Duas
tarefas estão ao nosso alcance e são da nossa inteira responsabilidade:
administrar a terra e construir o céu.
Na
primeira das tarefas ainda não estamos sendo eficientes porque não possuímos a
visão global necessária para administrar as partes. E o que piora a situação é
que a ganância ainda é mais forte do que a disciplina da obediência aos
princípios gerais da administração.
A
segunda tarefa, construir o céu, o Heipo toma a iniciativa de despertar os
engenheiros, convocar as pessoas de boa vontade, sonhadoras dos ideais
desejáveis para todas as pessoas.
Desejamos
construir como irmãos uma casa que tenha cômodos e jardins para todos.
Logo no início deste texto
percebemos que uma das responsabilidades está acontecendo. A outra grande
responsabilidade ainda está na fase dos pré-projetos, e para muitos, é apenas
literatura ou ficção.
Transformar
em realidade vai depender de tomarmos consciência dela e nos prepararmos para o
desempenho da vocação e missão do ser humano.
Vamos
olhar esta segunda responsabilidade como vocação e missão.
Vocação
supõe resposta e ação. A resposta é de cada um em envolver-se nesta obra,
construir o céu, na condição de irmãos e em clima familiar.
Tudo
começou assim: quando aqui chegamos ou quando nascemos, o mundo já estava
feito.
Vamos
esclarecer: o mundo físico e químico já estava feito como terra bruta. Desta
base físico-química, surgiu a natureza mineral, depois os vegetais, depois os
animais, por fim, nós os humanos.
Fórmulas
escondidas nos elementos que a natureza bruta produziu, como matéria primeira,
possibilitou o surgimento e desenvolvimento dos reinos superiores.
Foi
através da agregação, da unificação de elementos isolados que a fraternidade
física e química possibilitou o aperfeiçoamento da natureza.
E a
natureza mineral e vegetal ainda não esgotaram seus recursos e mistérios.
Dentro de cada mineral ou vegetal ainda existem códigos para serem decifrados.
Veja, por exemplo, a indústria dos remédios, dos perfumes, da indústria,
extraídos da matéria prima mineral e vegetal.
Depois,
bem depois, com a evolução das pessoas, as leis iniciais da natureza foram alteradas,
desenvolvidas e aperfeiçoadas pelas capacidades intelectuais, afetivas e
espirituais das pessoas, filhas do Criador do Universo.
Nesta
natureza humana também existem ainda alguns códigos secretos. Dentro das
pessoas existe algo que supera a própria pessoa: algo de eterno está escondido,
qual semente, aguardando o tempo oportuno para desabrochar de forma diferente,
como a larva que morre e dá luz à borboleta.
Foi bem depois, bem depois que viemos nós. Dentro da escala da natureza somos
fruto dos reinos anteriores: antes de nós, vieram os minerais, depois os
vegetais, depois os animais e aqui estamos nós, pouco humildes e muito
prepotentes. Nós aparecemos no reino da vida após três reinos. Chamamos
de reinos inferiores e somos frutos destes reinos. Foi graças ao sistema de
contínua evolução e aperfeiçoamento destes reinos anteriores que tivemos
condições de surgir no campo da vida e continuar o aperfeiçoamento, tanto
nosso, como de toda a natureza e dois reinos anteriores.
Observe
que estes reinos anteriores doam-se e colaboram na infraestrutura do próximo
reino e, continuam vivendo nestes reinos superiores, escondidos, porém,
sublimados, promovidos para algo bem maior, mais complexo, e, especialmente,
num maior grau de unidade.
Não
cabe atitudes de orgulho e sim de humildade e profunda gratidão aos reinos
‘inferiores’.
Cabe
sim, a percepção da evolução do conceito ideal de unidade.
Cada
vez mais complexos, mais carregados de reinos, no entanto, mais uno, mais
unidade, mais consciência.
Perceba
como você faz parte da uma vasta comunidade de elementos e de uma infinita gama
de relações fraternas.
Eis aqui a grande lição
que aprendemos dos reinos anteriores: de certa forma sacrificam-se, morrem para
a sua forma natural de ser, e incorporam uma nova forma de continuar vivendo,
numa crescente lei aperfeiçoada, obedecendo a uma lei maior, universal, da
fraternidade.
Num
complexo grau de diversidade e individualidade unem-se criando novas formas, em
grau cada vez maior de complexidade e unidade.
Nesta constatação está escondida a natureza do nosso Deus e Pai, Criador do
Universo, o grande cientista.
Este
universo é um presente para a humanidade e, particularmente, para cada um de
nós.
Vemos
e constatamos que é assim.
Lentamente,
este presente foi sendo transformado por nossos antecessores. Foi ficando com a
cara dos filhos do ‘dona da empresa’. Está ficando mais bonito, mas ainda está
em fase de aperfeiçoamento.
Não
está pronto.
Um
presente é um bem e uma declaração de consideração e confiança àquele que
recebe este bem.
Um
presente desta natureza, um mundo, um universo todo, não é qualquer tipo de
presente.
Um
mundo cheio, quase pronto, mesmo incompleto, mas com todo tipo de
potencialidades, é um ‘baita’ presente.
Este
presentão, doado a nós, carrega-nos de responsabilidades. Responsabilidade de
herdeiros.
O
herdeiro quando herda um bem, torna-se responsável por este bem, não podendo
descuidar-se e cair nas teias da falência.
Como
herdeiros, fomos carregados da responsabilidade de administradores deste
universo.
Como pessoas humanas capacitadas racional, afetiva e espiritualmente, estamos
em condições de exercer a profissão de filósofos, teólogos, administradores,
políticos, cientistas e as outras profissões, necessárias no eco sistema
social. Com estas características nos identificamos com o Paizão do céu.
Não
estamos em condições ideais ainda de olhar o universo todo com apenas um olhar
abrangente.
Nossa
visão é ainda humanizada pelas nossas limitações.
De
qualquer forma procuramos elaborar sínteses que nos ajudam na compreensão do
todo e das partes. Nesta tentativa de filhos do patrão, estamos sempre tentando
conquistar síntese dos grandes reinos ou da cadeia existencial.
Não
deixemos faminta a nossa alma. Ela tem sede de eternidade.
De
novo, vamos repetir o texto do escritor espanhol Miguel de Cervantes:
Esta é
a minha ambição: seguir a estrela.
Não importam os
fracassos.
Não importa a longa
distância
Lutar pelo que é justo,
sem hesitar nem duvidar.
Estar disposto a descer
ao inferno por uma causa divina.
Sonhar o sonho
impossível
Lutar contra o inimigo
invencível
Suportar a tristeza
insuportável.
Chegar aonde os heróis
não chega.
Corrigir os erros
irreparáveis.
Amar além do amor puro e
casto.
Lutar com os braços
esgotados.
Alcançar a estrela
inatingível.
Procurar
descobrir as finalidades de cada reino é o que procuramos ao andar e explorar
as trilhas da existência, nesta terrinha dentro do Universo.
O
Universo é uma unidade dentro de uma infinita variedade.
É uma
unidade composta de vários reinos.
Para cada reino existe uma linguagem, uma
filosofia e uma ciência.
Em
certo sentido, cada reino é um país e uma cultura.
E o
que mais nos assombra é a lei que percorre toda a criação: a lei da unidade e
da fraternidade como única lei.
Não há
lei, no cosmos e na natureza que seja ‘dos contra’, da involução, do descer.
Ao
entrarmos no elevador da vida, apertamos o botão ‘sobe’.
Em
cada reino ou em cada trilha existem coisas, sinais, pistas e revelações
relativas àquele reino específico. E há sempre uma mensagem em cada reino. Cada
mensagem está escondida, como uma lei invisível, codificada e gerida por uma
ordem universal de sacrifício e sublimação. Esta lei foi descoberta pelo
antropólogo Pierre Teilhard de Chardin. A lei se manifesta assim: o reino inferior
se sacrifica pelo reino superior, mas ao sacrificar-se passa a incorporar ou
assumir as qualidades do reino superior. Passa a existir numa dimensão maior,
melhorada, aperfeiçoada. Portanto não morre, mas passa a fazer parte de uma
perfeição maior. O reino mineral ingerido ou assimilado pelo reino vegetal
passa a viver integralizado no reino vegetal.
O
Reino Vegetal é um reino de maior complexidade do que o Reino Mineral, e
torna-se mais uno.
O
Reino vegetal sacrifica-se e passa a viver no Reino Animal.
O
Reino Animal sacrifica-se e passa a viver no Reino Humano.
Cada
Reino na escala superior aumenta em grau de complexidade e ao mesmo tempo aumenta
o seu grau de unidade.
Ao
longo do trajeto, o trilheiro vai percebendo que tudo o que existe, existe para
a potencial capacidade de realização do reino superior.
O
reino inferior desaparece aos olhos de quem olha, mas só os olhos mais atentos
percebe que a essência do reino inferior continua a viver no reino superior.
E
agora, mais uma surpresa: o reino humano não é o final da pirâmide.
O
reino humano foi criado com a possibilidade de abrir-se para o reino do
espírito.
No
reino do espírito está o ser humano.
No ser
humano estão contidos em síntese, todos os elementos do mundo.
Neste
reino do espírito está o máximo da complexidade e a perfeita unidade: o Deus
Uno e Trino.
E nós
somos convocados a fazer parte desta família Perfeita.
É no
caminhar, no andar nas trilhas da vida, é andando que teremos oportunidades
para ler, decifrar e descobrir, anotar e praticar as finalidades de cada reino.
Na
floresta da Ecologia e Biologia temos uma variedade de elementos informativos
para este aprendizado.
Na
cidade da Sociologia também. Na escola, no trabalho, no ônibus também. Nas
Universidades e nas dificuldades também. Enfim, na escola da vida.
Agregando
valores, a unidade vai se fazendo mais forte, mais eficiente e mais perfeita.
Ao
iniciar a caminhada em cada trilha, estejamos caminhando como quem tem nas mãos
um mapa onde constam detalhes importantes que vão revelar onde está escondido
este ou aquele tesouro.
Este
mapa da mina vai levar a descobrir o grande Tesouro, aquele que o Livro Sagrado
se refere dizendo: “Nele, por Ele e para Ele foram feitas todas as coisas”.
E
neste planetinha terra, cada um vai montando o mapa da mina da sua própria
vida.
Ao
final da tarde, do dia, da semana, do ano, ou da vida, quando retornarmos à
“sede”, ou na ‘cabana’, cada um vai colocar para os outros, as suas
descobertas. Aí então, este tesouro não será só seu. Ele será compartilhado. E
a alegria não será só sua, mas de todos.
Este é
o objetivo final do caminhar nas trilhas da existência.
Somos
um time que, com treinamento nos transformamos em uma equipe, e, uma equipe
treinada se promove para fraternidade.
Uma
fraternidade treinada muda os rumos da história.
Somos
apenas uma única família de irmãos, que vivemos em muitas aldeias deste
universo do nosso Pai dos Céus e da Terra.
Uma
das verdades básicas, origem dos princípios fundamentais da natureza humana é
este: Somos todos irmãos. Somos todos iguais. Por isso, percorremos todas as
trilhas, sempre atentos uns com os outros.
Este
procedimento revelam mais dois princípios ou leis da vida humana: a primeira é
o sentimento de pertença a um grupo. A característica essencial do ser humano é
a participação social.
O ser
humano é hum mano, isto é, um irmão. Só cresce, só se desenvolve, só progride
agindo como irmão.
O
caminho inverso é contramão, caminho incoerente e de desobediência.
A
segunda lei é a busca da segurança. O homem e a mulher estão incessantemente em
busca da segurança. Esta segurança é comprovada pela busca da necessidade de
estar ‘junto com’.
Satisfeito
o primeiro requisito básico de pertença, necessariamente o segundo estará
também atendido.
O ser
humano, homem e mulher é um ser ainda não finalizado, não completo,
necessitando de complementações e fundamentações de ordem social, psicológica,
filosóficas e, principalmente, espiritual. A pessoa humana é um ser
espiritual*.
*Nota
do autor: Leia o Livro do escritor Leonardo Boff, “Ecologia, mundialização e
Espiritualidade” - Editora Ática.
Queremos
enriquecer este texto transcrevendo uns parágrafos do livro Evolução e
Antropologia no espaço e no tempo: síntese da cosmovisão do Padre Pierre
Teilhard de Chardin, com a finalidade de motivar a leitura e fundamentar
ainda mais o que o que estamos conversando.
“A
evolução do mundo coincide com a evolução do homem. Vale também dizer que a
evolução do homem coincide com a evolução do mundo. A evolução do mundo tem no
homem a expressão mais avançada do seu próprio desenvolvimento”.
“O
homem ainda não está pronto, tampouco o mundo. O homem ainda é capaz de alcançar
mais algum estágio na sua evolução. Outrora uma simples evolução. Hoje uma
autoevolução que procura dominar as forças que regem a criação, em si mesmo e
nos cosmos que o rodeia e ao qual está indissoluvelmente ligado. Ambos se
desenvolvem em sentido paralelo e constante sob a orientação criadora do
pensamento.
“O
homem somente se aperfeiçoa na medida em que aperfeiçoa o mundo”.
“O
aperfeiçoamento do mundo repercute de maneira quase imperceptível sobre o
próprio homem”. (página 149) “... o homem já não progride no
sentido orgânico. O homem já está perfeito, maduro no sentido da sua evolução
óssea e orgânica. Com o desabrochar e desenvolvimento do pensamento, o homem
supre qualquer deficiência orgânica com a invenção de instrumentos e
técnicas... O cérebro humano está maduro para todas as realizações, até os
limites da transcendência, do infinito...” Página 150. “... o estado de
maturidade biológica do homem, fruto da evolução consciente possibilita a
ocorrência de profundas modificações que possam ser introduzidas sob o império
da evolução dirigida pelo pensamento criador do homem”.
“O
homem poderá interferir conscientemente nos caminhos da vida, modificando os
rumos, suprimindo etapas e acelerando os processos de transformação que o
próprio pensamento pode desencadear”.
“... O
homem atual celebra os triunfos da ciência e da técnica: enxertos e
transplantes, próteses e plásticas, melhoria da qualidade de vida, enfim a
longevidade”.
A
morte que se cuide, pois que também ela poderá se tornar objeto de domínio do
ser humano. A lógica é esta, pois que o homem está em constante evolução e a
morte continua sempre a mesma.
Reforçando
ainda mais a insistência nesta tese, transcrevemos a frase do frei Carlos
Mesters*, escrita no livro: Paraíso Terrestre, Saudade ou Esperança: Não
quero crer que o Paraíso Terrestre tenha sido um acontecimento do passado.
Quero acreditar que seja uma Profecia, a ser por nós realizado no futuro. *Frei Carlos Mesters. Frei da
Ordem dos Religiosos Carmelitas, holandês, radicado no Brasil. Autor de
diversos livros entre eles “Deus, onde Estás?”, “Paraíso Terrestre: Saudade ou
Esperança”.
Seja
como for: seja história ou tese de monografia, o que nós como pessoas humanas
podemos decidir, é verificar que temos as potencialidades necessárias para
mudar os rumos da história.
Estamos
eu e você no mundo, nós todos, pisando este chão que já tem alguns bilhões de
anos.
Neste
espaço de tempo, até o hoje no qual vivemos, tomamos conhecimento da História.
Da
longíssima pré-história.
Da
longa história antiga. Da também longa história Medieval. Da breve história
moderna.
Da
veloz história atual, na qual estamos vivendo, como dentro de um trem que não
nos deixa tempo para enxergar com lucidez, a paisagem que passa, quase sem a
identificarmos.
A
partir daqui começa a história do futuro, que já está começando a ser escrita.
E o futuro, poderá chegar mais cedo, se tomarmos as decisões certas, em vista
do bem comum, mais do que decisões egoístas e ambiciosas.
Nessa história toda, o homem e a mulher, pequenos caniços pensantes, cheios de
potencialidades, somos os atores, personagens principais, interpretando o papel
de construtores, jardineiros, administradores e colaboradores do Criador, nosso
Pai.
Duas
atitudes percebemos nesta perspectiva: Primeira, atitude de Pai: Ele não quer
fazer tudo sozinho. Não quer cometer o erro de ser paternalista. Segunda,
atitude de filhos: por um ato de gratidão, não podemos deixar tudo nas mãos
Dele. A primeira atitude se refere ao Pai e a segunda atitude é da competência
dos filhos.
Temos
que mostrar, pelo nosso agir, quem é nosso Pai. Não podemos perder a chance de
comprovar a verdade do ditado “tal filho, tal Pai”.
Eis
aqui a pequenez e a grandeza do homem e da mulher. Vencemos, superando a
pequenez própria de seres criados. Vencemos, sustentados e auxiliados pela
identificação filial da semelhança divina. Eis o que somos: filhos adotivos com
a promessa de sermos os herdeiros de todo o patrimônio do Deus Criador, nosso
Pai.
O
homem e a mulher exerceram até agora, as diversas funções delegadas pelo Pai
Criador. Porém, não obstante a história comprovando superações e sucessos,
cometemos muitas falhas. Cresceu muito joio no meio do trigo.
A
história continua. E nós estamos envolvidos até o pescoço, comprometendo a
eternidade da alma, ou do todo unitário que cada um é.
A
responsabilidade ainda não acabou. O futuro depende de nós.
Tomamos
conhecimento dos personagens que por aqui passaram e os atos que, com liberdade
de decisões, escreveram a história.
Nas
enciclopédias da vida, atualizamos no hoje, o passado que já foi presente. Nada
escapa do registro da História. O hoje é um presente grávido do futuro. Foram
os atos feitos com fidelidade e coerência que nos legaram o presente que temos.
Sejamos agradecidos, porque, mesmo se houveram linhas tortas, de qualquer
forma, o livro da vida está escrito. E estamos nele.
As
ações dos nossos irmãos mais velhos foram colocadas no trem da história,
registrados nos livros. A qualquer momento os tornamos presentes. Nada
escapa do prontuário de registro dos humanos. Tudo está registrado. Se os
livros mentem, a estatura de maturidade atual dos humanos não mente.
O
testemunho da humanidade ainda demonstra imaturidade e egoísmo. Existem
sintomas de que construções de escolas devem fazer parte dos projetos da
construção do futuro.
Vejo
estes homens todos, como personagens imagem e semelhança com o Deus Pai
Criador. Deus resolveu, em sua infinita sabedoria, contar com nossas forças e,
também aceitou nossas imperfeições e fraquezas. Num determinado tempo da
história, fortaleceu nossa fraqueza tornando-nos, de novo, seus filhos
adotivos, herdeiros dos seus bens.
No
livro da história tivemos o poder de escrever. Na terra, quase tudo que foi
escrito e construído, em vista da terra é que foi.
Poucas
esculturas, construções e artes falam do céu e da eternidade, excetuando as
religiões.
E agora, há outro desafio à humanidade que quer
subir o último degrau da pirâmide da vida terrestre: escrever o livro da
história a partir da vista dos céus.
Ainda
não conseguimos antecipar com total clareza este projeto, mas agora estamos
envolvidos nele.
Olhar
as coisas como quem está vendo dos céus é uma tarefa difícil e que vai exigir
muita pesquisa e obediência às regras básicas do relacionamento humano
vertical, baseada na vontade do nosso Pai Eterno.
Nesta
etapa em que nos encontramos quase nada captamos, pois que a única ferramenta
que temos em mãos é a fé, pouco exigida no mundo das ciências e da
matéria.
As
coisas do céu, vemos como em meio a neblina, ou como num espelho instalado no
banheiro, que após o banho em água quente, fica embaçado.
A
partir de agora, podem surgir várias teorias. Vamos por premissas e
considerações. A primeira, é que o ser humano recebeu, desde o princípio da
história da humanidade, a ordem de crescer e dominar. Vamos sintetizar dizendo
que o ser humano é representante do Criador na terra. E como representante, não
é um sujeito passivo. É um trabalhador, um artífice, um fazedor. É
transformador.
Deus
Pai criou o Universo todo, sendo a terra apenas um jardim dentro do céu
Infinito.
A terra estava, originalmente, na sua forma bruta. A vida na terra levou milhões de anos para evoluir do reino mineral para o reino vegetal. O reino vegetal para dar condições de vida para o reino animal levou mais alguns milhões de anos. A passagem do Reino animal para o reino humano também levou milhões de anos.
Na
linha da evolução, o reino humano está sendo feito pelo homem e pela mulher que
agem e escrevem a história.
Desde
que o ser humano despertou a capacidade racional, tomou consciência do papel de
administrador do universo. Desde então, a história começou a deslanchar, a
correr e ultimamente está a voar.
Evolução
é a fórmula de crescimento que está nas entrelinhas deste processo onde o homem
e a mulher são os colaboradores do dono da obra.
Acho
que terra e céu fazem parte de um só contexto. São dois mundos diferentes, mas
dizem respeito a nós, humanos, que estamos na terra. Apoiados nesta verdade nos
interessa conhecer o céu.
Estamos
tentando conhecer um pouco mais do céu. Da terra quase tudo sabemos. Para
pesquisar as coisas de lá, do céu, tempos que partir do que temos em mãos e do
que está escrito e daquilo que tomamos conhecimento.
A
partir do conhecimento da terra e de todos os reinos (mineral, vegetal, animal
e humano) e de todas as leis já conhecidas e aquelas ainda desconhecidas,
estamos tentando ler e decifrar os códigos do Livro da Natureza e da vida.
Estamos
procurando pistas dos dois substantivos, terra e céu, que fortaleçam a
convicção de que o céu faz parte do contexto da vida que estamos vivendo. Se
não agora pelo mais, depois.
As
nossas capacidades espirituais, como o conhecimento, a liberdade, a
espiritualidade, características que nos aproximam da participação na
semelhança divina, já como construtores e, por isso também, herdeiros dos céus,
nos fornecem elementos para ler. Mas um ‘ler’ já alfabetizado com a linguagem
única da unidade universal.
Somos
filhos do nosso Criador, o Deus criador dos céus e da terra, e por
consequência, somos irmãos uns dos outros. Desconhecendo, ignorando ou
desprezando o conhecimento de todas as consequências da nossa filiação divina,
acabamos amargando nossa vida e fazendo a experiência de órfãos.
Na
condição de filhos do Deus dos céus, o desafio para nós é procurarmos adquirir
ou imitar as perfeições do nosso Pai dos céus. Pensar como nosso Pai pensa.
Amar como nosso Pai ama e agir como seus filhos.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 06/02/2016 -
eneaspb@gmail.com - 41 98854 5166
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