domingo, 26 de janeiro de 2014

Do chão da Terra o Heipo sonha decolar. 09





Cada ser humano que passa ao nosso lado


é um ser original, diferente e único. 

 



Somos todos iguais,


mas somos todos diferentes. 

 



Algo é comum em todos nós:


caminhamos sobre a terra usando nossos pés.

 



Temos uma mesma origem


e teremos todos o mesmo fim. 

 



Nesta travessia,


nesta aventura nada nos diferencia. 

 



Somos andarilhos e nos enxergamos


como mendigos e não percebemos ainda


o herdeiro escondido no mendigo. 

 



Somos herdeiros de bens


que estão nesta e em outra dimensão também,


talvez lá em cima.

 



Teremos que decolar,


por isso sonhamos. 

 



Sonhar é gostoso.


Se não for gostoso, não é sonho, mas pesadelo.


 


Dentro de nós corre sangue quente. 



Estamos equipados com poderosos equipamentos de sensibilidade, como a paixão, a simpatia e o amor. 



Possuímos a capacidade de pensar, gerar pensamento, produzir ideias. 



Estamos equipados com ferramentas de auto comando. Sentimos, pensamos, avaliamos alternativas e tomamos decisões escolhendo caminhos.


Somos portadores de antenas de percepção, sintonia, olhares vivos e ouvidos atentos. Somos seres perfeitos, equipados com as ferramentas ideais para agir e reagir por onde passamos.


Não somos robôs. 


Não estamos desligados da tomada da sensibilidade. Estes seres humanos que passam e vivem ao nosso lado, estão equipados com afeto, ternura, sentimentos. 




Somos seres extremamente importantes, de valor. 



Esta verdade profunda o Heipo quer preservar e investir mais nela.   


Somos um complexo de emoções, racionalidade e espiritualidade.  



Somos seres extraordinários, com capacidades que ultrapassam nossa humanidade. 



Somos os ricos herdeiros, vestidos ainda, com trajes de mendigos, e só às vezes, com trajes de artistas.


Somos pessoas humanas carregadas de boas expectativas, o tempo todo.


O Paizão do céu, de noite, acende as estrelas, avisando que continua cuidando de cada um de nós. As estrelas acesas, clareando e piscando, transmitem a mensagem de que somos filhos, irmãos e herdeiros. As estrelas aparecendo, chamam a atenção aos sinais que estão no céu.


Admiremos e respeitemos a sorte e dignidade, a distinção de carregar um nome e um sobrenome, e, pelo fato de o Criador ter escolhido todas estas outras pessoas para estar convivendo conosco neste lugar, no palco e no cenário da Terra.


 


Há um Heipo escondido naquela


pessoa curiosa, ansiosa e teimosa,


com olhar perdido nos horizontes,


procurando algo,


que parece estar lhe faltando.


 


O Heipo é terráqueo com potência capaz de atender a muitas expectativas. O Heipo é filho da dona Terra e do Senhor dos Céus.


 


Plantados aqui,


quando a casca desgastar,


e a semente explodir,


a nova criatura,


de dentro da semente que explode,


nasce para outro espaço,


não mais para a terra,


por não caber dentro dela,


mas no infinito,


onde o espaço é ilimitado


e onde cabe


 nossa sede e vontade de viver para sempre.


 


Há um Heipo por perto


quando você percebe alguém


olhando espontaneamente para o céu,


mirando e admirando as estrelas,


querendo alcançá-las com as mãos.


 


E quando a noite chega,


Heipos olham para o céu e contemplam as estrelas.


E ficam ali, perdendo tempo, pensando não sei o quê.


Imóvel, cabeça erguida, mirando o alto.


Horas e horas olhando para as estrelas,


que vem se mostrar durante as noites,


querendo dizer algo, sem ruídos, sem palavras.


 


As estrelas gritam alto, tão altas e tão longe,


uma mensagem do Deus Criador.


 


O Heipo não perde a oportunidade


de ficar olhando,


recebendo mensagens


sobre a grandiosidade,


sobre a imensidão do universo


e o poder do Pai Criador.


 


Quantas mensagens elas anseiam entregar.


 


E há poucos Heipos, olhando,


tentando interpretar.


 


O dia quase não tem importância


quando se anseia pela noite chegar.


 


O Heipo é aquela qualidade divina que se instala na pessoa humana desde o seu nascimento.  Esta qualidade divina é que o faz olhar para cima, para o alto, para um espaço infinito, onde pensa ser lá, talvez a sua Pátria definitiva.


O Heipo é um extraterrestre que constrói a sua nave aqui na terra, e quando morre, vai nesta nave, até o céu, onde é a definitiva morada. 


O nosso Pai do céu precisou do homem da terra para encarnar-se.  O Criador dos céus e da terra criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, prevendo que um dia viria morar aqui.


Quando seu Filho, de fato veio, como já tinha um molde aqui na terra, foi fácil ajustar-se nele. É o Criador dos céus e da terra que precisa do ser humano para expressar-se de uma maneira futura, no presente. Mas este fato deixou o ser humano meio esquisito, meio deslocado. O divino mexeu na estrutura do humano e o desequilibrou: agora não é só um tanto da terra mas muito do céu.


 


O Heipo é aquela graça,


aquele jeito de ser igual ao Pai, Criador e Gerador.


 


O Heipo é aquele personagem já quase divino


que se manifesta na pessoa humana


que é consciente de ser Filho do Pai Celeste.


 


O Heipo é um personagem meio estranho,


bem diferente,


muito humano


e quase divino,


meio anjo, muito artista.


 


É surpreendente.


 


É misterioso.


 


É um jeito de ser daqui e de lá.


Mais daqui do que de lá.


Mas já um pouco, do jeitão de viver, de lá.


 


O Heipo tem fome.


Fome de viver profundamente,


derradeiramente,


por isso é meio esquisito,


ansioso,


com ar de quem está sempre procurando,


e nunca encontrando.


 


Cada pessoa humana, cada Heipo quer viver mais do que experimenta como pessoa. Por isso o ser humano sonha em conhecer o mundo lá de fora, todo o Universo. E sonha também conhecer o Criador deste Universo infinito.


Cultivar o Heipo mendigo, artista e anjo é condição de coerência vital. Dar chances para que o Heipo se manifeste é condição de saúde, de equilíbrio e desenvolvimento. É criar condições para que o ser humano satisfaça a potencialidade que anseia pela perfeição. O Heipo tem sede do Infinito. O Infinito é o único lugar onde o Heipo cabe. Nada pode prender, sufocar ou destruir o espírito que vive no Heipo vivo, desperto e ativo.


Se você não libertar o teu Heipo, ele se fechará, ele se guardará e você não sentirá mais, deixará de vibrar e cantar, perderá a graça em tudo o mais. Nesta condição experimentará a limitação, a angústia, a depressão, os desequilíbrios, pois que não estarás alimentando a sua verdadeira personalidade espiritual.


O filme da sua vida deixará de ser colorido e a sorte não mais lhe sorrirá e os teus olhos deixarão de brilhar. Os teus lábios secarão e o sorriso murchará. E o bom humor natural não terá mais graça e se imporá como o mau humor. 


O Heipo quer mostrar que o real talvez seja outra coisa, outra arte. Não aceitemos cavalgar na ilusão, na mentira que galopa na garupa da realidade visível, se ela não responder aos anseios mais profundos da nossa humanidade. Não podemos nos acostumar a curtir a vida sem sentir o verdadeiro sabor desta vida.


O Heipo não é apenas uma criação da imaginação. Não é fantasia nem idealismo. Não é também uma ‘viagem’. O Heipo é algo concreto que existe em cada pessoa humana. Você, por exemplo, experimentou diversos sentimentos enquanto lia estas linhas. Era ele, o Heipo querendo manifestar-se mais livremente, sem complexos de inferioridade, incapacidades ou limitações.  Existe uma mensagem na insatisfação: é a fina chama que não quer apagar-se. Você tem o poder de manter acesa esta capacidade.


Liberte o teu Heipo.

 

Seja verdadeiramente o sujeito da construção da tua vida pessoal. A ti foi dada uma vida. Você está vivendo. Você está no palco dos vivos.

 

Foi escalado para jogar no time da vida.


Até aqui estamos vencendo. Bem aventurados somos nós, desde nosso nascimento. Não fomos projetados para viver nos infernos, no mundo da amargura ou da desesperança, do sem sentido e sem finalidade.

 

Fomos feitos para viver como Heipos, amadurecidos e transformados nos filhos do Paizão dos céus.


Você ter chegado até aqui, nas linhas e nas entrelinhas deste texto, deve ter tirado a conclusão de que o Heipo é a tua própria alma. Portanto, se vive, tem alma. 



          A alma é esta dimensão infinita que vive dentro deste nosso corpo finito. 



           É o anjo vivendo no artista.


É o artista desejando já ser o anjo.


 


O Heipo tenta viver no aqui e no agora, como viverá logo mais, na eternidade que tem aqui o seu começo.


 


Eneas Paulo Budel Bogucheski


Criado em 24/01/2014      


Atualizado em 29/01/2016



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