O que é que existe em nós, 
que reduz nosso potencial, 
tampa nossos ouvidos, 
bloqueia nossa sensibilidade, 
entorpece nossos sensores 
impedindo-nos de curtir 
as coisas boas e belas da vida?
 
Por que alguns curtem tudo isso?
Por que outros não sentem nada?

Para muita gente, 
o que há de bom, 
de bonito, harmonioso 
e suave nesta natureza toda, 
funciona como despertador 
e acorda nossas potencialidades 
de admiração, raciocínio e curtição, 
e até nos leva mais adiante.

O que há na raiz de todas as coisas? 

O que há por dentro de cada elemento,
cada pessoa, cada realidade,
seja visível ou invisível?

Talvez exista ali
uma mensagem a ser decifrada,
talvez um mapa de um tesouro,
talvez uma fórmula de um remédio,
talvez algo de que estamos precisando
e esteja no nosso nariz e não 'vemos'.   

Quando fazemos 
para nós mesmos estas perguntas, 
as respostas começam a aparecer. 

As respostas não estão sempre prontas. 

Quando nos colocamos 
em posição de alerta 
e acionamos 
nossas próprias potencialidades internas, 
aí, vamos entrando e penetrando 
além das aparências, 
para além dos rostos humanos, 
e descobrimos a dignidade, 
a fonte do valor. 
 
Aí, mais em frente, 
vamos para além 
das fronteiras da pele 
e descobrimos o sangue quente 
a vivificar as criaturas humanas, 
e também os animais.
 
E aí vamos mais fundo 
perguntando-nos pelo espírito 
que anima e que dá vida 
à nossa massa corporal.

       Que coisa é isso?
 
Agora começa ficar difícil 
a fala e as letras. 


Do que é que estamos falando 
e escrevendo agora? 

 
Estamos tentando nos entreter 
com o espírito. 

Como deixar de se perguntar 
pelas expressões da vida? 

Como não perceber
um espírito por trás 
dos movimentos e ventos? 

Como não entender a seiva 
que caminha pelas raízes, 
e circula no interior dos troncos 
a ponta dos galhos, até as folhas, 
frutos e sementes, 
trazendo vida e alimento.

Algum tipo de ferramenta inato em nós 
já nos permite ver 
além de qualquer paisagem.

Estamos ajustando nossa vista 
para além dos horizontes da compreensão, 
além das fronteiras do racional, 
do normal e aceitável. 

Teremos de exigir o uso do binóculo, 
que aproxima virtualmente 
os objetos focados? 

O que viria a ser este binóculo?

Sim, já somos capazes.
Somos capazes de enxergar a mensagem
que o mundo carrega.
 
Cada coisa é um Sacramento,
um sinal ou um código a ser decifrado.

"No efêmero que passa,
podemos perceber o eterno 
que não passa".
Frei Carlos Mesters. 
 
No tempo,
conseguimos ler a mensagem
daquilo que é eterno.

Não é o tempo que voa;
voamos nós e o tempo fica.

Na bondade humana, 
nas criaturas todas, 
lemos nas entrelinhas 
o Criador de todas as coisas.
 
Tudo o que está ao nosso dispor, 
tanto na natureza 
como na nossa própria natureza humana, 
nossas capacidades e talentos, 
são ferramentas disponibilizadas 
pelo nosso Pai dos céus, nosso Criador.

O mundo todo, 
a natureza imensa e profunda, 
funciona como um vidro transparente 
no qual conseguimos ler dentro das coisas, 
sinais, literatura, romance 
e a paixão de um Pai 
que ama seus filhos 
e lhes entrega um jardim 
para ser cultivado.

Lá dentro do dentro tem coisa...

Muitos livros do escritor 
Leonardo Boff e do frei Carlos Mesters 
ensinam esta ciência. 

Muitas reflexões contidas neste texto 
tiveram neles a fonte da inspiração.

Vá até o n. 121, reeditada em 25 março 2016,
 
e leia uma versão mais atualizada.

 
Eneas Paulo Budel Bogucheski
     eneaspb@gmail.com -  41 98854 5166

Criado em 28/11/2014                    
Atualizado em 30/01/2016
Reeditado com o n. 689 em 30/10/2019.
Atualizado em 21/04/2026

8 comentários:

  1. Parabéns Enéas...muito bom essa mensagem.

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  2. Show! muito bom poder compartilhar de suas reflexões e que essa inquietação inspiradora nos brinde com muitos textos.

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  3. Caro amigo Enéas parabens pela sua benevolência em compartilhar suas reflexões com todos nós.

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