Livre e alegre,
um mendigo andarilho
caminha,
como se estivesse
passeando na terra.
Sereno, sem ambições.
Dependente da ajuda
externa.
Não se angustia
pela falta do que não
tem.
Mas sabe de um segredo
que vale muito
e ninguém se importa
com isso,
nem mesmo ele,
possuidor de uma
herança infinita.
Assim somos nós,
imperfeitos ainda,
ignorando os bens e
heranças
que nos estão
destinados.
Pode não nos agradar a comparação,
mas somos sim,
como mendigos e
andarilhos.
Nascemos sem nada
e vamos adquirindo
e desenvolvendo capacidades.
Felizmente somos mendigos
e andarilhos em evolução.
Podemos permanecer dependentes
ou alcançar autonomia e maturidade.
No mendigo
está escondido um
herdeiro.
O herdeiro
está vestido como
mendigo.
Está bem disfarçado.
Quem diria?
Assim somos nós,
usamos máscaras
para não sermos reconhecidos.
Estamos escondendo
nossa verdadeira identidade.
Está tão escondida
que não a reconhecemos.
Ainda não conhecemos
nossa verdadeira identidade
e não acreditamos nela
e por isso
não lhe damos
a devida importância.
Às vezes temos medo de conhecer
a real e profunda verdade sobre nós mesmos.
A verdade esconde segredos.
Muita gente não quer saber a verdade.
A verdade pode ser comprometedora,
mas também pode ser libertadora.
A verdade pode não agradar.
Se a verdade não agrada,
dói e incomoda.
Se dói e incomoda
pode ser sintoma de
um mal não resolvido.
O problema da verdade
é algo que não está totalmente resolvido.
Mas se for verdade
que o mendigo é herdeiro
e
que, como herdeiro tem herança a receber,
que herança é essa?
A fortuna do Heipo mendigo
é avaliada em 14
bilhões.
Estamos nos referindo
aos 14 bilhões de anos
do universo,
tempo estimado pelos cientistas.
É um tempo valioso,
pois serviu para mostrar que a História contida nestes anos
revela a evolução do reino mineral para o vegetal,
do vegetal para o animal, do
animal para o humano
e do humano para o divino.
A evolução aconteceu
pela agregação de elementos diferentes
numa dinâmica de
movimento
chamado de complexificação,
dirigindo-se sempre
para um maior nível
de unidade.
A evolução do reino mineral
proporcionou o surgimento do mundo vegetal
e este,
evoluindo num processo dinâmico,
foi cada vez mais complexificando-se e
unificando-se,
criando condições para que um reino superior
em maior grau de unidade
surgisse.
Do reino animal evoluiu o ser humano.
O ser humano evolui pela ascensão da consciência.
Quem tem consciência esclarecida
e em processo de desenvolvimento,
evolui continuamente.
A consciência
cada vez mais esclarecida e convicta
levará o ser humano
a perceber-se e a experimentar-se
como filho ou filha do Deus Criador.
O elemento da complexificação
levará à descoberta e vivência
de tudo aquilo que
exige
maior grau de unidade.
A unidade é a senha
que abrirá o acesso aos seres humanos
para o mundo do espírito.
Somente o espírito
tem o poder
de chegar à perfeição.
O espírito é perfeito
porque é uno.
Tudo o que é uno é indiviso.
Não tem divisões.
Tudo o que é divisível é fraco
e com tendências a extinção.
A unidade
tem o poder de agregar elementos diferentes
e criar elementos novos,
mais perfeitos.
O espírito é uno.
A unidade é de substancia espiritual.
O espírito é a entidade mais perfeita que
existe.
A evolução está a caminho, fazendo
história.
É agora a era e a hora do espírito,
complexo, uno, imaterial, invisível,
carregado de forças capazes de eternizar
o ser humano em evolução.
Não dá para parar a evolução.
Caso a evolução pare,
haverá a extinção da
espécie humana.
Levando em conta a História e a Evolução,
vamos manter também a ideia
de que o valor da herança
que o mendigo vai receber
é de 14 bilhões,
bem reais, um tipo de bem
que a ferrugem não corrói
e os
ladrões não roubam.
A verdade esconde segredos.
A verdade esconde mistérios.
Mistérios são verdades
ainda não totalmente decifradas.
Existem pistas e mapas
dos lugares ou situações
onde estão escondidas.
Se olhamos para a periferia, para o contorno,
para a parte externa do mendigo
o veremos como uma pessoa comum,
igual a tantas
outras
que andam no planeta terra.
Se olharmos este mendigo na sua trajetória
histórica,
ligando-o ao seu caminhar desde o passado,
a verdade profunda e
última é esta:
cada um de nós, todos nós,
estamos carregando
uma carga de bens
e valores acumulados durante todo o tempo
decorrido até o
hoje no qual estamos.
Neste sentido, somos vasos de barros.
Como vasos de barros, somos depreciados.
Como andarilhos não somos valorizados.
O passado só tem sentido
se iluminar o
presente
e esclarecer as rotas a serem projetadas
em direção ao futuro.
Caminhando para frente
estamos transportando tesouros,
de tal
importância
que não fazemos ideia do valor.
Estes valores secretos, escondidos,
são tão grandes
que nos ultrapassam.
A notícia real e verdadeira
é que somos herdeiros de bens
que não somos capazes
de imaginar.
Não dar importância a estes valores
pode não
ser prudente nem sábio.
Sugiro ao leitor ler todo o Capítulo 8
da
Epístola do São Paulo aos Romanos.
Nas linhas abaixo procurei adaptar alguns
versículos:
“Todos os que são conduzidos pelo Deus
Eterno,
Inventor e Criador, Cientista e Governador,
e nosso Pai, são filhos
dele.
Com efeito, quando fomos criados,
não
recebemos um espírito
de escravos ou subordinados
aos poderes deste mundo,
sem
destino, perdidos ou órfãos,
mas recebemos um espírito de filhos adotivos,
pela
qual carregamos a possibilidade
de chama-lo de Pai.
O próprio Espírito Santo
se une ao
nosso espírito
para testemunhar que somos filhos
do Deus Criador dos céus e da
terra.
E se somos filhos, somos também
herdeiros;
herdeiros do Deus e herdeiros da pessoa do Jesus Cristo
que esteve
aqui há dois mil anos atrás,
mas deixou o seu Espírito Santo
que nos dá a força
e a autoridade
para nos sentirmos e nos comportarmos
como filhos, mesmo que
adotivos".
Se sofremos com Ele,
como andarilhos
na terra e no tempo,
com Ele seremos também glorificados.
Penso, com efeito,
que os sofrimentos
do tempo presente
não têm proporção com a glória
que deverá revelar-se em nós.
Pois a criação, em expectativa,
anseia
pela revelação dos filhos do Deus Pai.
De fato, a criação toda,
em todos os
seus reinos mineral,
vegetal, mineral, animal e humana
foi submetida à
fragilidade,
à vaidade e à ganância,
deixando-nos desequilibrados.
Toda a criação e todos nós
esperamos
um tipo de libertação
para entrar na liberdade da glória
de filhos do Deus todo
Poderoso.
Suspiramos pela redenção
de tudo o que
está ligado à nossa vida”.
e finalização deste mundo
aceitando e decidindo livremente
participar do projeto redentor
implantado pelo nosso irmão Jesus Cristo.
A importância dessa verdade é tamanha
que a vida de qualquer pessoa
pode estar
sob as condições
do fracasso ou sucesso existencial,
se continuar sendo só
mendigo
ou assumir logo a função
e a responsabilidades de herdeiro.
Toda fundamentação deste tema
e desta
verdade pode estar sintetizada
nesta passagem do Novo Testamento,
na Carta aos
Gálatas, do Apóstolo Paulo,
no capítulo quatro que trada da filiação divina:
“Enquanto o herdeiro é menor,
embora
dono de tudo,
em nada difere de um escravo.
Ele fica debaixo de tutores e
curadores
até a data estabelecida pelo pai.
Assim também nós, quando éramos
menores,
estávamos reduzidos à condição de escravos,
debaixo dos elementos do
mundo.
Quando, porém, chegou a plenitude do
tempo,
enviou Deus o seu filho, nascido de uma mulher,
nascido sob a lei, para
remir os que estavam sob a Lei,
a fim de que recebêssemos a adoção filial.
E porque sois filhos,
enviou Deus aos
nossos corações
o Espírito do seu Filho que clama Abba,
‘paisinho’.
De modo que já não és escravo, mas
filho.
E se és filho, és também herdeiro,
graças a Deus”.
Como andarilho e mendigo
releia de novo nas
linhas e nas entrelinhas
e creie convicções profundas
destas verdades que você já
conhecia
ou não conhecia e não dava
a devida importância.
Por favor, leve-se a sério.
Não viva tanto como mendigo.
Comece a gastar a sua herança.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166
Criado em 12/03/2014
Atualizado em 01/02/2016
Atualizado em 07/04/2026

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