sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

46.- Céu e Terra. Somos responsáveis por duas tarefas: administrar a terra e construir o céu.

 



Duas tarefas estão ao nosso alcance e são da nossa inteira responsabilidade: administrar a terra e construir o céu.

Na primeira das tarefas ainda não estamos sendo eficientes porque não possuímos a visão global necessária para administrar as partes. E o que piora a situação é que a ganância ainda é mais forte do que a disciplina da obediência aos princípios gerais da administração.

A segunda tarefa, construir o céu, o Heipo toma a iniciativa de despertar os engenheiros, convocar as pessoas de boa vontade, sonhadoras dos ideais desejáveis para todas as pessoas.

Desejamos construir como irmãos uma casa que tenha cômodos e jardins para todos.

          Logo no início deste texto percebemos que uma das responsabilidades está acontecendo. A outra grande responsabilidade ainda está na fase dos pré-projetos, e para muitos, é apenas literatura ou ficção.

Transformar em realidade vai depender de tomarmos consciência dela e nos prepararmos para o desempenho da vocação e missão do ser humano.

Vamos olhar esta segunda responsabilidade como vocação e missão.

Vocação supõe resposta e ação. A resposta é de cada um em envolver-se nesta obra, construir o céu, na condição de irmãos e em clima familiar.   

Tudo começou assim: quando aqui chegamos ou quando nascemos, o mundo já estava feito.

Vamos esclarecer: o mundo físico e químico já estava feito como terra bruta. Desta base físico-química, surgiu a natureza mineral, depois os vegetais, depois os animais, por fim, nós os humanos. 

Fórmulas escondidas nos elementos que a natureza bruta produziu, como matéria primeira, possibilitou o surgimento e desenvolvimento dos reinos superiores.

Foi através da agregação, da unificação de elementos isolados que a fraternidade física e química possibilitou o aperfeiçoamento da natureza.

E a natureza mineral e vegetal ainda não esgotaram seus recursos e mistérios. Dentro de cada mineral ou vegetal ainda existem códigos para serem decifrados. Veja, por exemplo, a indústria dos remédios, dos perfumes, da indústria, extraídos da matéria prima mineral e vegetal.

Depois, bem depois, com a evolução das pessoas, as leis iniciais da natureza foram alteradas, desenvolvidas e aperfeiçoadas pelas capacidades intelectuais, afetivas e espirituais das pessoas, filhas do Criador do Universo.

 Nesta natureza humana também existem ainda alguns códigos secretos. Dentro das pessoas existe algo que supera a própria pessoa: algo de eterno está escondido, qual semente, aguardando o tempo oportuno para desabrochar de forma diferente, como a larva que morre e dá luz à borboleta.

  Foi bem depois, bem depois que viemos nós. Dentro da escala da natureza somos fruto dos reinos anteriores: antes de nós, vieram os minerais, depois os vegetais, depois os animais e aqui estamos nós, pouco humildes e muito prepotentes.  Nós aparecemos no reino da vida após três reinos. Chamamos de reinos inferiores e somos frutos destes reinos. Foi graças ao sistema de contínua evolução e aperfeiçoamento destes reinos anteriores que tivemos condições de surgir no campo da vida e continuar o aperfeiçoamento, tanto nosso, como de toda a natureza e dois reinos anteriores.

Observe que estes reinos anteriores doam-se e colaboram na infraestrutura do próximo reino e, continuam vivendo nestes reinos superiores, escondidos, porém, sublimados, promovidos para algo bem maior, mais complexo, e, especialmente, num maior grau de unidade.

Não cabe atitudes de orgulho e sim de humildade e profunda gratidão aos reinos ‘inferiores’.

Cabe sim, a percepção da evolução do conceito ideal de unidade.

Cada vez mais complexos, mais carregados de reinos, no entanto, mais uno, mais unidade, mais consciência.

Perceba como você faz parte da uma vasta comunidade de elementos e de uma infinita gama de relações fraternas.

           Eis aqui a grande lição que aprendemos dos reinos anteriores: de certa forma sacrificam-se, morrem para a sua forma natural de ser, e incorporam uma nova forma de continuar vivendo, numa crescente lei aperfeiçoada, obedecendo a uma lei maior, universal, da fraternidade.

Num complexo grau de diversidade e individualidade unem-se criando novas formas, em grau cada vez maior de complexidade e unidade.

          Nesta constatação está escondida a natureza do nosso Deus e Pai, Criador do Universo, o grande cientista.

Este universo é um presente para a humanidade e, particularmente, para cada um de nós.

Vemos e constatamos que é assim.

Lentamente, este presente foi sendo transformado por nossos antecessores. Foi ficando com a cara dos filhos do ‘dona da empresa’. Está ficando mais bonito, mas ainda está em fase de aperfeiçoamento.

Não está pronto.

Um presente é um bem e uma declaração de consideração e confiança àquele que recebe este bem.

Um presente desta natureza, um mundo, um universo todo, não é qualquer tipo de presente.

Um mundo cheio, quase pronto, mesmo incompleto, mas com todo tipo de potencialidades, é um ‘baita’ presente.

Este presentão, doado a nós, carrega-nos de responsabilidades. Responsabilidade de herdeiros.

O herdeiro quando herda um bem, torna-se responsável por este bem, não podendo descuidar-se e cair nas teias da falência.

Como herdeiros, fomos carregados da responsabilidade de administradores deste universo.

          Como pessoas humanas capacitadas racional, afetiva e espiritualmente, estamos em condições de exercer a profissão de filósofos, teólogos, administradores, políticos, cientistas e as outras profissões, necessárias no eco sistema social. Com estas características nos identificamos com o Paizão do céu. 

Não estamos em condições ideais ainda de olhar o universo todo com apenas um olhar abrangente.

Nossa visão é ainda humanizada pelas nossas limitações.

De qualquer forma procuramos elaborar sínteses que nos ajudam na compreensão do todo e das partes. Nesta tentativa de filhos do patrão, estamos sempre tentando conquistar síntese dos grandes reinos ou da cadeia existencial.

Não deixemos faminta a nossa alma. Ela tem sede de eternidade. 

De novo, vamos repetir o texto do escritor espanhol Miguel de Cervantes:

Esta é a minha ambição: seguir a estrela.

Não importam os fracassos.

Não importa a longa distância

Lutar pelo que é justo, sem hesitar nem duvidar.

Estar disposto a descer ao inferno por uma causa divina.

Sonhar o sonho impossível

Lutar contra o inimigo invencível

Suportar a tristeza insuportável.

Chegar aonde os heróis não chega.

Corrigir os erros irreparáveis.

Amar além do amor puro e casto.

Lutar com os braços esgotados.

Alcançar a estrela inatingível.

Procurar descobrir as finalidades de cada reino é o que procuramos ao andar e explorar as trilhas da existência, nesta terrinha dentro do Universo.

O Universo é uma unidade dentro de uma infinita variedade.

É uma unidade composta de vários reinos.

 Para cada reino existe uma linguagem, uma filosofia e uma ciência.

Em certo sentido, cada reino é um país e uma cultura.

E o que mais nos assombra é a lei que percorre toda a criação: a lei da unidade e da fraternidade como única lei.

Não há lei, no cosmos e na natureza que seja ‘dos contra’, da involução, do descer.

Ao entrarmos no elevador da vida, apertamos o botão ‘sobe’.

Em cada reino ou em cada trilha existem coisas, sinais, pistas e revelações relativas àquele reino específico. E há sempre uma mensagem em cada reino. Cada mensagem está escondida, como uma lei invisível, codificada e gerida por uma ordem universal de sacrifício e sublimação. Esta lei foi descoberta pelo antropólogo Pierre Teilhard de Chardin. A lei se manifesta assim: o reino inferior se sacrifica pelo reino superior, mas ao sacrificar-se passa a incorporar ou assumir as qualidades do reino superior. Passa a existir numa dimensão maior, melhorada, aperfeiçoada. Portanto não morre, mas passa a fazer parte de uma perfeição maior. O reino mineral ingerido ou assimilado pelo reino vegetal passa a viver integralizado no reino vegetal.

O Reino Vegetal é um reino de maior complexidade do que o Reino Mineral, e torna-se mais uno.

O Reino vegetal sacrifica-se e passa a viver no Reino Animal.

O Reino Animal sacrifica-se e passa a viver no Reino Humano.

Cada Reino na escala superior aumenta em grau de complexidade e ao mesmo tempo aumenta o seu grau de unidade. 

Ao longo do trajeto, o trilheiro vai percebendo que tudo o que existe, existe para a potencial capacidade de realização do reino superior.

O reino inferior desaparece aos olhos de quem olha, mas só os olhos mais atentos percebe que a essência do reino inferior continua a viver no reino superior.

E agora, mais uma surpresa: o reino humano não é o final da pirâmide.

O reino humano foi criado com a possibilidade de abrir-se para o reino do espírito.

No reino do espírito está o ser humano.

No ser humano estão contidos em síntese, todos os elementos do mundo.

Neste reino do espírito está o máximo da complexidade e a perfeita unidade: o Deus Uno e Trino.

E nós somos convocados a fazer parte desta família Perfeita.

É no caminhar, no andar nas trilhas da vida, é andando que teremos oportunidades para ler, decifrar e descobrir, anotar e praticar as finalidades de cada reino.

Na floresta da Ecologia e Biologia temos uma variedade de elementos informativos para este aprendizado.

Na cidade da Sociologia também. Na escola, no trabalho, no ônibus também. Nas Universidades e nas dificuldades também. Enfim, na escola da vida.

Agregando valores, a unidade vai se fazendo mais forte, mais eficiente e mais perfeita.

Ao iniciar a caminhada em cada trilha, estejamos caminhando como quem tem nas mãos um mapa onde constam detalhes importantes que vão revelar onde está escondido este ou aquele tesouro.

Este mapa da mina vai levar a descobrir o grande Tesouro, aquele que o Livro Sagrado se refere dizendo: “Nele, por Ele e para Ele foram feitas todas as coisas”.

E neste planetinha terra, cada um vai montando o mapa da mina da sua própria vida.

Ao final da tarde, do dia, da semana, do ano, ou da vida, quando retornarmos à “sede”, ou na ‘cabana’, cada um vai colocar para os outros, as suas descobertas. Aí então, este tesouro não será só seu. Ele será compartilhado. E a alegria não será só sua, mas de todos.

Este é o objetivo final do caminhar nas trilhas da existência.

Somos um time que, com treinamento nos transformamos em uma equipe, e, uma equipe treinada se promove para fraternidade.

Uma fraternidade treinada muda os rumos da história.

Somos apenas uma única família de irmãos, que vivemos em muitas aldeias deste universo do nosso Pai dos Céus e da Terra.

Uma das verdades básicas, origem dos princípios fundamentais da natureza humana é este: Somos todos irmãos. Somos todos iguais. Por isso, percorremos todas as trilhas, sempre atentos uns com os outros.

Este procedimento revelam mais dois princípios ou leis da vida humana: a primeira é o sentimento de pertença a um grupo. A característica essencial do ser humano é a participação social.

O ser humano é hum mano, isto é, um irmão. Só cresce, só se desenvolve, só progride agindo como irmão.

O caminho inverso é contramão, caminho incoerente e de desobediência.

A segunda lei é a busca da segurança. O homem e a mulher estão incessantemente em busca da segurança. Esta segurança é comprovada pela busca da necessidade de estar ‘junto com’.

Satisfeito o primeiro requisito básico de pertença, necessariamente o segundo estará também atendido. 

O ser humano, homem e mulher é um ser ainda não finalizado, não completo, necessitando de complementações e fundamentações de ordem social, psicológica, filosóficas e, principalmente, espiritual. A pessoa humana é um ser espiritual*. 

*Nota do autor: Leia o Livro do escritor Leonardo Boff, “Ecologia, mundialização e Espiritualidade” - Editora Ática.

Queremos enriquecer este texto transcrevendo uns parágrafos do livro Evolução e Antropologia no espaço e no tempo: síntese da cosmovisão do Padre Pierre Teilhard de Chardin, com a finalidade de motivar a leitura e fundamentar ainda mais o que o que estamos conversando.

A evolução do mundo coincide com a evolução do homem. Vale também dizer que a evolução do homem coincide com a evolução do mundo. A evolução do mundo tem no homem a expressão mais avançada do seu próprio desenvolvimento”.

“O homem ainda não está pronto, tampouco o mundo. O homem ainda é capaz de alcançar mais algum estágio na sua evolução. Outrora uma simples evolução. Hoje uma autoevolução que procura dominar as forças que regem a criação, em si mesmo e nos cosmos que o rodeia e ao qual está indissoluvelmente ligado. Ambos se desenvolvem em sentido paralelo e constante sob a orientação criadora do pensamento.

“O homem somente se aperfeiçoa na medida em que aperfeiçoa o mundo”.

“O aperfeiçoamento do mundo repercute de maneira quase imperceptível sobre o próprio homem”. (página 149) “... o homem já não progride no sentido orgânico. O homem já está perfeito, maduro no sentido da sua evolução óssea e orgânica. Com o desabrochar e desenvolvimento do pensamento, o homem supre qualquer deficiência orgânica com a invenção de instrumentos e técnicas... O cérebro humano está maduro para todas as realizações, até os limites da transcendência, do infinito...” Página 150. “... o estado de maturidade biológica do homem, fruto da evolução consciente possibilita a ocorrência de profundas modificações que possam ser introduzidas sob o império da evolução dirigida pelo pensamento criador do homem”.

“O homem poderá interferir conscientemente nos caminhos da vida, modificando os rumos, suprimindo etapas e acelerando os processos de transformação que o próprio pensamento pode desencadear”.

“... O homem atual celebra os triunfos da ciência e da técnica: enxertos e transplantes, próteses e plásticas, melhoria da qualidade de vida, enfim a longevidade”.

 A morte que se cuide, pois que também ela poderá se tornar objeto de domínio do ser humano. A lógica é esta, pois que o homem está em constante evolução e a morte continua sempre a mesma.

Reforçando ainda mais a insistência nesta tese, transcrevemos a frase do frei Carlos Mesters*, escrita no livro: Paraíso Terrestre, Saudade ou Esperança: Não quero crer que o Paraíso Terrestre tenha sido um acontecimento do passado. Quero acreditar que seja uma Profecia, a ser por nós realizado no futuro. *Frei Carlos Mesters. Frei da Ordem dos Religiosos Carmelitas, holandês, radicado no Brasil. Autor de diversos livros entre eles “Deus, onde Estás?”, “Paraíso Terrestre: Saudade ou Esperança”. 

Seja como for: seja história ou tese de monografia, o que nós como pessoas humanas podemos decidir, é verificar que temos as potencialidades necessárias para mudar os rumos da história. 

Estamos eu e você no mundo, nós todos, pisando este chão que já tem alguns bilhões de anos.

Neste espaço de tempo, até o hoje no qual vivemos, tomamos conhecimento da História.

Da longíssima pré-história.

Da longa história antiga. Da também longa história Medieval. Da breve história moderna.

Da veloz história atual, na qual estamos vivendo, como dentro de um trem que não nos deixa tempo para enxergar com lucidez, a paisagem que passa, quase sem a identificarmos.

A partir daqui começa a história do futuro, que já está começando a ser escrita. E o futuro, poderá chegar mais cedo, se tomarmos as decisões certas, em vista do bem comum, mais do que decisões egoístas e ambiciosas. 

          Nessa história toda, o homem e a mulher, pequenos caniços pensantes, cheios de potencialidades, somos os atores, personagens principais, interpretando o papel de construtores, jardineiros, administradores e colaboradores do Criador, nosso Pai.

Duas atitudes percebemos nesta perspectiva: Primeira, atitude de Pai: Ele não quer fazer tudo sozinho. Não quer cometer o erro de ser paternalista. Segunda, atitude de filhos: por um ato de gratidão, não podemos deixar tudo nas mãos Dele. A primeira atitude se refere ao Pai e a segunda atitude é da competência dos filhos. 

Temos que mostrar, pelo nosso agir, quem é nosso Pai. Não podemos perder a chance de comprovar a verdade do ditado “tal filho, tal Pai”.

Eis aqui a pequenez e a grandeza do homem e da mulher. Vencemos, superando a pequenez própria de seres criados. Vencemos, sustentados e auxiliados pela identificação filial da semelhança divina. Eis o que somos: filhos adotivos com a promessa de sermos os herdeiros de todo o patrimônio do Deus Criador, nosso Pai.

O homem e a mulher exerceram até agora, as diversas funções delegadas pelo Pai Criador. Porém, não obstante a história comprovando superações e sucessos, cometemos muitas falhas. Cresceu muito joio no meio do trigo.

A história continua. E nós estamos envolvidos até o pescoço, comprometendo a eternidade da alma, ou do todo unitário que cada um é.

A responsabilidade ainda não acabou. O futuro depende de nós.
Tomamos conhecimento dos personagens que por aqui passaram e os atos que, com liberdade de decisões, escreveram a história.

Nas enciclopédias da vida, atualizamos no hoje, o passado que já foi presente. Nada escapa do registro da História. O hoje é um presente grávido do futuro. Foram os atos feitos com fidelidade e coerência que nos legaram o presente que temos. Sejamos agradecidos, porque, mesmo se houveram linhas tortas, de qualquer forma, o livro da vida está escrito. E estamos nele.

As ações dos nossos irmãos mais velhos foram colocadas no trem da história, registrados nos livros. A qualquer momento os tornamos presentes.  Nada escapa do prontuário de registro dos humanos. Tudo está registrado. Se os livros mentem, a estatura de maturidade atual dos humanos não mente.

O testemunho da humanidade ainda demonstra imaturidade e egoísmo. Existem sintomas de que construções de escolas devem fazer parte dos projetos da construção do futuro.

Vejo estes homens todos, como personagens imagem e semelhança com o Deus Pai Criador. Deus resolveu, em sua infinita sabedoria, contar com nossas forças e, também aceitou nossas imperfeições e fraquezas. Num determinado tempo da história, fortaleceu nossa fraqueza tornando-nos, de novo, seus filhos adotivos, herdeiros dos seus bens.

No livro da história tivemos o poder de escrever. Na terra, quase tudo que foi escrito e construído, em vista da terra é que foi.

Poucas esculturas, construções e artes falam do céu e da eternidade, excetuando as religiões.

E agora, há outro desafio à humanidade que quer subir o último degrau da pirâmide da vida terrestre: escrever o livro da história a partir da vista dos céus.


 Ainda não conseguimos antecipar com total clareza este projeto, mas agora estamos envolvidos nele.

Olhar as coisas como quem está vendo dos céus é uma tarefa difícil e que vai exigir muita pesquisa e obediência às regras básicas do relacionamento humano vertical, baseada na vontade do nosso Pai Eterno.

 Nesta etapa em que nos encontramos quase nada captamos, pois que a única ferramenta que temos em mãos é a fé, pouco exigida no mundo das ciências e da matéria. 

As coisas do céu, vemos como em meio a neblina, ou como num espelho instalado no banheiro, que após o banho em água quente, fica embaçado. 

A partir de agora, podem surgir várias teorias. Vamos por premissas e considerações. A primeira, é que o ser humano recebeu, desde o princípio da história da humanidade, a ordem de crescer e dominar. Vamos sintetizar dizendo que o ser humano é representante do Criador na terra. E como representante, não é um sujeito passivo. É um trabalhador, um artífice, um fazedor. É transformador.

Deus Pai criou o Universo todo, sendo a terra apenas um jardim dentro do céu Infinito. 

A terra estava, originalmente, na sua forma bruta. A vida na terra levou milhões de anos para evoluir do reino mineral para o reino vegetal. O reino vegetal para dar condições de vida para o reino animal levou mais alguns milhões de anos. A passagem do Reino animal para o reino humano também levou milhões de anos. 

Na linha da evolução, o reino humano está sendo feito pelo homem e pela mulher que agem e escrevem a história.

Desde que o ser humano despertou a capacidade racional, tomou consciência do papel de administrador do universo. Desde então, a história começou a deslanchar, a correr e ultimamente está a voar.

Evolução é a fórmula de crescimento que está nas entrelinhas deste processo onde o homem e a mulher são os colaboradores do dono da obra.

Acho que terra e céu fazem parte de um só contexto. São dois mundos diferentes, mas dizem respeito a nós, humanos, que estamos na terra. Apoiados nesta verdade nos interessa conhecer o céu. 

Estamos tentando conhecer um pouco mais do céu. Da terra quase tudo sabemos. Para pesquisar as coisas de lá, do céu, tempos que partir do que temos em mãos e do que está escrito e daquilo que tomamos conhecimento.

A partir do conhecimento da terra e de todos os reinos (mineral, vegetal, animal e humano) e de todas as leis já conhecidas e aquelas ainda desconhecidas, estamos tentando ler e decifrar os códigos do Livro da Natureza e da vida.

Estamos procurando pistas dos dois substantivos, terra e céu, que fortaleçam a convicção de que o céu faz parte do contexto da vida que estamos vivendo. Se não agora pelo mais, depois. 

As nossas capacidades espirituais, como o conhecimento, a liberdade, a espiritualidade, características que nos aproximam da participação na semelhança divina, já como construtores e, por isso também, herdeiros dos céus, nos fornecem elementos para ler. Mas um ‘ler’ já alfabetizado com a linguagem única da unidade universal. 

Somos filhos do nosso Criador, o Deus criador dos céus e da terra, e por consequência, somos irmãos uns dos outros. Desconhecendo, ignorando ou desprezando o conhecimento de todas as consequências da nossa filiação divina, acabamos amargando nossa vida e fazendo a experiência de órfãos. 

          Na condição de filhos do Deus dos céus, o desafio para nós é procurarmos adquirir ou imitar as perfeições do nosso Pai dos céus. Pensar como nosso Pai pensa. Amar como nosso Pai ama e agir como seus filhos.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski               

Atualizado em 06/02/2016 - 

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