domingo, 26 de janeiro de 2014

24.- Resistências. Danada resistência.




Recobra o teu fervor

e a tua originalidade

e venha mudar

a tua postura e comportamento.

 

Recupere teu entusiasmo original

e vá buscar o que te sacia.

 

Até quando continuaremos resistindo.

 

Até quando

nos iludiremos a nós mesmos,

fingindo que estamos bem,

que não há nada de errado

neste viver sem sabor e sem risos,

sem entusiasmo e esperanças,

testa franzida e sem brilho no olhar?

 

Chega de opressão.

 

Chega de máscaras e fingimentos.

 

Chega de viver a vida

de atores contratados

para interpretar papéis

despersonalizantes

e vazios de sentido e finalidade.

 

Chega de tortura e sofrimento.

 

Estaremos para sempre

Adaptando-nos e aceitando as depressões

e pessimismos, as injustiças,

a falta de rumo,

como ingredientes naturais da nossa vida?

 

Não aguentamos mais

ver tanta gente sofrer.

 

Chega de sacrifícios

e altos pagamentos

para aprender profissões temporárias,

que constroem coisas

que nos afastam da simplicidade

e da sabedoria da vida.

 

Quanta competição

entre as empresas dos meus amigos,

e entre meus próprios amigos.

 

Cadê meus amigos,

afogados em concorrência e competições,

colecionando doenças do coração,

enfartes e depressões,

procurando antecipar a morte,

estressados e sem sabor no viver?

 

Não recebemos mais suas visitas.

 

E eles não têm tempo

para serem visitados.

 

Há uma resistência

a ser domada.

 

Há uma conquista

a ser planejada.

 

E quando chega a noite,

percebes que o sol foi embora, dormir?

 

Será que a noite tem alguma finalidade extra?

 

As estrelas, à noite,

cantam mensagens de um universo infinito.

 

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

Há uma ansiedade a ser satisfeita.

 

 

Estamos todos condenados

a viver sem satisfação,

sem curtir o que de mais precioso temos,

que é a vida?

 

Será este estilo de vida

que queremos,

ou será que

desaprendemos a viver?

 

Ou fomos despersonalizados,

ou já estamos demasiadamente mecanizados,

desviados do lugar sagrado?

 

Onde se encontra o teu próprio eu?

 

Quem é você?

Qual a finalidade da sua vida?

 

Diga-me e entenderei.

 

Ou estamos demais animalizados

ou demais humanizados

e quase nada aperfeiçoados?

 

Aparece na tela da vida,

muitos de nós humanos,

vivendo no prejuízo,

e o que é pior,

estamos acostumados,

achando natural

o que é sub-humano.

 

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

 

Queremos pessoas

que exerçam a responsabilidade

de despertadores,

de marinheiros experimentados,

de embaixadores realizados,

de porta-vozes autorizados.

 

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

 

Acordem-nos.

 

Coloquem-nos na frente dos espelhos.

 

Incentivem-nos a olhar

como ficamos por fora.

 

O que está acontecendo lá dentro?

 

Que tipo de anestésicos nos atinge

sem que sintamos os efeitos.

 

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

 

Deixe chegar perto de mim

aquele que me traz boas notícias.

 

Que ele nos mostre as chaves

que abrirão os cadeados

e tirarão dos nossos braços e pernas,

as correntes que nos aprisionam.

 

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

 

Ainda nos resta intacta,

uma pequena parcela da personalidade.

 

Queremos voltar a ser o que somos:

um projeto de vida eterna.

 

Há uma resistência a ser domada.

Uma conquista a ser planejada.

Uma ansiedade a ser satisfeita.

 

Os gênios,

os grandes personagens,

as pessoas vencedoras

ensinaram a teima do reinicio

e da persistência,

da busca e da procura de elementos

que nos aperfeiçoam.

 

Estacionar,

desistir ou parar

é escolher o comodismo

e deixar-se derrotar pela rotina.

 

Continuar

é colocar em movimento

nossas tendências de aperfeiçoamento.

 

Haveremos de desistir,

acenar o lenço branco,

baixar nossa bandeira,

render-nos e entregar-nos

sem nenhuma resistência?

 

Seremos capazes de parar?

Não. Não é hora de desistir.

 

Já experimentamos o sabor.

 

Já antevimos o que nos está reservado.

Estamos decididos:

queremos nos manter nesta procura,

com firme fidelidade.

 

Mas como é difícil

participar do campeonato da vida.

 

Como manter ativas as forças da juventude,

já com idade mais avançada?

 

O vento sopra forte contra nossa embarcação.

 

Não reconhece nem respeita a madeira

da qual fomos feitos.

 

Nossos braços já estão cansados

de remar contra a correnteza.

 

Até quando conseguiremos continuar?

 

Renovar,

Lustrar a velha madeira.

Dar brilho, colocar cera,

tomar sol e vento fresco.

 

Cada dia, novo dia,

humano renovado,

é o projeto em andamento.

 

Na pureza e retidão

não temos outra ação

a não ser seguir o ritual

da busca do ideal celestial.

 

Em coerência com esta postura

nos ajoelhamos e rezamos:

Ó força ressuscitadora,

espírito vivo e atuante

não permitas que a fraqueza desajuste

a unidade conquistada.

 

Que percamos o medo

de causar escândalos,

e que os causemos,

se forem necessários e triunfantes

para os demais caminhantes.

 

Dai-nos a força

da coragem e da ousadia.

 

 

Vemos como sofre este teu povo,

todos os dias esperando de nós,

uma manifestação,

uma resposta fraterna,

atitudes de sensibilidade e solidariedade.

 

Sentimo-nos impotentes,

fracos, impuros e mudos.

 

Conhecemos nossas resistências

e a matéria das nossas pernas.

 

Vemo-nos inseridos

dentro de uma classe

já sem forças,

e sentimo-nos também como teus filhos,

fracos, com sede, com fome e com saudades.

 

Estamos nos sentindo longe de vós,

nosso Pai e da nossa casa!

 

Que frio, que mal-estar está reinando neste mundo.

 

Descuidamos dos nossos próprios irmãos,

e nos condenamos a passar frio neste inverno.

 

Este sentimento da vossa ausência

endurece nossos músculos,

atrofia nossa sensibilidade,

apaga as luzes

e o brilho nos nossos olhos.

 

Fecha todos os caminhos,

desmonta todos os andaimes

das nossas construções.

 

Onde estão aqueles,

que devemos ser,

como o farol,

o sinal,

o fogo

a esquentar

a noite da fé.

 

Caminho penoso esse, da procura.

Exige esforços,

mas não nos entregamos.

 

Decidimos nos colocar a caminho

e nos perguntamos sobre a fonte das resistências.

 

E achamos.

 

E agora?

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski                 

Atualizado em 01/02/2016

 

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