No tempo, estamos
subordinados
e aliados à lei da evolução.
A lei da evolução
está
atrelada à lei do esforço.
Esforço é a senha
para
abrir qualquer arquivo
que se relacione ao crescimento e aperfeiçoamento
da raça humana.
Na introdução a este
capítulo acho oportuno esclarecer que cada pessoa humana necessita compreender
e aprender a usar diferentes ferramentas.
Necessita ler e
compreender as ansiedades do seu próprio ser, da sua própria espécie, a espécie
humana, e as aspirações da sua natureza espiritual e eterna.
Uma das leis da História
da humanidade
é a lei da evolução.
A lei do esforço caminha
junto,
como irmã gêmea.
É com o estudo da
história da humanidade que percebemos a evolução.
Percebemos a evolução quando avaliamos a trajetória humana em termos de milhares e milhões de anos.
Até inícios do ano 1500, a maneira como as coisas eram feitas era com as mãos, de modo artesanal. Gastava-se mais tempo e a produção era pequena ou condizente com a época e a característica da vida lenta.
A evolução da humanidade, com a inauguração da revolução industrial (ano 1700, mais ou menos), criando máquinas e ferramentas, apressou o processo do desenvolvimento e aperfeiçoamento das pessoas. Gastava-se menos tempo e produzia-se mais. E a pressa entrou em campo. Defeitos colaterais também.
Após a revolução industrial quase não se falava mais em evolução e sim em revolução.
A evolução lenta foi promovida para revolução rápida.
A humanidade evoluiu
desde os elementos físicos e químicos, na linha de incorporação de elementos e
valores, aumentando a complexificação e a unidade.
Quanto mais elemento vai
incorporando, mais complexo e uno o ser vai ficando.
O desafio está no
conhecimento e domínio da dimensão espiritual, que é invisível, mais una,
portanto, mais perfeita.
A evolução caminhou da
água para a terra, da terra para os vegetais, dos vegetais para os animais e
nos animais alcançou a evolução do ser humano.
No ser humano, na área
biológica, parecia que a evolução já tinha alcançado o mais alto grau. Parecia
que estava completa. Em seguida, a evolução mental deslanchou, quase voou
e ainda está em evoluindo, rapidamente.
E não deve parar por aqui. Há indícios de que tem algo mais lá para frente.
Dentro do contexto
evolutivo da história, no reino humano, completou-se o reino da matéria.
O reino da matéria alcançou o máximo de desenvolvimento no ser humano.
Não se pode, porém, fechar as portas e dizer que não há mais nada a descobrir e aperfeiçoar na materialidade enquanto objeto de estudos.
O que queremos deixar bem claro é que, simultaneamente, no reino humano houve a incorporação do elemento imaterial, o espírito.
O reino da matéria abriu-se ao reino do espírito.
Nesta brecha, nesta parceria e nesta ‘quase’ pacífica aliança, a evolução achou um campo para continuar.
Pela capacidade espiritual, o ser humano pode evoluir até alcançar a plena realização na esfera espiritual, característica dos deuses e do nosso Deus Criador.
É na esfera do divino, na esfera da perfeição que queremos voltar a atenção e pesquisa, porque é por aqui que a evolução encontrou caminho para continuar a trajetória.
Vamos fazer uma pergunta
provocativa:
A dimensão divina é tendência ou vocação do ser humano?
Arriscamos e ousamos afirmar que é tendência, é necessidade e é vocação.
Não satisfazer esta
necessidade básica do ser humano como projeto para tornar-se imortal e eterno,
é frustrar a natureza espiritual que existe em cada um de nós.
Esta dimensão superior, considerada tendência e vocação, deve evoluir constantemente em direção à realização. A evolução é uma força, uma dinâmica atraída pelo bem, pela bondade.
A separação e a união
entre o corpo e o espírito foi tema de preocupações e pesquisas de muitos
filósofos e teólogos durante séculos.
A própria religião, durante muitos séculos, manchou o corpo material como empecilho, estorvo e ocasião de pecado. “Salva a tua alma”, porque o teu corpo não tem salvação.
Felizmente a evolução ensinou que o ideal é a busca da unificação dos elementos.
A história de cada
pessoa humana caracteriza-se pela evolução, que é a capacidade de crescimento
contínuo, em direção ao bem e ao Sumo Bem que lhe satisfaz.
As ciências humanas ensinam que as pessoas estão equipadas para processar mudanças na maneira de ser, pensar e agir.
Há algumas sementes de
divinização plantadas no ser humano.
Há alguns sinais
apontando para algo mais.
Há insatisfações não
satisfeitas.
Há um perigo, ou dois. A
presença do mal só mostra que o processo da evolução ainda não está andando
dentro dos eixos ideais.
As ciências e a
experiência humana demonstram que há na natureza humana, acoplada, a tendência
para a acomodação, para o comodismo e para o conforto.
Aceitar estas limitações como algo natural estacionará nosso barco nas margens e nas praias do mar da vida.
Fugir das tempestades não permitirá enfrentarmos as necessárias dificuldades para explorarmos novas terras.
Estas características conhecidas e administradas nos darão condições de superar os obstáculos e continuar evoluindo.
Mas as ciências e a
experiência humana demonstram também que somos mais do que aparentamos.
A vida é um processo
evolutivo em direção à unidade e ao bem maior.
Se olharmos para
qualquer lado, tudo está a crescer e a evoluir, aperfeiçoando-se, superando
obstáculos e dificuldades.
O processo evolutivo
pessoal começa com as dúvidas existenciais.
Perguntar exige colocar-se em situações e condições de dar ou querer respostas.
Procurar respostas leva a pessoa humana a adquirir, lenta e evolutivamente, uma filosofia de vida.
A filosofia de vida
acaba acontecendo como fruto das nossas escolhas racionais, busca pela
qualidade de vida e escolhas afetivas.
A lógica final será a
elaboração da ciência do espírito, levada à perfeição pela superação de todos
os limites.
Nós, como seres humanos,
somos capazes de crescimento, de evolução e mudanças.
No estágio da vida em
que nos encontramos só sobrou uma alternativa: aceitarmos esta lei e evoluirmos.
Para nós, humanos, não
existem portas fechadas.
O ser humano se tornou
consciente de si mesmo. A consciência ativa é o farol que mantém acesa a
chama da evolução.
Somente nós, os seres humanos, temos consciência, sentimos o peso das responsabilidades e estamos capacitados para as ações necessárias para completar a nossa e toda a criação já iniciada ou ainda a ser criada ou recriada.
Todos os demais seres,
no reino mineral, vegetal e animal já produziram o melhor das suas
realizações.
Somente nós que adquirimos pela evolução, as capacidades de pensamento reflexivo e criativo, estamos em processo de evolução e aperfeiçoamento permanente.
Uma só coisa nos é
necessária: não pararmos o processo da evolução.
Não regredirmos.
Não estacionarmos.
Evitar a estagnação.
Evitar a cristalização.
Evitar o contentamento.
A acomodação leva à indiferença.
A indiferença é uma das
origens da estagnação.
A estagnação leva à
extinção.
Mais uma vez queremos insistir no princípio básico da evolução: evoluir exige permanente disposição para mudanças.
A placa com a advertência escrita com tinta amarela adverte: cuidado com a acomodação.
Quando lemos a história da nossa evolução através de milhões de anos,
percebemos que quando a vida encontrou ambiente hostil à sobrevivência foi
quando ocorreram as superações.
Quando houve a acomodação, várias espécies, ramos e gêneros sucumbiram à extinção.
Esforço, portanto, é a
senha para abrir qualquer arquivo de crescimento.
Não convém estacionarmos
ainda.
Estejamos alerta para não cedermos à tentação de cantar o hino da vitória antes de atingirmos a plena realização das nossas potencialidades.
Todo o processo da
evolução caminha para a unidade.
Da diversidade para a
unidade.
Da dispersão para a
unificação.
A força, a energia acontece quando centramos nossos objetivos na busca da unidade, na busca da consciência que produz mais inteligência, da inteligência carregada do espírito que unifica.
Nas trilhas da biologia e da antropologia, foi buscando a unidade como princípio básico que oportunizou as conquistas dos degraus superiores em direção à perfeição.
Cabe aqui um alerta: toda vez que os documentos da Igreja Católica falam em ‘conversão’, necessidade de ‘conversão’, leia ou entenda ‘evolução’.
A pessoa humana consciente, madura, inteligente, adquiriu o conhecimento da
herança que nos cabe, a nós, irmãos do gênero humano. Porém, dentro do pacote
da herança vem junto igual quantidade de responsabilidade.
Estas capacidades são as
responsáveis por todo o processo da evolução.
Dentro da evolução processa-se a gravidez que gera o futuro.
Na conquista da
personalidade ideal há um longo caminho.
Andando, começamos a perceber que o caminhar não é uma tarefa fácil.
Caminhar, evoluindo, assemelha-se mais a uma escalada.
O andar na planície é tranquilo.
Não exige nenhum equipamento ou ferramenta extra, além do normal e do comum a todas as pessoas.
Porém, na conquista de valores, na busca por ares mais puros, por visões mais amplas, surge necessidade de mochilas com ferramentas apropriadas.
Uma reflexão se impõe
aos nossos pensamentos, exigindo aprofundamento. Existe muita literatura sobre
este assunto. Talvez esteja faltando mais uma complementação para uma maior
compreensão que encaminhe para uma tomada de decisão.
Vamos começar pelo ponto
de vista da religião do cristianismo. Quando surgiu no Evangelho o personagem
João Batista, seu tema de discurso inicial foi sobre a necessidade da
conversão. Conversão é sinônimo de mudança.
Sabemos por experiência própria que devemos procurar mudanças em nossa maneira
de ver, olhar, falar e principalmente comportar-se. É o constante desafio para
buscar o aperfeiçoamento até o último degrau que as capacidades permitem.
As mudanças são
necessárias para que cada um vá conquistando valores de aperfeiçoamento.
Sentimos que temos tendências para a perfeição. Por outro lado, experimentamos
uma danada resistência em processar as mudanças em nossas vidas. Só as mudanças
nos promovem para estágios mais elevados.
Então vamos refletir sobre as dificuldades que temos para a conquista deste
aperfeiçoamento.
Existe uma tendência em
nós, extremamente sutil, que quer nos manter acomodados.
Para crescermos, temos que empenhar forças, empenhar pesquisas, empenhar sacrifícios.
Não crescemos gratuitamente, como fruto de mágica.
Sem esforço não se consegue nada de valor.
Tudo o que é valor, portanto, exige o pagamento de um preço.
Pelo que sentimos na experiência, a primeira etapa para que uma mudança seja
realizada começa na esfera mental.
Precisamos nos convencer desta necessidade.
E para que nos convençamos a nós próprios, há a necessidade de buscar os argumentos que convençam nossa personalidade a buscar tal valor.
Uma vez aceitos os argumentos, entra
em ação a esfera das emoções e sentimentos.
A regra é agregar valor, convencer as
outras potencialidades da personalidade a unir forças na busca de tal
objetivo.
Na esfera das emoções e sentimentos, a força de vontade deve ser convocada.
Esta capacidade é decisiva. Com a união destas duas forças, os objetivos e metas serão traçados e, em unidade, a conquista está decretada.
Mudar é um bem.
Mudar a direção para a conquista de um bem é fruto de decisão.
Decisão sugere pensar, pesquisar, escolher.
Decisão acontece numa área de maior profundidade da nossa personalidade.
Na superfície sofrem-se as consequências das ondas, das agitações, da poeria, da mesmice e enterramento das potencialidades.
Mas quanta dificuldade neste processo!
Parece que é preciso convocar outra personagem para esta conquista: a perseverança.
Sem ela, o entusiasmo inicial sentirá logo o cansaço. O cavalo do entusiasmo deverá ser promovido para camelo. O camelo anda mais lento, porém vai mais longe. O cavalo é bonito e esbelto. O camelo é feio e desengonçado. Mas vai mais longe.
Mas por que colocar o cavalo e o camelo neste contexto? Para mudar, parece-me,
há que se abrir mão da beleza e do orgulho. Há que se aliar com a humildade e a
paciência. Quanta diferença há na estética do cavalo e no eficiente camelo.
Pergunto se este ponto de vista pode ou deve fazer parte deste texto sobre a
necessidade de mudança? Parece-me que sim.
Veja como é difícil mudar para melhor.
Perceba como é fácil permanecer no comodismo.
Os valores que levam à convicção exercem a função de gasolina aditivada.
Outra experiência que fazemos é esta: quando conseguimos conquistar um degrau a
mais de aperfeiçoamento em nossa personalidade, por esforços, lutas e
sacrifícios, nos sentimos recompensados pela alegria.
E a alegria é um resultado bom.
Por outro lado, quando desistimos da luta, quando desistimos de perseverar na busca de algo que pode levar a um grau maior de aperfeiçoamento, experimentamos a tristeza, a decepção, e um sentimento de derrota.
Este sentimento ruim interfere depois em outros setores vitais.
E vai contaminando e reduzindo nossas forças.
É bem difícil mesmo esta escalada.
Quando conquistamos um degrau de aperfeiçoamento, há outro a conquistar. E nunca paramos.
A mudança então deve ser
uma constante.
Deve tornar-se filosofia de vida.
Para chegar lá serão necessários alguns anos. Mas, não importa. O que importa é o ideal, é a estrela lá em cima, a nos guiar servindo de quadro de referência permanente.
Nesta caminhada, há a necessidade desta decisão pela mudança.
Você perceberá que será muito difícil aceitar, de cara, a leitura de um livro no qual estão relacionados temas teológicos, filosóficos e científicos.
Gostaria que você percebesse que não há como estar no universo, um mundo composto de matéria e espírito, e falar de ciência, sem falar de filosofia e religião.
Somos frutos do passado. O passado deixou marcas profundas em nós.
Não somos partes. Somos experiência de unidade.
Hoje procuramos
um valor unificante e libertador.
Os textos do Heipo's World procuram trazer o Deus Pai, criador e todo poderoso,
e seus atributos para o mundo.
Quer trazer o Espírito Santo para a vida.
O espírito atrasador e confundidor é o elemento que necessita ser substituição por outro, convertido, mudado para o espírito que, encarnado em nós, produzirá os frutos da libertação do dividido, revelando os herdeiros da nova terra que será promovida para reino dos céus.
Nesta altura da leitura
percebemos que é necessário provocar mudanças.
Qualquer empresa
profissional é formada por pessoas. As pessoas pensam, sentem, agem e trabalham
motivadas por ideais e aspirações. Impõem-se metas a atingir. Planejam-se
estratégias para os objetivos desejados. E quando agimos, provocamos as
mudanças.
A pessoa humana é quem promove ou executa a
mudança. A pessoa humana é quem bloqueia ou não executa mudanças.
A pessoa humana efetua a primeira mudança na sua
maneira de pensar. Portanto, a primeira mudança a ser feita é no campo do
pensamento.
Os ideais são alcançados quando se deixa uma
maneira de pensar defensiva, pessimista ou derrotista, e se escolhe uma maneira
de pensar positiva, inovadora, criativa, aberta, carregada de boas
expectativas, geradora de novas formas de fazer coisas velhas.
Considere-se uma pessoa que resiste às mudanças,
porque é natural no ser humano a resistência a qualquer tipo de mudança.
As pessoas, em geral, não gostam de mudanças. O
motivo escondido é que a mudança provoca a desacomodação. A mudança provoca a
desestabilização em nossa posição conquistada, ou em nosso modo de viver.
Para percebermos um pouco como funciona o processo
da mudança, comecemos analisando o nosso ponto de vista sobre as mudanças que
ocorreram no nosso ambiente de trabalho neste ano que passou.
Depois, analise as mudanças que ocorreram na sociedade, na cidade, no bairro ou mesmo no país em que vivemos.
Finalmente, analisemos quais mudanças ocorreram no mundo neste ano em que estamos e qual é a opinião ou conceito que fazemos sobre estas mudanças. Percebamos que muitas mudanças acontecem, com ou sem nosso próprio consentimento e com ou sem nosso conhecimento.
A mudança é uma realidade que se impõe.
Estamos mudando desde o ano em que nascemos.
Estamos mudando desde o dia em que entramos numa escola.
A mudança é uma constante.
Continuamos mudando e nos adaptando às novas situações e condições.
Muda-se o tempo em quatro estações. Muda-se o tempo
para seco ou chuvoso, frio ou calor, quase a todo o momento. Muda da noite para
o dia. Muda de manhã para tarde. Mudam os minutos e as horas.
Isto tudo é muito natural. Acontece.
Mas, conosco é diferente. Nós não mudamos muito facilmente.
Embirramos e escolhemos permanecer mudos.
Opomos resistências às mudanças.
Nós, cada um de nós, não mudamos quase nada ou
quase nunca.
Só mudamos quando decidimos mudar.
Aqui está a chave que abre as portas das mudanças. Na nossa vida, mudança só vai ocorrer quando cada um, na sua essência, na sua personalidade, se convence de que tal ação deve ocorrer.
Cada um de nós é o diretor da própria empresa, digo, da própria personalidade, ou melhor, da própria vida.
Queremos conquistar ideais.
Planejamos metas em busca do êxito da nossa própria empresa.
Não somos dirigidos e explorados pelos concorrentes.
Ou mudamos, ou os outros nos mudam.
Ou nos dirigimos, ou seremos dirigidos pelos outros.
Insistimos que é
importante a compreensão do processo da evolução.
É importante porque desmonta toda a cultura na qual vivemos que sugere a acomodação.
Perceba em você mesmo como somos teimosos e quanta resistência nós opomos ao processo da evolução.
Não gostamos do sofrimento.
Gostaríamos que todos os bens que desejamos e os ideais que buscamos chegassem a nossas mãos sem nenhum esforço.
Mas não é assim que acontece.
O esforço é a senha para abrir qualquer arquivo que exija aperfeiçoamento.
Para a compra ou conquista de qualquer bem há que se empenharem esforços. Porém, sempre encontramos dificuldades e resistências no caminho.
No caminho da conquista de qualquer virtude ou no projeto de aperfeiçoar
qualquer qualidade que precisamos, há que se travarem combates dentro de nós
mesmos.
Até parece que dentro de nós há um rinque, uma arena, em que dois reinos estão em constante duelo.
Conviver conosco mesmos exige atenção e educação da força de vontade.
Esta força de vontade é uma energia que temos, às vezes conhecida e domesticada que trabalha para o bem, e, outras vezes, é rebelde, desobediente e causadora de conflitos.
A força de vontade é como um cavalo xucro, indomável que precisa ser domado e permitir montaria.
Desistir ou investir na força de vontade é uma decisão que se tornará causa de constantes fracassos ou agradáveis vitórias.
Danada resistência esta
que opomos
quando nos comportamos
egoisticamente,
não atendendo às
expectativas com relação às nossas forças.
Filhos e herdeiros dos
céus que somos,
teimamos em viver como
órfãos,
esbanjando energias,
teimando em viver como
irracionais,
sem destino e sem dono.
Não sabemos por que
resistimos
a esta verdadeira
dimensão.
Dentro da nossa dimensão
humana,
há uma dimensão divina
insatisfeita.
Escolhemos atalhos e nos
perdemos.
Vivemos escolhendo os
valores horizontais da vida,
vivendo como os animais,
na base dos instintos.
Pastamos ao invés de nos
alimentarmos do maná.
Teimamos em ser o filho
que se recusa a escutar
e executar as
orientações do pai.
Resistimos e como
resistimos em decidir pela hora da reviravolta.
Pobres somos,
e mais nos empobrecemos
opondo resistências.
Que mistério é este
que nos aliena da raiz
da própria vida
e esconde a verdade
sobre nós mesmos?
Por que teimamos em nos
afastar da fonte de todo bem,
como herdeiros
insensatos,
desprezando todos os
tesouros herdados?
Cegos somos
querendo impor-nos
um estilo de videntes,
profetas autônomos,
com olhos imperfeitos.
Ambições pequenas
iludem-nos,
mantendo-nos terráqueos,
simples humanos, com
dois pés,
teimando em impor-nos
como poderosos e independentes.
Mesmo conhecendo nossas
fragilidades,
ainda assim continuamos
teimando.
Somos um time de
teimosos.
Onde vemos as linhas do
infinito?
Se invisíveis, que tipo
de olhos verão estas linhas?
Em alguma parte da
Bíblia, dos Evangelhos e das Cartas ou Epístolas existem algumas frases
endereçadas a nós, e bem claras. Se tivéssemos o hábito de procurar a verdade
lá onde ela se encontra, encontraríamos as cartas e as frases que nosso Pai
escreveu diretamente para cada um nós.
Recobra o teu fervor
e a tua originalidade
e venha mudar a tua
postura e comportamento.
Recupere teu entusiasmo
original e vá buscar o que te sacia.
Até quando continuaremos
resistindo.
Até quando nos
iludiremos a nós mesmos,
fingindo que estamos
bem,
que não há nada de
errado
neste viver sem sabor e
sem risos,
sem entusiasmo e
esperanças,
testa franzida e sem
brilho no olhar?
Chega de opressão.
Chega de máscaras e
fingimentos.
Chega de viver a vida de
atores contratados
para interpretar papéis
despersonalizantes
e vazios de sentido e
finalidade.
Chega de tortura e
sofrimento.
Estaremos para sempre
Adaptando-nos e
aceitando as depressões
e pessimismos, as
injustiças,
a falta de rumo,
como ingredientes
naturais da nossa vida?
Não aguentamos mais ver
tanta gente sofrer.
Chega de sacrifícios e
altos pagamentos
para aprender profissões
temporárias,
que constroem coisas
que nos afastam da
simplicidade
e da sabedoria da vida.
Quanta competição entre
as empresas dos meus amigos,
e entre meus próprios
amigos.
Cadê meus amigos,
afogados em concorrência
e competições,
colecionando doenças do
coração,
enfartes e depressões,
procurando antecipar a
morte,
estressados e sem sabor
no viver?
Não recebemos mais suas
visitas.
E eles não têm tempo
mais para serem visitados.
Há uma resistência a ser
domada.
Há uma conquista a ser
planejada.
Lembra-te da última vez
que você parou e ficou a olhar o formato das nuvens nos céus? Ou então, quando
foi a última vez que você parou para admirar o pôr do sol?
E quando chega a noite,
percebes que o sol foi
embora, dormir?
Será que a noite tem
alguma finalidade extra?
As estrelas, à noite,
cantam mensagens de um universo infinito.
Há uma resistência a ser
domada.
Há uma conquista
a ser planejada.
Há uma ansiedade
a ser satisfeita.
Cadê o tempo
livre?
Não sabemos mais ocupar o tempo livre com os assuntos mais sérios da vida.
A vida está ficando cada vez mais banalizada, esvaziada dos fundamentos da sua sacralidade.
Os noticiários falam todos os dias de milhares de pessoas que morrem em consequência de doenças, assaltos, guerras, atentados, acidentes, tragédias, calamidades, sequestros.
Os filmes mais procurados são aqueles em que há sangue e morte por todo lado.
A morte e o extermínio de vidas anunciadas pelos meios de comunicação, todos os dias e em todos os telejornais, anestesiou nosso senso crítico.
Esta banalização esvazia de sentido e torna natural o que não é normal.
Estamos perdendo o senso da realidade.
Nossa própria consciência já demonstra estar prejudicada, esgotada, enfraquecida e talvez contaminada pelo relativismo da cultura atual.
Há uma resistência a ser
domada.
Há uma conquista a ser
planejada.
Estamos todos condenados
a viver sem satisfação,
sem curtir o que de mais
precioso temos, que é a vida?
Será este estilo de vida
que queremos,
ou será que
desaprendemos a viver.
Ou fomos
despersonalizados,
ou pior, já estamos
demasiadamente mecanizados,
desviados do lugar
sagrado?
Se vivermos em função da
televisão, isto é, se ocupamos o nosso tempo livre diante da televisão, não
estamos somente despersonalizados, mas também escravos.
Onde se encontra o teu
próprio eu?
Quem é você? Qual a
finalidade da sua vida?
Diga-me e entenderei.
Ou estamos demais
animalizados
ou demais humanizados
e quase nada
aperfeiçoados?
De qualquer forma,
aparece na tela da vida,
muitos de nós humanos,
estamos vivendo no
prejuízo,
e o que é pior, estamos
acostumados.
Há uma resistência a ser
domada.
Há uma conquista a ser
planejada.
Queremos pessoas
que exerçam a
responsabilidade
de despertadores,
de marinheiros
experimentados,
de embaixadores
realizados,
de porta-vozes
autorizados.
Há uma resistência a ser
domada.
Há uma conquista a ser
planejada.
Acordem-nos.
Coloquem-nos na frente
dos espelhos.
Incentivem-nos a olhar
como ficamos por fora.
O que está acontecendo
lá dentro?
Que tipo de anestésicos
nos atinge
sem que sintamos os
efeitos.
Há uma resistência a ser
domada.
Há uma conquista a ser
planejada.
Deixe chegar perto de
mim
aquele que me traz boas
notícias.
Que ele nos mostre as
chaves
que abrirão os cadeados
e tirarão dos nossos
braços e pernas,
as correntes que nos
aprisionam.
Há uma resistência a ser
domada.
Há uma conquista a ser
planejada.
Ainda nos resta intacta,
uma pequena parcela da
personalidade.
Queremos voltar a ser o
que somos:
um projeto de vida
eterna.
Há uma resistência a ser
domada.
Há uma conquista a ser
planejada.
Há uma ansiedade a ser
satisfeita.
E percebemos como este
caminho é penoso.
Uma das nossas características humanas é a procura com certo grau de ansiedade por expectativas boas.
Estamos sempre esperando que algo de bom nos aconteça ou estamos sempre em atitude de quem está procurando algo.
Vivemos quase sempre com
uma ansiedade indefinida.
Estamos sempre curiosos
e atentos à novidade.
Torcemos para que algo de bom possa acontecer a qualquer momento.
Este instinto nos move em busca de melhores condições de vida.
Somos seres em constante busca de mais conhecimento, mais posses, mais ações.
Estamos, portanto,
sempre abertos para algo mais.
Estamos sempre procurando.
Os gênios, os grandes personagens,
as pessoas vencedoras, ensinaram a teima do
reinicio
e da persistência, da busca e da procura de
elementos
que nos aperfeiçoam.
Em certos momentos,
estamos saciados e
contentes.
Em outros momentos nos sentimos
incompletos e insatisfeitos.
Estas características
nos distinguem
e nos elevam para um patamar superior.
Estes elementos e esta característica provam duas verdades: primeira é que somos incompletos; segunda, somos capazes de aperfeiçoamento contínuo.
Mas estas duas verdades demonstram outras duas verdades: primeira: sentimos tendências para a estagnação; segunda: a aquisição de aperfeiçoamentos ilimitados supõe e exige esforços contínuos.
Estacionar, desistir ou parar
é escolher o comodismo
e deixar-se derrotar
pela rotina.
Continuar
é colocar em movimento
nossas tendências de
aperfeiçoamento.
Haveremos de desistir,
acenar o lenço branco,
baixar nossa bandeira,
render-nos e
entregar-nos
sem nenhuma resistência?
Seremos capazes de
parar?
Não. Não é hora de
desistir.
Já experimentamos o
sabor.
Já antevimos o que nos
está reservado.
Estamos decididos: queremos nos manter
nesta procura,
com firme fidelidade.
Mas como é difícil
participar do campeonato da vida.
Como manter ativas as
forças da juventude,
já com idade mais
avançada?
O vento sopra forte
contra nossa embarcação.
Não reconhece nem
respeita a madeira da qual fomos feitos.
Nossos braços já estão
cansados de remar contra a correnteza.
Até quando conseguiremos
continuar nesta luta?
Renovar, lustrar a velha madeira.
Dar brilho, colocar
cera, tomar sol e vento
fresco.
Cada dia, novo dia,
um humano novo ou
renovado,
é o projeto em
andamento.
Na pureza e retidão
não temos outra ação a
fazer
a não ser seguir o
ritual da busca do ideal celestial.
Em coerência com esta
postura nos ajoelhamos e rezamos:
Ó força ressuscitadora,
espírito vivo e atuante
não permitas que a
fraqueza desajuste
a unidade conquistada.
Que percamos o medo de
causar escândalos,
e que os causemos,
se forem necessários e
triunfantes
para os demais
caminhantes.
Dai-nos a força da
coragem e da ousadia.
Só seremos novos e
necessários profetas,
sinais e missionários se
nos forçares,
docemente e nos
arrastares com vossa mansidão.
Vemos como sofre este
teu povo,
todos os dias esperando
de nós,
uma manifestação,
uma resposta fraterna,
atitudes de
sensibilidade e solidariedade.
Sentimo-nos impotentes,
fracos, impuros e mudos.
Conhecemos nossas resistências
e a matéria das nossas
pernas.
Vemo-nos inseridos dentro de uma classe
já sem forças,
e sentimo-nos também
como teus filhos,
fracos, com sede, com
fome e com saudades.
Estamos nos sentindo
longe de vós,
nosso Pai e da nossa
casa!
Que frio, que mal-estar
está reinando neste mundo.
Descuidamos dos nossos
próprios irmãos.
E nos condenamos a
passar frio neste inverno.
Este sentimento da vossa
ausência
endurece nossos
músculos, atrofia nossa sensibilidade,
apaga as luzes e o
brilho nos nossos olhos,
fecha todos os caminhos,
desmonta todos os
andaimes das nossas construções.
Onde estão aqueles,
que devemos ser, como o farol,
o sinal, o fogo a esquentar a
noite da fé.
Trata-se da minha vida,
da sua vida, enfim, da vida de cada um de nós. Trata-se da vida do Heipo,
querendo viver a vida que o Pai do céu idealizou para nós, seus filhos e
herdeiros.
Caminho penoso esse, da
procura.
Exige esforços.
Mas não nos entregamos.
Decidimos nos colocar a
caminho
e nos perguntamos sobre
a fonte das resistências.
Estamos todos
acostumados com nossos atos. Sentimos alegria quando fazemos um ato bom.
Sentimos tristeza e decepção quando fazemos um ato que a nosso julgar e aos
olhos dos outros, foi egoísta ou individualista.
Há um critério
universalmente aceito que avalia atitudes egoístas e atitudes altruístas. Um
sofre críticas. O outro recebe aplausos.
A experiência que
fazemos com estas duas situações revelam uma verdade que não gostamos de
admitir. Nem sempre nos comportamos idealmente, merecedores de aplausos e
recomendações.
Sabemos dessa tendência
natural do rei ego, montado no cavalo xucro da nossa personalidade, não domada
pelos princípios da sabedoria.
E é difícil este
domínio.
Demora muito tempo para
o egoísmo descer da montaria do cavalo que resiste à disciplina das leis e das
faculdades superiores.
Seria necessário, desde
pequenos, aprendermos a profissão de domadores e nos impormos com firmeza e
autoridade, coerência de quem sabe quem é que comanda as decisões definitivas
da vida nesta minha própria casa.
Somos responsáveis por
todos os nossos pensamentos e atos. É nossa a responsabilidade de avaliar antes
as consequências do agir. É mais natural esta ação, já que somos inteligentes e
podemos antecipar, mentalmente, tais consequências.
Somos seres racionais.
Por isso, sabemos da importância de adquirir conhecimentos. Mas não basta saber
que o erro existe, ou que as omissões prejudicam, ou que as injustiças
empobrecem.
Junto com a
racionalidade há que se agregar uma relação de valores. Nestes valores estão
incorporados os elementos da moral e da ética.
Saber o que é certo tem
que casar com o que é bom e útil.
Nem sempre o inteligente
une à sua inteligência os elementos da justiça.
Nem sempre a inteligência e a justiça dão as mãos ao perdão.
As consequências do
nosso agir atingirão a perfeição quando forem frutos da unificação dos valores
da racionalidade, da moral e da religião.
Você já deve ter
percebido que a outra lei fundamental que guia as páginas destes textos é a lei
da unidade.
É o sonho do Heipo. Convém pesquisar e adotar para o caminhar nesta terra, tudo
o que se refere aos parceiros da unidade.
Nós não somos
indiferentes, nem robôs, nem inconsequentes, mas convém perguntar: será que a
humanidade não está promovendo a sua própria falência?
Na literatura empresarial, no campo dos empreendedores, existe um princípio que
diz assim: se você não está evoluindo, está se enterrando, ou caminhando para a
falência. Exagerando, podemos arriscar afirmando que está provocando a própria
extinção da espécie.
Pelo uso do potencial de
conhecimento, temos muitas dúvidas sobre o destino além da vida na terra.
Viemos de muito longe,
evoluindo desde os primeiros elementos da água e da terra, passando pelos
minerais, vegetais, e animais, e finalmente alcançando o patamar humano.
Não querendo forçar um
degrau a mais na escala da evolução, porém, considerando a definição clássica
de pessoa humana, acho que ainda cabe mais um degrau na escala evolutiva: do
homem e da mulher, evoluir para pessoa humana.
Se considerarmos a
definição de homem e mulher e compararmos com a definição de pessoa, há de fato
mais um degrau evolutivo.
Definimos o homem como
animal racional, capaz de aperfeiçoar seus instintos e capacidades,
transformando-os, aperfeiçoando-se dentro da linha evolutiva.
Se avaliarmos a
história passada, desde a pré-história, tomamos conhecimento que alguns ramos
ou espécies de hominídeos extinguiram-se, em decorrência da não aquisição de
alguns elementos necessários para a superação de alguns obstáculos.
Acomodaram-se,
endureceram-se, petrificaram-se ou cristalizaram-se numa determinada cultura de
acomodação e desistência.
A visão cristã da pessoa
humana é o ser humano racional e livre, definido por sua dimensão de sujeito
moral e espiritual, plenamente consciente do bem e do mal, livre e responsável,
consciente das suas capacidades espirituais e comprometido com os valores da
fraternidade.
Insistimos que a pessoa
humana é o homem ou a mulher que evoluiu.
Evoluiu porque se sabe dotado de consciência moral, permitindo-lhes avaliar, discernir e escolher.
Percebe-se possuidor de espírito criador e transformador.
Sua consciência lhe mostra que possui a capacidade de superação dos instintos, por meio do esforço, do aprendizado, pela reflexão sobre o bem e o mal, também pela escolha e definição de objetivos e metas.
Como pessoa humana ativa está equipada com a capacidade de agregar-se, juntar-se em comunidades e fraternidades, estudando o passado, aperfeiçoando o presente, construindo o futuro.
Se o indivíduo não se compromete com a comunidade, ainda está sendo egoísta, pensando em si mesmo, num nível de pura sobrevivência.
Olhando a história da
humanidade, das pessoas equipadas com as capacidades originárias da nossa
inteligência, alguns ramos dos hominídeos, nossos ancestrais, estagnaram no
processo da evolução e se extinguiram.
Buscaram a segurança pessoal e não se expuseram, não se agregaram.
Fecharam-se e extinguiram-se.
Não há espaço aqui para
analisarmos as causas da extinção, que podem internas ou externas, como a
violência, a mudança de ambiente ou falta de condições de sobrevivência, ou
catástrofes.
Os antropólogos e historiadores apresentam como causa de extinção de espécies, uma condição interna: a perda das razões inspiradoras, necessárias para as superações dos obstáculos que aparecem constantemente na vida de qualquer animal ou ser humano.
Imaginemos as
dificuldades de adaptação dos seres marítimos, que para crescer e evoluir
precisaram sair da água, para a terra firme. Aceitamos a tese científica de que
a vida começou nas águas do mar.
Para evoluir foi
necessário sair da água. Houve a necessidade de uma modificação orgânica, a
lenta evolução de brânquias ou guelras para pulmões.
Imaginem quantos não
conseguiram esta adaptação. Quantos desistiram.
A necessidade de
superação desta forma de ser molhada, úmida e confortável, exigia radical
ruptura com a já conquistada maneira de viver.
Para uma nova forma de ser, mais seca, mais árida, porém necessária como condição e capacidade de evolução, essa necessidade de superação iria provocar uma tremenda crise.
Esta nova proposta para
a lei da evolução poderia ser recusada.
Haveria um estacionamento no conforto.
Mas, a nova possibilidade estava ali, na frente.
É ficar ou arriscar-se.
Permanecer no atual modo de ser e viver é uma realidade observável. Muitos ficam por aqui mesmo.
Aceitar o convite, aceitar o desafio, aceitar a proposta para algo mais, exige muito, muito mais.
Para esta nova etapa, a
superação exige a incorporação de novas propriedades ou capacidades físicas ou
psíquicas.
A condição é de êxodo.
Sair, sair de si. Sair do mundinho pequeno
no qual nos acostumamos.
Parar ou estagnar é o
ponto de partida para a extinção.
Sobreviver, sem buscar
modificações, mudanças, caminhos alternativos, é aceitar o princípio do destino
que aponta para a morte, para a extinção.
Falamos em extinção da
espécie. Subentende-se também a falência da individualidade, da
personalidade.
Felizmente, não somos uma humanidade destinada à falência.
Mas existe este risco. O alerta foi editado.
Nossa humanidade é
composta de homens e mulheres evoluídas para pessoas.
Esta seria a lógica normal, natural.
Mas o nosso potencial afetivo e racional é incompleto e ainda não nos satisfaz plenamente.
Na condição de seres
racionais, tentamos nos apegar a esta ‘última chance’.
Não queremos aceitar a
morte, como última palavra ou última morada, ditando a última lei,
inferiorizando-nos, mantendo-nos terráqueos definitivamente.
Tentaremos ainda mais
uma chance.
Na história da evolução
nos promovemos para pessoas. Estamos capacitados com possibilidades maiores do
que nós mesmos já experimentamos. Existem forças escondidas e ainda não
despertadas nos seres humanos.
Se o homem e a mulher, e
se mesmo as pessoas mais desenvolvidas conseguissem com suas faculdades mentais
definir ou decifrar todos os mistérios, acabariam com o encanto e num canto
definhariam.
Se o homem e a mulher
conseguissem chegar, pelas suas próprias forças, com suas próprias capacidades
intelectivas, e saber, e entender tudo, plenamente, cada um dos objetos, seres
vivos, elementos físicos, químicos, biológicos, materiais e espirituais, atingindo
a plenitude do conhecimento, já estariam além daqui, pois aqui ainda não há
como. Aqui ainda é o campo do imperfeito, do incompleto.
Se tudo isso
acontecesse, se não existisse mais nada que o homem e a mulher não conhecessem
e os mistérios tivessem sido todos decifrados, nada mais restaria para o homem
e para sua companheira.
O homem e a mulher teriam atingido a estatura perfeita do Jesus Cristo.
A razão teria esgotado o objeto.
Os sujeitos, os substantivos teriam sido definidos, dissecados e esvaziados os seus encantos e surpresas.
Se a mulher e o homem
fossem só racionais, sua racionalidade tudo dominaria com perfeição.
Mas ainda é bom que a imperfeição funcione como motor de partida e que a perfeição exerça seu poder de atração.
O homem e a mulher são
seres racionais, mas ultrapassam a racionalidade; são também místicos e
religiosos. Aqui, sim, as portas se abrem para algo mais.
O nosso Pai, Criador,
sábio, bondoso e amoroso, na sua sabedoria deixou aberta uma porta ou uma
janela, ou um portal no final do corredor da nossa racionalidade.
Mesmo com toda
sabedoria, e com toda inteligência humana possível, não conseguimos chegar a
uma parede diante da qual possamos dizer: chegamos ao limite.
E é porque nunca chegamos nesta parede, que existem portas que se abrem onde achamos que não há mais nada dali para frente.
A porta da fé abre um
corredor que leva até a sala da esperança.
Na sala da esperança há outra porta que dá para uma cozinha que alimenta a alma da pessoa humana, revelando-lhes o potencial da divindade.
Muitas das ideias sobre
evolução citadas neste texto foram extraídas do cientista e sacerdote jesuíta
Pierre Teilhard de Chardin.
Ao finalizar este texto,
sugiro a leitura do livro Evolução e Antropologia no espaço e no tempo,
síntese da cosmovisão de Teilhard de Chardim, do escritor J L Poersch. E mais o
livro da teóloga Ursula King: Cristo em todas as coisas, a espiritualidade
na visão de Teilhard de Chardin, Paulinas, 2002, que completa e mostra a
profundidade da visão deste cientista sacerdote francês.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166
Criado em 17/06/2014.
Atualizado em 29/01/2016

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