Não me deixem
acostumar por estas
terras.
Não permitam
que eu goste de morar
por aqui.
Não se acostumem
também.
Cutuquemos a
acomodação.
Não insistamos em
fincar raízes
na terra árida.
Procuremos a terra
fértil
onde se encontram os
principais
e mais importantes
nutrientes
que alimentam o
impossível,
sonhável e desejável.
Procurem,
decifrem e deem-me
os mistérios
que alimentem
a minha natureza
infinita.
Saciem minha sede
com água pura,
da verdadeira fonte,
e forneçam-me
alimentos
que me eternizem.
Queiramos junto,
adquirir a virtude da
teimosia,
buscando o caminho e
o alimento certo,
que contenham
nutrientes apropriados.
Teimemos contra a
própria correnteza,
nem que seja oposição
à nossa própria
natureza.
Não posso
e não podemos aceitar
que a própria
natureza
nos reduza ainda mais.
Não aceitemos,
passivamente,
entregar-nos para os
limites.
Não fomos criados
para permanecer
no mundo do fechado,
do pouco, do túmulo
lacrado,
da morte sem sentido,
sem aberturas para o
futuro,
sem dar chances ao infinito
para ser nosso parceiro
permanente.
Quero encontrar
abertura
para a eternidade.
Não tiremos de nós
as poucas esperanças
que nos vêm dos bons
profetas
e dos sensíveis
poetas.
Afastemos de nós
os profetas do mau
agouro,
que não avistam nada
além das fronteiras.
Estes, não nos fazem
pensar,
nem imaginar sobre
‘algo a mais’
que possa existir.
Não acho próprio da
natureza humana
permanecer preso
só no que vemos e
tocamos.
Não suporto a ideia
de ser só isso.
É muito pouco.
Deve ter muito mais.
Não, não quero estar
satisfeito.
Não aceitemos
permanecer
no campo limitado da
matéria
ou nos limites
geográficos horizontais
da natureza visível e
palpável.
Ainda há a explorar,
a dimensão de
profundidade
e a dimensão da
verticalidade.
Asas não as temos.
Não conseguimos ainda,
mas sonhamos voar.
Nossa existência
não é só natural.
Ela é também,
sobrenatural.
Sentimos isso.
Fazemos esta
experiência.
Queremos viver mais
o sobrenatural
do que a dimensão
perecível
do natural.
Algo nos diz,
talvez um anjo
sussurrando
em nossos ouvido
insistindo que
acreditemos
que a natureza
essencial,
que não aparece,
é sobrenatural.
Muito mais do que
para os lados,
forças íntimas e
profundas
empurram-nos para
cima,
para o alto,
exigindo alicerces
de profundidade.
Não é o chão da
rotina
que trará novidades.
Até as árvores,
no reino irmão da
natureza,
crescem para cima
e abrem seus galhos,
alargando os braços,
numa atitude de
acolhimento
e ansiosos para crescer para o céu.
E até nós, humanos,
crescemos bem menos
em estatura,
muito mais em
compreensão e espichamento
do desejo para ir
além
do que até onde já chegamos.
Mais do que com
pesadelos,
povoamos e
alimentamos
nossa imaginação
com sonhos e ideais.
Onde está a resposta
do por quê vivemos?
Onde está a essência
e o essencial?
Tem que ter algo mais.
O que até hoje tivemos
é muito pouco.
Não nos contentou.
Não deram respostas
satisfatórias.
Deve ter muito mais
aí,
pelo mundão afora.
Onde estão os
garçons,
aqueles que servem
pratos especiais?
O essencial
ainda não foi posto
na mesa .
Muito mais do que a
passividade,
é o movimento
que nos
remete para o alto.
Muito mais do que as
resistências,
são as motivações
que despertam sonhos
e ideais.
Nossos irmãos
ancestrais
não se contentaram
nem se realizaram
no
mundo das cavernas.
Procuraram o
progresso no fogo
na caça, na
agricultura,
na indústria,
no domínio dos mar
no voar com os aviões
pelos ares.
E jamais chegaram
dizendo:
chegamos.
Nos espaços siderais,
irmãos nossos,
já voaram procurando
o infinito.
Não, não somos órfãos.
Traços e pistas do
nosso Pai
e Pai dos céus
existem por toda
parte.
Não, não somos só
humanos.
A alegria nos diz
isso.
Queremos sempre
a
alegria por perto.
Desejamos cultivar
a fonte da alegria
na nossa horta.
Somos pessoas humanas,
com potencial
espiritual infinito,
abertos ao ilimitado,
pela imagem e
semelhança
com o Cientista,
Criador da Terra e
dos Céus,
que cria para a
eternidade.
Extasia-nos e nos desperta,
um convite, um aceno,
um chamado lá das estrelas.
Quem saciará a fomee o desejo
de
conhecer o céu?
Estes escritores
procuramos.
Estes cientistas
esperamos.
Que mãe parirá estes necessários
novos escritores, novos profetas,
novos poetas, cientistas do além?
Por favor, reitores,
cientistas, filósofos,
artistas e poetas,
rabisquem linhas
e profiram palavras
que alarguem e
prolonguem
estes sonhos,
necessidades básicas,
das nossas esperanças.
Políticos, assinem projetos
ousados,
capazes de fazer
acontecer,
a esperança brotar de
novo, de verde,
em todos os povos.
Teólogos, alimentem nossa fé
no Criador do
Universo.
Ele é nosso Pai.
Revelem-nos o rosto
Dele
e as moradas
que está preparando
para nós.
Profissionais de
todas as ocupações,
insistam, percam o
sono,
invistam neste
financiamento,
nas provas e
demonstrações
que os mistérios não
são fechados
ou impossíveis de
serem lidos.
Queremos provas
desta filiação.
Não queremos ser
filhos
sem heranças.
Queremos acreditar
nas promessas
de que somos
herdeiros dos céus.
Não esvaziem
o conteúdo misterioso
do Criador,
nosso Pai.
Não nos deixem
famintos,
alimentando-nos
com a ignorância
destas verdades.
Falem do nosso Papai
do céu.
Nós, filhos, não
queremos nos sentir órfãos.
Não aceitamos essa condição.
Não escondam as verdades eternas.
Permitam-nos curtir
o mistério da
natureza Divina ,
e abram os espaços,
mostrando-nos
o impossível, o
infinito e o Incognoscível.
Demonstrem as
evidências do espírito.
Falem da ressurreição
após a morte,
da vida, da vida
eterna.
Queremos continuar
vivendo eternamente.
Não nos deixem
curtindo ilusões e
fantasias
ou mentiras que
viajam pelos séculos.
O livro da história
já nos contou muitas
verdades.
Verdades eternas
permanecem
com o passar dos anos.
Já temos um sul.
Já temos a esperança
de que tais ideais
são possíveis.
Águias que somos,(*)
feitos para voar nas
alturas,
não aceitemos
permanecer
como galinhas,
que também possuem
asas,
mas não voam mais,
porque a cultura do
conforto acomodou.
Caminhemos juntos.
Sejamos parceiros
nessa pesquisa,
nessa ânsia de coisas
melhores e maiores.
Prefiro
ser um iludido
e
viver nesta esperança
a
sofrer numa vida triste
sem
saída para a imortalidade.
*Leia
o livro do escritor Leonardo Boff,
A águia e a Galinha, uma metáfora da
condição humana
/ Petrópolis, RJ : Vozes.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Atualizado em
01/02/2016
Atualizado em 27/04/2026
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