quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

37.- Fonte. Mais do que a água, procuramos a fonte.



A constituição física, psíquica, 
moral e espiritual do ser humano 
é de carência.

Limitação parcial, 
a caminho e em processo 
de aperfeiçoamento e saciamento.

No corpo físico 
temos fome e sede constante. 


Na esfera psíquica 
estamos sempre insatisfeitos e ansiosos, 
mal amados, mal compreendidos. 
Mal sabemos amar 
e não sabemos 
compreender 
globalmente.

Na área moral 
exige-se esforço e aprendizado, 
repetição, treinamento. 

Procuramos as fundamentações 
e só depois acionamos a decisão 
de querer melhorar.

A sensação que sempre nos acompanha 
é a de que somos seres incompletos. 

Estamos sempre com fome, 
com sede e procurando coisas ou alguém 
que nos contente e complete. 

Esta é a nossa maneira de ser,
ainda individualistas e egoístas. 

Raramente nos propomos compreender, 
contentar ou completar alguém. 

Essa seria a maneira ideal de viver, 
altruístas, revelando que somos filhos 
do Paizão do céu.


Porém, a experiência 
ou sensação de imperfeição 
nos deixa inquietos, desequilibrados, 
egocêntricos e inconformados 
com tantas coisas fora do lugar.  

Percebemos sim, os valores, 
e queremos buscar e fazer o bem, 
mas nos sentimos fracos e impotentes.

A inquietude 
é como uma sede constante 
que arde, cutuca e morde. 

É um sentimento de incompletude,
indefinição, de não satisfação. 

Sintetizando estes sentimentos,  
digamos que temos sede, 
estamos sempre com sede.

Estamos sempre com sede 
de algo mais, indefinido, não visível,
de algo que escapa ao entendimento.

Parece que o que alimenta essa sede 
é o mistério não compreendido. 

O que é bom é que essa sede constante 
mantém-nos abertos, atentos, 
à procura.


Se não tivéssemos sede, 
desse algo, indizível, 
estaríamos satisfeitos 
e fechados.


Existe uma carência
sempre buscada,
procurada na água
para saciar a sede.

O gosto da água saciando,
é ao mesmo tempo,
cultivo da sede.

Jamais conseguimos saciar
este tipo de sede.


Mesmo estando no caminho do encontro,
a expectativa é sempre a sede,
que como febre ardente,
a sede persiste
e a febre continua.


Se ainda não nos convencemos 
de que já somos eternos, 
é porque está faltando 
um maior aprofundamento 
sobre a verdade do nosso ser,
nossa origem e nosso fim. 


Somos eternos ou seremos eternos.

Já temos qualquer ‘coisa’ de eterno
que faz a gente gostar 
das coisas misteriosas e invisíveis, 
que nos deixam curiosos,
e nos põem à procura.

Alguma coisa está nos faltando.

Há um vazio na nossa natureza humana 
que só pode ser preenchido 
com algo que seja permanente, 
eterno, infinito e definitivo.


Esta dimensão 
é aquela que o Heipo procura.

 
Procura com teimosia.

É uma sede que mesmo saciada, 
permanece sedenta.


Há neste processo, 
sinais, acenos, convites 
e promessas.


Custe o que custar, o Heipo,
a dimensão bondosa
que existe em cada ser humano,
não desiste.


O desejo de saciar esta sede
aciona a virtude da teimosia.


Existem no nosso mundo
realidades visíveis
com as quais nos habituamos.


Existem também realidades invisíveis 
com as quais não estamos habituados.


Não é porque são invisíveis 
que deixam de ser reais. 
Não são irreais, como a sede que existe 
e que não se vê, como o vento que existe 
e que não enxergamos.


A sede é diferente da água.

A água é materialidade.

A sede é uma falta, 
é uma carência.

A sede sacia-se, 
momentaneamente,
mas volta e permanece,
como a fome
que está sempre necessitando
de alimentos.


Para a fome 
do nosso corpo biológico
damos alimentos.


Para a sede, 
do nosso corpo biológico,
damos água.


Para a fome e sede 
do nosso espírito
e da nossa alma,
por mais que os alimentemos,
a fome e a sede permanecem.

Das ciências que estudamos, 
pesquisamos e aprendemos, 
dos conhecimentos que adquirimos, 
existe uma ciência 
que nos faz sentir pequenos, 
insignificantes e fracos, 
pois aumenta nossa fome 
e triplica nossa sede.


É a ciência da vida superior, 
espiritual, sempre carente, 
sempre alimentada, 
nunca saciada.


A sede saciando,
a fome alimentando.

A sede aumentando 
a fome faminta.

Nada contenta e nada sacia.

Com sede buscamos ... 
a fonte da nossa origem, 
lá onde nasceu a água, 
onde a água sacia plenamente.


Cada vez mais sedentos
e cada vez mais insaciados.


É a vida que vibra,
palpita e anseia pela continuidade.


Esta busca e esta sede 
nos orientam 
para fora 
das fronteiras 
dos nossos cinco sentidos.


Empurra-nos para fora 
da lógica e do natural.


Sugere algo mais.


Persiste um impulso 
para algo que seria ou será o alvo, 
o destino, a razão, a causa 
ou a fonte da sede.


Não é a água
que mais queremos.

A sede é passageira.

É a fonte que procuramos,
pois que é necessária 
para sempre.


Achando a fonte,
temos a água pura, 
original, permanente.

Somos filhos.

Procuramos nosso Pai.

É em volta Dele
que desejamos estar,
atendendo todas 
as nossas necessidades vitais,
passageiras e eternas. 


Não viver a dimensão de filhos 
é viver a dimensão da orfandade, 
com todas as consequências ruins 
que proporciona. 

Não adianta procurar a água.
Convém a nós, criaturas, procurar a Fonte,
encontrar a Fonte e permanecer na Fonte. 


Eneas Paulo Budel Bogucheski         
eneaspb@gmail.com -  41 98854 5166
Atualizado em 31/05/2026




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