domingo, 26 de janeiro de 2014

21.- Heipo. O Heipo é mendigo, andarilho e herdeiro de uma grande fortuna.




Livre e alegre,
um mendigo andarilho caminha,
como se estivesse passeando na terra.


Sereno, sem ambições.

Dependente da ajuda externa.

 
Não se angustia
pela falta do que não tem.

 
Mas sabe de um segredo
que vale muito
e ninguém se importa com isso,
nem mesmo ele,
possuidor de uma herança infinita.

 
Assim somos nós,
imperfeitos ainda,
ignorando os bens e heranças
que nos estão destinados.

Pode não nos agradar a comparação, 
mas somos sim, 
como mendigos e andarilhos. 

Nascemos sem nada
e vamos adquirindo 
e desenvolvendo capacidades. 

Felizmente somos mendigos 
e andarilhos em evolução. 

Podemos permanecer dependentes
ou alcançar autonomia e maturidade.


No mendigo
está escondido um herdeiro.

O herdeiro
está vestido como mendigo.

Está bem disfarçado.

Quem diria?

Assim somos nós,
usamos máscaras
para não sermos reconhecidos. 

Estamos escondendo
nossa verdadeira identidade. 

Está tão escondida
que não a reconhecemos. 


Ainda não conhecemos 
nossa verdadeira identidade 
e não acreditamos nela 
e por isso não lhe damos 
a devida importância. 


Às vezes temos medo de conhecer 
a real e profunda verdade sobre nós mesmos.


A verdade esconde segredos. 

Muita gente não quer saber a verdade. 

A verdade pode ser comprometedora, 
mas também pode ser libertadora. 


A verdade pode não agradar. 


Se a verdade não agrada,
dói e incomoda.

Se dói e incomoda
pode ser sintoma de
um mal não resolvido. 


O problema da verdade
é algo que não está totalmente resolvido.


Mas se for verdade 
que o mendigo é herdeiro 
e que, como herdeiro tem herança a receber, 
que herança é essa?

 
A fortuna do Heipo mendigo 
é avaliada em 14 bilhões.


Estamos nos referindo 
aos 14 bilhões de anos do universo, 
tempo estimado pelos cientistas. 

É um tempo valioso, 
pois serviu para mostrar que a História contida nestes anos 
revela a evolução do reino mineral para o vegetal, 
do vegetal para o animal, do animal para o humano 
e do humano para o divino. 

A evolução aconteceu 
pela agregação de elementos diferentes 
numa dinâmica de movimento 
chamado de complexificação, 
dirigindo-se sempre 
para um maior nível de unidade. 

A evolução do reino mineral 
proporcionou o surgimento do mundo vegetal 
e este, evoluindo num processo dinâmico, 
foi cada vez mais complexificando-se e unificando-se, 
criando condições para que um reino superior 
em maior grau de unidade surgisse. 

Do reino animal evoluiu o ser humano. 

O ser humano evolui pela ascensão da consciência. 

Quem tem consciência esclarecida
e em processo de desenvolvimento,
evolui continuamente. 


A consciência
cada vez mais esclarecida e convicta
levará o ser humano
a perceber-se e a experimentar-se
como filho ou filha do Deus Criador. 

O elemento da complexificação 
levará à descoberta e vivência 
de tudo aquilo que exige 
maior grau de unidade. 

A unidade é a senha
que abrirá o acesso aos seres humanos
para o mundo do espírito.  

Somente o espírito
tem o poder
de chegar à perfeição. 

O espírito é perfeito
porque é uno. 

Tudo o que é uno é indiviso.
Não tem divisões.

Tudo o que é divisível é fraco
e com tendências a extinção. 

A unidade
tem o poder de agregar elementos diferentes
e criar elementos novos,
mais perfeitos. 

O espírito é uno.

A unidade é de substancia espiritual.

O espírito é a entidade mais perfeita que existe.

A evolução está a caminho, fazendo história. 

É agora a era e a hora do espírito, 
complexo, uno, imaterial, invisível, 
carregado de forças capazes de eternizar 
o ser humano em evolução.

Não dá para parar a evolução.

Caso a evolução pare, 
haverá a extinção da espécie humana.

Levando em conta a História e a Evolução, 
vamos manter também a ideia 
de que o valor da herança 
que o mendigo vai receber é de 14 bilhões, 
bem reais, um tipo de bem 
que a ferrugem não corrói 
e os ladrões não roubam.


A verdade esconde segredos.
A verdade esconde mistérios.

Mistérios são verdades
ainda não totalmente decifradas.


Existem pistas e mapas
dos lugares ou situações
onde estão escondidas.

Se olhamos para a periferia, para o contorno, 
para a parte externa do mendigo 
o veremos como uma pessoa comum, 
igual a tantas outras 
que andam no planeta terra.

Se olharmos este mendigo na sua trajetória histórica, 
ligando-o ao seu caminhar desde o passado, 
a verdade profunda e última é esta: 
cada um de nós, todos nós, 
estamos carregando uma carga de bens 
e valores acumulados durante todo o tempo 
decorrido até o hoje no qual estamos. 

Neste sentido, somos vasos de barros. 
Como vasos de barros, somos depreciados. 
Como andarilhos não somos valorizados.

O passado só tem sentido 
se iluminar o presente 
e esclarecer as rotas a serem projetadas 
em direção ao futuro.

Caminhando para frente 
estamos transportando tesouros, 
de tal importância 
que não fazemos ideia do valor.


Estes valores secretos, escondidos,
são tão grandes
que nos ultrapassam.

A notícia real e verdadeira 
é que somos herdeiros de bens 
que não somos capazes de imaginar.

Não dar importância a estes valores 
pode não ser prudente nem sábio.

Sugiro ao leitor ler todo o Capítulo 8 
da Epístola do São Paulo aos Romanos. 

Nas linhas abaixo procurei adaptar alguns versículos:

“Todos os que são conduzidos pelo Deus Eterno, 
Inventor e Criador, Cientista e Governador, 
e nosso Pai, são filhos dele.

Com efeito, quando fomos criados, 
não recebemos um espírito 
de escravos ou subordinados 
aos poderes deste mundo, 
sem destino, perdidos ou órfãos,
 mas recebemos um espírito de filhos adotivos, 
pela qual carregamos a possibilidade 
de chama-lo de Pai.

O próprio Espírito Santo 
se une ao nosso espírito 
para testemunhar que somos filhos 
do Deus Criador dos céus e da terra.

E se somos filhos, somos também herdeiros; 
herdeiros do Deus e herdeiros da pessoa do Jesus Cristo 
que esteve aqui há dois mil anos atrás, 
mas deixou o seu Espírito Santo 
que nos dá a força e a autoridade 
para nos sentirmos e nos comportarmos 
como filhos, mesmo que adotivos".

Se sofremos com Ele, 
como andarilhos na terra e no tempo, 
com Ele seremos também glorificados.

Penso, com efeito, 
que os sofrimentos do tempo presente 
não têm proporção com a glória 
que deverá revelar-se em nós.

Pois a criação, em expectativa, 
anseia pela revelação dos filhos do Deus Pai.

De fato, a criação toda, 
em todos os seus reinos mineral, 
vegetal, mineral, animal e humana 
foi submetida à fragilidade, 
à vaidade e à ganância, 
deixando-nos desequilibrados.

Toda a criação e todos nós 
esperamos um tipo de libertação 
para entrar na liberdade da glória 
de filhos do Deus todo Poderoso.

Suspiramos pela redenção 
de tudo o que está ligado à nossa vida”.

     Podemos colaborar com a construção 
     e finalização deste mundo 
     aceitando e decidindo livremente 
     participar do projeto redentor 
     implantado pelo nosso irmão Jesus Cristo.

     A importância dessa verdade é tamanha 
que a vida de qualquer pessoa 
pode estar sob as condições 
do fracasso ou sucesso existencial, 
se continuar sendo só mendigo 
ou assumir logo a função 
e a responsabilidades de herdeiro.

 Toda fundamentação deste tema 
e desta verdade pode estar sintetizada 
nesta passagem do Novo Testamento, 
na Carta aos Gálatas, do Apóstolo Paulo, 
no capítulo quatro que trada da filiação divina:

“Enquanto o herdeiro é menor, 
embora dono de tudo, 
em nada difere de um escravo.

Ele fica debaixo de tutores e curadores 
até a data estabelecida pelo pai.

Assim também nós, quando éramos menores, 
estávamos reduzidos à condição de escravos, 
debaixo dos elementos do mundo.

Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, 
enviou Deus o seu filho, nascido de uma mulher, 
nascido sob a lei, para remir os que estavam sob a Lei, 
a fim de que recebêssemos a adoção filial.

E porque sois filhos, 
enviou Deus aos nossos corações 
o Espírito do seu Filho que clama Abba, 
‘paisinho’.

De modo que já não és escravo, mas filho. 
E se és filho, és também herdeiro, 
graças a Deus”.

Como andarilho e mendigo 
releia de novo nas linhas e nas entrelinhas 
e creie convicções profundas 
destas verdades que você já conhecia 
ou não conhecia e não dava 
a devida importância.


Por favor, leve-se a sério.
Não viva tanto como mendigo.
Comece a gastar a sua herança.


Eneas Paulo Budel Bogucheski 
 eneaspb@gmail.com   41 98854 5166         

Criado em 12/03/2014

Atualizado em 01/02/2016
Atualizado em 07/04/2026


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