domingo, 26 de janeiro de 2014

26.- Tempo. Estão roubando meu tempo.



Nesta noite

sonhei que estava sendo assaltado.

 

E aí acordei, suado, gritando:

“Por favor, acudam-me,

estão levando todo meu tempo”.

 

Um sentimento de esvaziamento,        

como se estivessem sugando minha fortuna,

disponibilidades recebidas

e acumuladas ao longo dos anos.

 

Meio acordado e meio dormindo
assistia-me sendo roubado.

 
O barulho vinha, 
batia e me atordoava.

 
A correnteza vinha 
e me derrubava.


A fúria da tempestade
na forma de avalanche,
uivando sons confusos e anestesiantes,
me assaltavam.

 
Tentava fincar o pé no chão,
querendo permanecer
na posição vertical e alerta,
mas vinha de novo o vento
tentando me derrubar.


Faltava-me no que segurar-me
porque todos os suportes,
tudo o que havia de seguro,
já estava caído,
rolando na correnteza,
deitado, como sem vida,
entregues na posição
e condição de desistência.



Deitado, rolava,
rodovida abaixo.


Quanto mais rolava,
na horizontal, sem forças,
menos resistências sobrava.


Esvaziava ideias e ideais.

Despersonalizava meu ser.

 
Ficava sem norte e sem sul,
sem bússola e sem GPS.


Saia de mim o que era meu.


Não estavam levando 
só meu tempo:
eu estava indo 
junto com ele.


Eu não mais me pertencia.
Eu estava sendo roubado 
de mim mesmo.

 
E resistia, mas permitia.
Esperneava e me entregava.
Não queria, mas cedia.



De vez em quando
um ídolo, um artista, 
um poeta, um profeta,
ainda de pé, resistindo
tentava me segurar
colocando-me de novo em pé,
insistindo, ‘finca teu pé 
na profundidade do chão
e levante as mãos para o céu”.


Nestes momentos
levantava as mãos
e esticava meus braços,
tentando segurar
em apoios invisíveis.


É inacreditável, mas é a verdade:
assim provam as experiências
e os testemunhos
de quem sobreviveu
e não sucumbiu.


A história
conta o número 
de mártires e santos,
que investiram tempo
na conquista da eternidade. 

 
A história testemunha
que as promessas se cumprem.

 
Quem no alto se apoia,
mesmo que caia,
não se entrega.



A fé e a esperança
alimentam
quem quer eternizar-se.


Nestes momentos
em que conseguia permanecer em pé,
recuperava as forças,
o ar entrava pelos pulmões,
a consciência recobrava.


Em alerta 
de novo me posicionava.

 
De novo, me via
gritando socorro:
Estão levando meu tempo.

 
Os ladrões
são inofensivos e atraentes.


Estes bons e inofensivos
instrumentos de 'progresso'
semeiam propagandas de entretenimentos,
e roubam a parte do tempo
que me foi dado
para investir 
na eternidade.


Então é de pé 
que devo permanecer.

 
Então tenho que recuperar
e conservar o tempo.


A correnteza e as ventanias
da vida horizontal
não querem deixar-me
cultivar este bem,
este valor do espírito, 
no tempo.

 
Estão roubando o tempo que tenho
para construir minha eternidade.


Se deitar rolo
e entro no rolo
e me acomodo,
e desisto.


Só resta-me uma esperança:
permanecer de pé,
manter-me ocupado com o tempo
que me sobra, para construir o futuro,
na segurança da eternidade,
no porto seguro, valor absoluto.

 
Se me roubam
todo o tempo útil que tenho,
como vou investir
num bem permanente e eterno?


Preciso defender-me.
Quem fará isso por mim?


Quem me devolverá 
o tempo que perdi 
ou que me roubaram?


Sem tempo, 
como hei de conquistar 
a eternidade?


Posso ter uma segunda chance?


     Devolva meu tempo.

     Devolva-me, minha vida.

Finalizando, 
duas questões são colocadas na mesa:
1) Sou eu o dono do meu tempo?
2) O que faço com o tempo que tenho? 

 Se te interessa escolhas, posso te ajudar.
  Entre em contato comigo. 


Eneas Paulo Budel Bogucheski                         

Atualizado em 21/06/2016
Atualizado em 07/05/2026

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