domingo, 26 de janeiro de 2014

08.- Evolução. Estamos subordinados e aliados à lei da evolução



No tempo, estamos subordinados
e aliados à lei da evolução.

A lei da evolução
está atrelada à lei do esforço.

Esforço é a senha 
para abrir qualquer arquivo 
que se relacione ao crescimento e aperfeiçoamento
da raça humana. 

Na introdução a este capítulo acho oportuno esclarecer que cada pessoa humana necessita compreender e aprender a usar diferentes ferramentas.

 Necessita ler e compreender as ansiedades do seu próprio ser, da sua própria espécie, a espécie humana, e as aspirações da sua natureza espiritual e eterna. 

Uma das leis da História da humanidade 
é a lei da evolução.

A lei do esforço caminha junto, 
como irmã gêmea.

É com o estudo da história da humanidade que percebemos a evolução. 

         Percebemos a evolução quando avaliamos a trajetória humana em termos de milhares e milhões de anos. 

        Até inícios do ano 1500, a maneira como as coisas eram feitas era com as mãos, de modo artesanal. Gastava-se mais tempo e a produção era pequena ou condizente com a época e a característica da vida lenta.

        A evolução da humanidade, com a inauguração da revolução industrial (ano 1700, mais ou menos), criando máquinas e ferramentas, apressou o processo do desenvolvimento e aperfeiçoamento das pessoas. Gastava-se menos tempo e produzia-se mais. E a pressa entrou em campo. Defeitos colaterais também.

        Após a revolução industrial quase não se falava mais em evolução e sim em revolução. 

         A evolução lenta foi promovida para revolução rápida.

A humanidade evoluiu desde os elementos físicos e químicos, na linha de incorporação de elementos e valores, aumentando a complexificação e a unidade.

Quanto mais elemento vai incorporando, mais complexo e uno o ser vai ficando.

O desafio está no conhecimento e domínio da dimensão espiritual, que é invisível, mais una, portanto, mais perfeita. 

A evolução caminhou da água para a terra, da terra para os vegetais, dos vegetais para os animais e nos animais alcançou a evolução do ser humano. 

No ser humano, na área biológica, parecia que a evolução já tinha alcançado o mais alto grau. Parecia que estava completa. Em seguida, a evolução mental deslanchou, quase voou e ainda está em evoluindo,  rapidamente.  

         E não deve parar por aqui. Há indícios de que tem algo mais lá para frente.

Dentro do contexto evolutivo da história, no reino humano, completou-se o reino da matéria. 

         O reino da matéria alcançou o máximo de desenvolvimento no ser humano.  

         Não se pode, porém, fechar as portas e dizer que não há mais nada a descobrir e aperfeiçoar na materialidade enquanto objeto de estudos. 

         O que queremos deixar bem claro é que, simultaneamente, no reino humano houve a incorporação do elemento imaterial, o espírito.  

         O reino da matéria abriu-se ao reino do espírito. 

         Nesta brecha, nesta parceria e nesta ‘quase’ pacífica aliança, a evolução achou um campo para continuar. 

         Pela capacidade espiritual, o ser humano pode evoluir até alcançar a plena realização na esfera espiritual, característica dos deuses e do nosso Deus Criador. 

         É na esfera do divino, na esfera da perfeição que queremos voltar a atenção e pesquisa, porque é por aqui que a evolução encontrou caminho para continuar a trajetória. 

Vamos fazer uma pergunta provocativa: 

      A dimensão divina é tendência ou vocação do ser humano? 

         Arriscamos e ousamos afirmar que é tendência, é necessidade e é vocação. 

Não satisfazer esta necessidade básica do ser humano como projeto para tornar-se imortal e eterno, é frustrar a natureza espiritual que existe em cada um de nós.  


           Esta dimensão superior, considerada tendência e vocação, deve evoluir constantemente em direção à realização. A evolução é uma força, uma dinâmica atraída pelo bem, pela bondade.

A separação e a união entre o corpo e o espírito foi tema de preocupações e pesquisas de muitos filósofos e teólogos durante séculos. 

         A própria religião, durante muitos séculos, manchou o corpo material como empecilho, estorvo e ocasião de pecado. “Salva a tua alma”, porque o teu corpo não tem salvação. 


          Felizmente a evolução ensinou que o ideal é a busca da unificação dos elementos.

A história de cada pessoa humana caracteriza-se pela evolução, que é a capacidade de crescimento contínuo, em direção ao bem e ao Sumo Bem que lhe satisfaz.  

         As ciências humanas ensinam que as pessoas estão equipadas para processar mudanças na maneira de ser, pensar e agir.

Há algumas sementes de divinização plantadas no ser humano.

Há alguns sinais apontando para algo mais.

Há insatisfações não satisfeitas.

Há um perigo, ou dois. A presença do mal só mostra que o processo da evolução ainda não está andando dentro dos eixos ideais.

As ciências e a experiência humana demonstram que há na natureza humana, acoplada, a tendência para a acomodação, para o comodismo e para o conforto. 

         Aceitar estas limitações como algo natural estacionará nosso barco nas margens e nas praias do mar da vida. 

          Fugir das tempestades não permitirá enfrentarmos as necessárias dificuldades para explorarmos novas terras.  

          Estas características conhecidas e administradas nos darão condições de superar os obstáculos e continuar evoluindo.

Mas as ciências e a experiência humana demonstram também que somos mais do que aparentamos.

A vida é um processo evolutivo em direção à unidade e ao bem maior.  

Se olharmos para qualquer lado, tudo está a crescer e a evoluir, aperfeiçoando-se, superando obstáculos e dificuldades.

O processo evolutivo pessoal começa com as dúvidas existenciais. 

         Perguntar exige colocar-se em situações e condições de dar ou querer respostas.

         Procurar respostas leva a pessoa humana a adquirir, lenta e evolutivamente, uma filosofia de vida.

A filosofia de vida acaba acontecendo como fruto das nossas escolhas racionais, busca pela qualidade de vida e escolhas afetivas.  

A lógica final será a elaboração da ciência do espírito, levada à perfeição pela superação de todos os limites.

Nós, como seres humanos, somos capazes de crescimento, de evolução e mudanças. 

No estágio da vida em que nos encontramos só sobrou uma alternativa: aceitarmos esta lei e evoluirmos.

Para nós, humanos, não existem portas fechadas.

O ser humano se tornou consciente de si mesmo. A consciência ativa é o farol que mantém acesa a chama da evolução.

          Somente nós, os seres humanos, temos consciência, sentimos o peso das responsabilidades e estamos capacitados para as ações necessárias para completar a nossa e toda a criação já iniciada ou ainda a ser criada ou recriada.

Todos os demais seres, no reino mineral, vegetal e animal já produziram o melhor das suas realizações. 

          Somente nós que adquirimos pela evolução, as capacidades de pensamento reflexivo e criativo, estamos em processo de evolução e aperfeiçoamento permanente.

Uma só coisa nos é necessária: não pararmos o processo da evolução. 

Não regredirmos. 
Não estacionarmos. 
Evitar a estagnação. 
Evitar a cristalização. 
Evitar o contentamento. 

        A acomodação leva à indiferença.
A indiferença é uma das origens da estagnação.
A estagnação leva à extinção. 

         Mais uma vez queremos insistir no princípio básico da evolução: evoluir exige permanente disposição para mudanças. 

         A placa com a advertência escrita com tinta amarela adverte: cuidado com a acomodação.

          Quando lemos a história da nossa evolução através de milhões de anos, percebemos que quando a vida encontrou ambiente hostil à sobrevivência foi quando ocorreram as superações. 

         Quando houve a acomodação, várias espécies, ramos e gêneros sucumbiram à extinção.

Esforço, portanto, é a senha para abrir qualquer arquivo de crescimento.

Não convém estacionarmos ainda.  

           Estejamos alerta para não cedermos à tentação de cantar o hino da vitória antes de atingirmos a plena realização das nossas potencialidades.

Todo o processo da evolução caminha para a unidade. 
          Da diversidade para a unidade. 
          Da dispersão para a unificação. 

          A força, a energia acontece quando centramos nossos objetivos na busca da unidade, na busca da consciência que produz mais inteligência, da inteligência carregada do espírito que unifica. 

      Nas trilhas da biologia e da antropologia, foi buscando a unidade como princípio básico que oportunizou as conquistas dos degraus superiores em direção à perfeição. 

      Cabe aqui um alerta: toda vez que os documentos da Igreja Católica falam em ‘conversão’, necessidade de ‘conversão’, leia ou entenda ‘evolução’.

          A pessoa humana consciente, madura, inteligente, adquiriu o conhecimento da herança que nos cabe, a nós, irmãos do gênero humano. Porém, dentro do pacote da herança vem junto igual quantidade de responsabilidade.

Estas capacidades são as responsáveis por todo o processo da evolução. 

         Dentro da evolução processa-se a gravidez que gera o futuro.
Na conquista da personalidade ideal há um longo caminho. 

         Andando, começamos a perceber que o caminhar não é uma tarefa fácil. 

         Caminhar, evoluindo, assemelha-se mais a uma escalada. 

         O andar na planície é tranquilo. 

         Não exige nenhum equipamento ou ferramenta extra, além do normal e do comum a todas as pessoas. 

         Porém, na conquista de valores, na busca por ares mais puros, por visões mais amplas, surge necessidade de mochilas com ferramentas apropriadas.

Uma reflexão se impõe aos nossos pensamentos, exigindo aprofundamento. Existe muita literatura sobre este assunto. Talvez esteja faltando mais uma complementação para uma maior compreensão que encaminhe para uma tomada de decisão.

Vamos começar pelo ponto de vista da religião do cristianismo. Quando surgiu no Evangelho o personagem João Batista, seu tema de discurso inicial foi sobre a necessidade da conversão. Conversão é sinônimo de mudança.

          Sabemos por experiência própria que devemos procurar mudanças em nossa maneira de ver, olhar, falar e principalmente comportar-se. É o constante desafio para buscar o aperfeiçoamento até o último degrau que as capacidades permitem. 

 As mudanças são necessárias para que cada um vá conquistando valores de aperfeiçoamento. Sentimos que temos tendências para a perfeição. Por outro lado, experimentamos uma danada resistência em processar as mudanças em nossas vidas. Só as mudanças nos promovem para estágios mais elevados.

          Então vamos refletir sobre as dificuldades que temos para a conquista deste aperfeiçoamento.

Existe uma tendência em nós, extremamente sutil, que quer nos manter acomodados.


Para crescermos, temos que empenhar forças, empenhar pesquisas, empenhar sacrifícios. 


Não crescemos gratuitamente, como fruto de mágica. 


Sem esforço não se consegue nada de valor. 


Tudo o que é valor, portanto, exige o pagamento de um preço.

          Pelo que sentimos na experiência, a primeira etapa para que uma mudança seja realizada começa na esfera mental. 

           Precisamos nos convencer desta necessidade. 

      E para que nos convençamos a nós próprios, há a necessidade de buscar os argumentos que convençam nossa personalidade a buscar tal valor.
           Uma vez aceitos os argumentos, entra em ação a esfera das emoções e sentimentos.
           A regra é agregar valor, convencer as outras potencialidades da personalidade a unir forças na busca de tal objetivo.

         Na esfera das emoções e sentimentos, a força de vontade deve ser convocada. 

       Esta capacidade é decisiva. Com a união destas duas forças, os objetivos e metas serão traçados e, em unidade, a conquista está decretada.
Mudar é um bem. 

Mudar a direção para a conquista de um bem é fruto de decisão. 

Decisão sugere pensar, pesquisar, escolher. 

Decisão acontece numa área de maior profundidade da nossa personalidade. 

Na superfície sofrem-se as consequências das ondas, das agitações, da poeria, da mesmice e enterramento das potencialidades.  

          Mas quanta dificuldade neste processo! 


         Parece que é preciso convocar outra personagem para esta conquista: a perseverança. 


              Sem ela, o entusiasmo inicial sentirá logo o cansaço. O cavalo do entusiasmo deverá ser promovido para camelo. O camelo anda mais lento, porém vai mais longe. O cavalo é bonito e esbelto. O camelo é feio e desengonçado. Mas vai mais longe.

          Mas por que colocar o cavalo e o camelo neste contexto? Para mudar, parece-me, há que se abrir mão da beleza e do orgulho. Há que se aliar com a humildade e a paciência. Quanta diferença há na estética do cavalo e no eficiente camelo.

          Pergunto se este ponto de vista pode ou deve fazer parte deste texto sobre a necessidade de mudança? Parece-me que sim.


            Veja como é difícil mudar para melhor. 


             Perceba como é fácil permanecer no comodismo. 


              Os valores que levam à convicção exercem a função de gasolina aditivada.

 

          Outra experiência que fazemos é esta: quando conseguimos conquistar um degrau a mais de aperfeiçoamento em nossa personalidade, por esforços, lutas e sacrifícios, nos sentimos recompensados pela alegria. 


          E a alegria é um resultado bom. 


         Por outro lado, quando desistimos da luta, quando desistimos de perseverar na busca de algo que pode levar a um grau maior de aperfeiçoamento, experimentamos a tristeza, a decepção, e um sentimento de derrota. 


      Este sentimento ruim interfere depois em outros setores vitais. 


     E vai contaminando e reduzindo nossas forças. 


     É bem difícil mesmo esta escalada. 


    Quando conquistamos um degrau de aperfeiçoamento, há outro a conquistar. E nunca paramos.

A mudança então deve ser uma constante. 


        Deve tornar-se filosofia de vida. 


      Para chegar lá serão necessários alguns anos.  Mas, não importa. O que importa é o ideal, é a estrela lá em cima, a nos guiar servindo de quadro de referência permanente.

          Nesta caminhada, há a necessidade desta decisão pela mudança. 


        Você perceberá que será muito difícil aceitar, de cara, a leitura de um livro no qual  estão relacionados temas teológicos, filosóficos e científicos. 


       Gostaria que você percebesse que não há como estar no universo, um mundo composto de matéria e espírito, e falar de ciência, sem falar de filosofia e religião. 


            Somos frutos do passado. O passado deixou marcas profundas em nós. 


            Não somos partes. Somos experiência de unidade.

  Hoje procuramos um valor unificante e libertador.

          Os textos do Heipo's World procuram trazer o Deus Pai, criador e todo poderoso, e seus atributos para o mundo.


      Quer trazer o Espírito Santo para a vida. 


      O espírito atrasador e confundidor é o elemento que necessita ser substituição por outro, convertido, mudado para o espírito que, encarnado em nós, produzirá os frutos da libertação do dividido, revelando os herdeiros da nova terra que será promovida para reino dos céus. 

Nesta altura da leitura percebemos que é necessário provocar mudanças. 

Qualquer empresa profissional é formada por pessoas. As pessoas pensam, sentem, agem e trabalham motivadas por ideais e aspirações. Impõem-se metas a atingir. Planejam-se estratégias para os objetivos desejados. E quando agimos, provocamos as mudanças.

A pessoa humana é quem promove ou executa a mudança. A pessoa humana é quem bloqueia ou não executa mudanças.

A pessoa humana efetua a primeira mudança na sua maneira de pensar. Portanto, a primeira mudança a ser feita é no campo do pensamento.

Os ideais são alcançados quando se deixa uma maneira de pensar defensiva, pessimista ou derrotista, e se escolhe uma maneira de pensar positiva, inovadora, criativa, aberta, carregada de boas expectativas, geradora de novas formas de fazer coisas velhas.

Considere-se uma pessoa que resiste às mudanças, porque é natural no ser humano a resistência a qualquer tipo de mudança.

As pessoas, em geral, não gostam de mudanças. O motivo escondido é que a mudança provoca a desacomodação. A mudança provoca a desestabilização em nossa posição conquistada, ou em nosso modo de viver.  

Para percebermos um pouco como funciona o processo da mudança, comecemos analisando o nosso ponto de vista sobre as mudanças que ocorreram no nosso ambiente de trabalho neste ano que passou. 


Depois, analise as mudanças que ocorreram na sociedade, na cidade, no bairro ou mesmo no país em que vivemos. 


Finalmente, analisemos quais mudanças ocorreram no mundo neste ano em que estamos e qual é a opinião ou conceito que fazemos sobre estas mudanças. Percebamos que muitas mudanças acontecem, com ou sem nosso próprio consentimento e com ou sem nosso conhecimento.

A mudança é uma realidade que se impõe. 


Estamos mudando desde o ano em que nascemos. 


Estamos mudando desde o dia em que entramos numa escola. 


A mudança é uma constante. 


Continuamos mudando e nos adaptando às novas situações e condições.

Muda-se o tempo em quatro estações. Muda-se o tempo para seco ou chuvoso, frio ou calor, quase a todo o momento. Muda da noite para o dia. Muda de manhã para tarde. Mudam os minutos e as horas. 


Isto tudo é muito natural. Acontece. 


Mas, conosco é diferente. Nós não mudamos muito facilmente.  


Embirramos e escolhemos permanecer mudos. 


Opomos resistências às mudanças.

Nós, cada um de nós, não mudamos quase nada ou quase nunca. 


Só mudamos quando decidimos mudar. 


Aqui está a chave que abre as portas das mudanças. Na nossa vida, mudança só vai ocorrer quando cada um, na sua essência, na sua personalidade, se convence de que tal ação deve ocorrer. 


Cada um de nós é o diretor da própria empresa, digo, da própria personalidade, ou melhor, da própria vida. 


Queremos conquistar ideais. 


Planejamos metas em busca do êxito da nossa própria empresa. 


Não somos dirigidos e explorados pelos concorrentes. 


Ou mudamos, ou os outros nos mudam. 


Ou nos dirigimos, ou seremos dirigidos pelos outros.

Insistimos que é importante a compreensão do processo da evolução. 


É importante porque desmonta toda a cultura na qual vivemos que sugere a acomodação. 


Perceba em você mesmo como somos teimosos e quanta resistência nós opomos ao processo da evolução.

          Não gostamos do sofrimento. 


          Gostaríamos que todos os bens que desejamos e os ideais que buscamos chegassem a nossas mãos sem nenhum esforço. 


         Mas não é assim que acontece. 


       O esforço é a senha para abrir qualquer arquivo que exija aperfeiçoamento. 


      Para a compra ou conquista de qualquer bem há que se empenharem esforços. Porém, sempre encontramos dificuldades e resistências no caminho.

          No caminho da conquista de qualquer virtude ou no projeto de aperfeiçoar qualquer qualidade que precisamos, há que se travarem combates dentro de nós mesmos. 


           Até parece que dentro de nós há um rinque, uma arena, em que dois reinos estão em constante duelo.

          Conviver conosco mesmos exige atenção e educação da força de vontade. 


        Esta força de vontade é uma energia que temos, às vezes conhecida e domesticada que trabalha para o bem, e, outras vezes, é rebelde, desobediente e causadora de conflitos.  


       A força de vontade é como um cavalo xucro, indomável que precisa ser domado e permitir montaria.  


         Desistir ou investir na força de vontade é uma decisão que se tornará causa de constantes fracassos ou agradáveis vitórias.

Danada resistência esta que opomos

quando nos comportamos egoisticamente,

não atendendo às expectativas com relação às nossas forças.

Filhos e herdeiros dos céus que somos,

teimamos em viver como órfãos,

esbanjando energias,

teimando em viver como irracionais,

sem destino e sem dono.

Não sabemos por que resistimos

a esta verdadeira dimensão.

Dentro da nossa dimensão humana,

há uma dimensão divina insatisfeita.

Escolhemos atalhos e nos perdemos.

Vivemos escolhendo os valores horizontais da vida,

vivendo como os animais, na base dos instintos.

Pastamos ao invés de nos alimentarmos do maná.

Teimamos em ser o filho que se recusa a escutar

e executar as orientações do pai.

Resistimos e como resistimos em decidir pela hora da reviravolta.

Pobres somos,

e mais nos empobrecemos

opondo resistências.

Que mistério é este

que nos aliena da raiz da própria vida

e esconde a verdade sobre nós mesmos?

Por que teimamos em nos afastar da fonte de todo bem,

como herdeiros insensatos,

desprezando todos os tesouros herdados?

Cegos somos

querendo impor-nos

um estilo de videntes,

profetas autônomos,

com olhos imperfeitos.

Ambições pequenas iludem-nos,

mantendo-nos terráqueos,

simples humanos, com dois pés,

teimando em impor-nos como poderosos e independentes.

Mesmo conhecendo nossas fragilidades,

ainda assim continuamos teimando.

Somos um time de teimosos.

Onde vemos as linhas do infinito?

Se invisíveis, que tipo de olhos verão estas linhas?

Em alguma parte da Bíblia, dos Evangelhos e das Cartas ou Epístolas existem algumas frases endereçadas a nós, e bem claras. Se tivéssemos o hábito de procurar a verdade lá onde ela se encontra, encontraríamos as cartas e as frases que nosso Pai escreveu diretamente para cada um nós.

Recobra o teu fervor

e a tua originalidade

e venha mudar a tua postura e comportamento.

Recupere teu entusiasmo original e vá buscar o que te sacia.

Até quando continuaremos resistindo.

Até quando nos iludiremos a nós mesmos,

fingindo que estamos bem,

que não há nada de errado

neste viver sem sabor e sem risos,

sem entusiasmo e esperanças,

testa franzida e sem brilho no olhar?

Chega de opressão.

Chega de máscaras e fingimentos.

Chega de viver a vida de atores contratados

para interpretar papéis despersonalizantes

e vazios de sentido e finalidade.

Chega de tortura e sofrimento.

Estaremos para sempre

Adaptando-nos e aceitando as depressões

e pessimismos, as injustiças,

a falta de rumo,

como ingredientes naturais da nossa vida?

Não aguentamos mais ver tanta gente sofrer.

Chega de sacrifícios e altos pagamentos

para aprender profissões temporárias,

que constroem coisas

que nos afastam da simplicidade

e da sabedoria da vida.

Quanta competição entre as empresas dos meus amigos,

e entre meus próprios amigos.

Cadê meus amigos,

afogados em concorrência e competições,

colecionando doenças do coração,

enfartes e depressões,

procurando antecipar a morte,

estressados e sem sabor no viver?

Não recebemos mais suas visitas.

E eles não têm tempo mais para serem visitados.

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

Lembra-te da última vez que você parou e ficou a olhar o formato das nuvens nos céus? Ou então, quando foi a última vez que você parou para admirar o pôr do sol?

E quando chega a noite,

percebes que o sol foi embora, dormir?

Será que a noite tem alguma finalidade extra?

As estrelas, à noite, cantam mensagens de um universo infinito.

Há uma resistência a ser domada.

  Há uma conquista a ser planejada.

  Há uma ansiedade a ser satisfeita.

Cadê o tempo livre? 


Não sabemos mais ocupar o tempo livre com os assuntos mais sérios da vida. 


A vida está ficando cada vez mais banalizada, esvaziada dos fundamentos da sua sacralidade. 


Os noticiários falam todos os dias de milhares de pessoas que morrem em consequência de doenças, assaltos, guerras, atentados, acidentes, tragédias, calamidades, sequestros.  


Os filmes mais procurados são aqueles em que há sangue e morte por todo lado. 


A morte e o extermínio de vidas anunciadas pelos meios de comunicação, todos os dias e em todos os telejornais, anestesiou nosso senso crítico. 


Esta banalização esvazia de sentido e torna natural o que não é normal. 


Estamos perdendo o senso da realidade. 


Nossa própria consciência já demonstra estar prejudicada, esgotada, enfraquecida e talvez contaminada pelo relativismo da cultura atual.

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

Estamos todos condenados a viver sem satisfação,

sem curtir o que de mais precioso temos, que é a vida?

Será este estilo de vida que queremos,

ou será que desaprendemos a viver.

Ou fomos despersonalizados,

ou pior, já estamos demasiadamente mecanizados,

desviados do lugar sagrado?

Se vivermos em função da televisão, isto é, se ocupamos o nosso tempo livre diante da televisão, não estamos somente despersonalizados, mas também escravos.

Onde se encontra o teu próprio eu?

Quem é você? Qual a finalidade da sua vida?

Diga-me e entenderei.

Ou estamos demais animalizados

ou demais humanizados

e quase nada aperfeiçoados?

De qualquer forma, aparece na tela da vida,

muitos de nós humanos,

estamos vivendo no prejuízo,

e o que é pior, estamos acostumados.

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

Queremos pessoas

que exerçam a responsabilidade

de despertadores,

de marinheiros experimentados,

de embaixadores realizados,

de porta-vozes autorizados.

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

Acordem-nos.

Coloquem-nos na frente dos espelhos.

Incentivem-nos a olhar

como ficamos por fora.

O que está acontecendo lá dentro?

Que tipo de anestésicos nos atinge

sem que sintamos os efeitos.

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

Deixe chegar perto de mim

aquele que me traz boas notícias.

Que ele nos mostre as chaves

que abrirão os cadeados

e tirarão dos nossos braços e pernas,

as correntes que nos aprisionam.

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

Ainda nos resta intacta,

uma pequena parcela da personalidade.

Queremos voltar a ser o que somos:

um projeto de vida eterna.

Há uma resistência a ser domada.

Há uma conquista a ser planejada.

Há uma ansiedade a ser satisfeita.

E percebemos como este caminho é penoso. 


         Uma das nossas características humanas é a procura com certo grau de ansiedade por expectativas boas. 

         Estamos sempre esperando que algo de bom nos aconteça ou estamos sempre em atitude de quem está procurando algo.

Vivemos quase sempre com uma ansiedade indefinida.

Estamos sempre curiosos e atentos à novidade. 


         Torcemos para que algo de bom possa acontecer a qualquer momento. 

         Este instinto nos move em busca de melhores condições de vida.  

         Somos seres em constante busca de mais conhecimento, mais posses, mais ações.

Estamos, portanto, sempre abertos para algo mais. 

          Estamos sempre procurando.

Os gênios, os grandes personagens,
as pessoas vencedoras, ensinaram a teima do reinicio
e da persistência, da busca e da procura de elementos
que nos aperfeiçoam.

Em certos momentos, 
estamos saciados e contentes. 


         Em outros momentos nos sentimos 
incompletos e insatisfeitos.

Estas características nos distinguem 
e nos elevam para um patamar superior. 

          Estes elementos e esta característica provam duas verdades: primeira é que somos incompletos; segunda, somos capazes de aperfeiçoamento contínuo. 

         Mas estas duas verdades demonstram outras duas verdades: primeira: sentimos tendências para a estagnação; segunda: a aquisição de aperfeiçoamentos ilimitados supõe e exige esforços contínuos.

Estacionar, desistir ou parar
é escolher o comodismo
e deixar-se derrotar pela rotina.

Continuar
é colocar em movimento
nossas tendências de aperfeiçoamento.

Haveremos de desistir,
acenar o lenço branco,
baixar nossa bandeira,
render-nos e entregar-nos
sem nenhuma resistência?

Seremos capazes de parar?

Não. Não é hora de desistir.

Já experimentamos o sabor.

Já antevimos o que nos está reservado.

Estamos decididos: queremos nos manter nesta procura,
com firme fidelidade.

Mas como é difícil participar do campeonato da vida.

Como manter ativas as forças da juventude,
já com idade mais avançada?

O vento sopra forte contra nossa embarcação.

Não reconhece nem respeita a madeira da qual fomos feitos.

Nossos braços já estão cansados de remar contra a correnteza.

Até quando conseguiremos continuar nesta luta?

Renovar, lustrar a velha madeira.

Dar brilho, colocar cera, tomar sol e vento fresco.

Cada dia, novo dia,
um humano novo ou renovado,
é o projeto em andamento.

Na pureza e retidão
não temos outra ação a fazer
a não ser seguir o ritual da busca do ideal celestial.

Em coerência com esta postura nos ajoelhamos e rezamos:
      Ó força ressuscitadora, espírito vivo e atuante
      não permitas que a fraqueza desajuste
      a unidade conquistada.

Que percamos o medo de causar escândalos,
e que os causemos,
se forem necessários e triunfantes
para os demais caminhantes.

Dai-nos a força da coragem e da ousadia.

Só seremos novos e necessários profetas,
sinais e missionários se nos forçares,
docemente e nos arrastares com vossa mansidão.

Vemos como sofre este teu povo,
todos os dias esperando de nós,
uma manifestação,
uma resposta fraterna,
atitudes de sensibilidade e solidariedade.

Sentimo-nos impotentes,
fracos, impuros e mudos.

Conhecemos nossas resistências
e a matéria das nossas pernas.

Vemo-nos inseridos dentro de uma classe
já sem forças,
e sentimo-nos também como teus filhos,
fracos, com sede, com fome e com saudades.

Estamos nos sentindo longe de vós,
nosso Pai e da nossa casa!

Que frio, que mal-estar está reinando neste mundo.

Descuidamos dos nossos próprios irmãos.

E nos condenamos a passar frio neste inverno.

Este sentimento da vossa ausência
endurece nossos músculos, atrofia nossa sensibilidade,
apaga as luzes e o brilho nos nossos olhos,
fecha todos os caminhos,
desmonta todos os andaimes das nossas construções.

      Onde estão aqueles,
      que devemos ser, como o farol, 
      o sinal, o fogo a esquentar a noite da fé.

Trata-se da minha vida, da sua vida, enfim, da vida de cada um de nós. Trata-se da vida do Heipo, querendo viver a vida que o Pai do céu idealizou para nós, seus filhos e herdeiros.

Caminho penoso esse, da procura.

Exige esforços.

Mas não nos entregamos.

Decidimos nos colocar a caminho

e nos perguntamos sobre a fonte das resistências.

Estamos todos acostumados com nossos atos. Sentimos alegria quando fazemos um ato bom. Sentimos tristeza e decepção quando fazemos um ato que a nosso julgar e aos olhos dos outros, foi egoísta ou individualista.

Há um critério universalmente aceito que avalia atitudes egoístas e atitudes altruístas. Um sofre críticas. O outro recebe aplausos.

A experiência que fazemos com estas duas situações revelam uma verdade que não gostamos de admitir. Nem sempre nos comportamos idealmente, merecedores de aplausos e recomendações.

Sabemos dessa tendência natural do rei ego, montado no cavalo xucro da nossa personalidade, não domada pelos princípios da sabedoria.

E é difícil este domínio.

Demora muito tempo para o egoísmo descer da montaria do cavalo que resiste à disciplina das leis e das faculdades superiores.  

Seria necessário, desde pequenos, aprendermos a profissão de domadores e nos impormos com firmeza e autoridade, coerência de quem sabe quem é que comanda as decisões definitivas da vida nesta minha própria casa.

Somos responsáveis por todos os nossos pensamentos e atos. É nossa a responsabilidade de avaliar antes as consequências do agir. É mais natural esta ação, já que somos inteligentes e podemos antecipar, mentalmente, tais consequências.

Somos seres racionais. Por isso, sabemos da importância de adquirir conhecimentos. Mas não basta saber que o erro existe, ou que as omissões prejudicam, ou que as injustiças empobrecem.

Junto com a racionalidade há que se agregar uma relação de valores. Nestes valores estão incorporados os elementos da moral e da ética.

Saber o que é certo tem que casar com o que é bom e útil.

Nem sempre o inteligente une à sua inteligência os elementos da justiça.

Nem sempre a inteligência e a justiça dão as mãos ao perdão.

As consequências do nosso agir atingirão a perfeição quando forem frutos da unificação dos valores da racionalidade, da moral e da religião. 

Você já deve ter percebido que a outra lei fundamental que guia as páginas destes textos é a lei da unidade. 
É o sonho do Heipo. Convém pesquisar e adotar para o caminhar nesta terra, tudo o que se refere aos parceiros da unidade.

Nós não somos indiferentes, nem robôs, nem inconsequentes, mas convém perguntar: será que a humanidade não está promovendo a sua própria falência? 

          Na literatura empresarial, no campo dos empreendedores, existe um princípio que diz assim: se você não está evoluindo, está se enterrando, ou caminhando para a falência. Exagerando, podemos arriscar afirmando que está provocando a própria extinção da espécie.

Pelo uso do potencial de conhecimento, temos muitas dúvidas sobre o destino além da vida na terra.

Viemos de muito longe, evoluindo desde os primeiros elementos da água e da terra, passando pelos minerais, vegetais, e animais, e finalmente alcançando o patamar humano.

Não querendo forçar um degrau a mais na escala da evolução, porém, considerando a definição clássica de pessoa humana, acho que ainda cabe mais um degrau na escala evolutiva: do homem e da mulher, evoluir para pessoa humana.

Se considerarmos a definição de homem e mulher e compararmos com a definição de pessoa, há de fato mais um degrau evolutivo.  

Definimos o homem como animal racional, capaz de aperfeiçoar seus instintos e capacidades, transformando-os, aperfeiçoando-se dentro da linha evolutiva.

 Se avaliarmos a história passada, desde a pré-história, tomamos conhecimento que alguns ramos ou espécies de hominídeos extinguiram-se, em decorrência da não aquisição de alguns elementos necessários para a superação de alguns obstáculos.

Acomodaram-se, endureceram-se, petrificaram-se ou cristalizaram-se numa determinada cultura de acomodação e desistência.

A visão cristã da pessoa humana é o ser humano racional e livre, definido por sua dimensão de sujeito moral e espiritual, plenamente consciente do bem e do mal, livre e responsável, consciente das suas capacidades espirituais e comprometido com os valores da fraternidade.

Insistimos que a pessoa humana é o homem ou a mulher que evoluiu. 

Evoluiu porque se sabe dotado de consciência moral, permitindo-lhes avaliar, discernir e escolher. 

Percebe-se possuidor de espírito criador e transformador. 

Sua consciência lhe mostra que possui a capacidade de superação dos instintos, por meio do esforço, do aprendizado, pela reflexão sobre o bem e o mal, também pela escolha e definição de objetivos e metas. 

Como pessoa humana ativa está equipada com a capacidade de agregar-se, juntar-se em comunidades e fraternidades, estudando o passado, aperfeiçoando o presente, construindo o futuro. 

Se o indivíduo não se compromete com a comunidade, ainda está sendo egoísta, pensando em si mesmo, num nível de pura sobrevivência.

Olhando a história da humanidade, das pessoas equipadas com as capacidades originárias da nossa inteligência, alguns ramos dos hominídeos, nossos ancestrais, estagnaram no processo da evolução e se extinguiram. 

Buscaram a segurança pessoal e não se expuseram, não se agregaram. 

Fecharam-se e extinguiram-se.

Não há espaço aqui para analisarmos as causas da extinção, que podem internas ou externas, como a violência, a mudança de ambiente ou falta de condições de sobrevivência, ou catástrofes. 

Os antropólogos e historiadores apresentam como causa de extinção de espécies, uma condição interna: a perda das razões inspiradoras, necessárias para as superações dos obstáculos que aparecem constantemente na vida de qualquer animal ou ser humano. 

Imaginemos as dificuldades de adaptação dos seres marítimos, que para crescer e evoluir precisaram sair da água, para a terra firme. Aceitamos a tese científica de que a vida começou nas águas do mar.

Para evoluir foi necessário sair da água. Houve a necessidade de uma modificação orgânica, a lenta evolução de brânquias ou guelras para pulmões.

Imaginem quantos não conseguiram esta adaptação. Quantos desistiram.

A necessidade de superação desta forma de ser molhada, úmida e  confortável, exigia radical ruptura com a já conquistada maneira de viver. 

Para uma nova forma de ser, mais seca, mais árida, porém necessária como condição e capacidade de evolução, essa necessidade de superação iria provocar uma tremenda crise.

Esta nova proposta para a lei da evolução poderia ser recusada. 

        Haveria um estacionamento no conforto. 
Mas, a nova possibilidade estava ali, na frente. 
É ficar ou arriscar-se. 

Permanecer no atual modo de ser e viver é uma realidade observável. Muitos ficam por aqui mesmo. 

Aceitar o convite, aceitar o desafio, aceitar a proposta para algo mais, exige muito, muito mais.
Para esta nova etapa, a superação exige a incorporação de novas propriedades ou capacidades físicas ou psíquicas. 
A condição é de êxodo. 

Sair, sair de si. Sair do mundinho pequeno 
no qual nos acostumamos.

Parar ou estagnar é o ponto de partida para a extinção.

Sobreviver, sem buscar modificações, mudanças, caminhos alternativos, é aceitar o princípio do destino que aponta para a morte, para a extinção.

Falamos em extinção da espécie. Subentende-se também a falência da individualidade, da personalidade. 

Felizmente, não somos uma humanidade destinada à falência. 

Mas existe este risco. O alerta foi editado.

Nossa humanidade é composta de homens e mulheres evoluídas para pessoas. 

Esta seria a lógica normal, natural. 

Mas o nosso potencial afetivo e racional é incompleto e ainda não nos satisfaz plenamente. 

Na condição de seres racionais, tentamos nos apegar a esta ‘última chance’.

Não queremos aceitar a morte, como última palavra ou última morada, ditando a última lei, inferiorizando-nos, mantendo-nos terráqueos definitivamente. 

Tentaremos ainda mais uma chance. 

Na história da evolução nos promovemos para pessoas. Estamos capacitados com possibilidades maiores do que nós mesmos já experimentamos. Existem forças escondidas e ainda não despertadas nos seres humanos.

Se o homem e a mulher, e se mesmo as pessoas mais desenvolvidas conseguissem com suas faculdades mentais definir ou decifrar todos os mistérios, acabariam com o encanto e num canto definhariam.

Se o homem e a mulher conseguissem chegar, pelas suas próprias forças, com suas próprias capacidades intelectivas, e saber, e entender tudo, plenamente, cada um dos objetos, seres vivos, elementos físicos, químicos, biológicos, materiais e espirituais, atingindo a plenitude do conhecimento, já estariam além daqui, pois aqui ainda não há como. Aqui ainda é o campo do imperfeito, do incompleto.

Se tudo isso acontecesse, se não existisse mais nada que o homem e a mulher não conhecessem e os mistérios tivessem sido todos decifrados, nada mais restaria para o homem e para sua companheira. 

O homem e a mulher teriam atingido a estatura perfeita do Jesus Cristo. 

A razão teria esgotado o objeto. 

Os sujeitos, os substantivos teriam sido definidos, dissecados e esvaziados os seus encantos e surpresas.

Se a mulher e o homem fossem só racionais, sua racionalidade tudo dominaria com perfeição. 

Mas ainda é bom que a imperfeição funcione como motor de partida e que a perfeição exerça seu poder de atração.

O homem e a mulher são seres racionais, mas ultrapassam a racionalidade; são também místicos e religiosos. Aqui, sim, as portas se abrem para algo mais.

O nosso Pai, Criador, sábio, bondoso e amoroso, na sua sabedoria deixou aberta uma porta ou uma janela, ou um portal no final do corredor da nossa racionalidade.

Mesmo com toda sabedoria, e com toda inteligência humana possível, não conseguimos chegar a uma parede diante da qual possamos dizer: chegamos ao limite. 

E é porque nunca chegamos nesta parede, que existem portas que se abrem onde achamos que não há mais nada dali para frente.

A porta da fé abre um corredor que leva até a sala da esperança. 

Na sala da esperança há outra porta que dá para uma cozinha que alimenta a alma da pessoa humana, revelando-lhes o potencial da divindade.

Muitas das ideias sobre evolução citadas neste texto foram extraídas do cientista e sacerdote jesuíta Pierre Teilhard de Chardin. 

Ao finalizar este texto, sugiro a leitura do livro Evolução e Antropologia no espaço e no tempo, síntese da cosmovisão de Teilhard de Chardim, do escritor J L Poersch. E mais o livro da teóloga Ursula King: Cristo em todas as coisas, a espiritualidade na visão de Teilhard de Chardin, Paulinas, 2002, que completa e mostra a profundidade da visão deste cientista sacerdote francês. 

Eneas Paulo Budel Bogucheski       
eneaspb@gmail.com   41 98854 5166
Criado em 17/06/2014.

Atualizado em 29/01/2016
Atualizado em 12/04/2026.


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