O profeta
tem a função de alertar,
avisar,
fazer ver a situação em que um povo
ou uma nação inteira está envolvida.
O profeta está alerta,
percebendo,
como quem
está fora da bolha de ar
em que a nação toda está absorvida.
em que a nação toda está absorvida.
A nação
está anestesiada,
acomodada, atrofiada
ou indiferente.
O indivíduo humano
que está dentro da
geografia da nação
está na mesma situação.
A rotina
tem o poder de anestesiar.
A literatura
tem o poder de alienar.
A palavra lida, as imagens, as avalanches de comunicação atrofiam a capacidade de raciocinar.
Tudo que fica na superfície
mostra apenas uma
pequena parte.
A própria palavra lida,
escutada e transmitida,
pode estar morta
se não houver
o espírito nela,
que a vivifica.
A letra, se não mata,
pode invalidar o conteúdo,
se não estiver associada
à raiz da vida.
Nós humanos,
estamos sujeitos à superficialidade.
Esta atitude carrega a possibilidade de afastar-nos do aprofundamento, o nível em que percebemos o peso e o vigor da palavra.
A permanência só na superfície visível funciona como anestésico que provoca um efeito colateral prejudicando a verdade e a nossa dignidade.
Não havendo profundidade suficiente, a base
fica comprometida, e o edifício conhecerá abalos.
Mas existe ainda a função do profeta que alerta, que desacomoda, que mostra o que precisa ser mostrado.
A fala do profeta revela o que está oculto aos olhos confusos; olhos ofuscados pela névoa envolvente, névoa da ganância, névoa do egoísmo, névoa do imediatismo.
Não pensar, não analisar, não escolher entre várias alternativas é um sintoma de falência de vários órgãos vitais.
Estamos todos olhando e avaliando como quem
está dentro do mundo, olhando horizontalmente, sem nenhuma profundidade e
abertura para o vertical, acima das aparências.
O que aparenta
nem sempre é a verdade
esperada e procurada.
O profeta quer propor que o olhar seja lá de
cima, como quem está vendo o planeta terra, lá das estrelas.
O profeta vê os humanos, como formiguinhas,
cá embaixo, dirigindo-se para lugares onde não estão os nutrientes vitais,
permanentes.
O Profeta,
e o poeta,
procuram penetrar
além das aparências.
Sensibiliza tanto o profeta como o poeta, a
indiferença das pessoas, das formiguinhas, diante das realidades visíveis que
contém valores. As formiguinhas reagem com atitudes de apatia e até de oposição às realidades invisíveis.
Há um “dentro” das coisas que quer
comunicar-se, que quer ser descoberto, revelar-se, dar-se a
conhecer. Porém, estão codificados.
Existem símbolos gritando, exigindo que
decifrem seus códigos internos.
Decifrar o que está lá dentro exige
sensibilidade, atenção, pesquisa, acolhimento, simpatia, adesão, compromisso.
Além da superfície está a profundidade, lá onde a raiz capta as energias e transfere para cima, a vitalidade.
Tudo o que é grande e maravilhoso no
Universo, são dicas, do Cientista Criador-Invisível.
Estamos todos
envolvidos por uma literatura que foi aos poucos sendo esvaziada, despersonalizada
e desenraizada da magia, do encanto, do mistério.
Resultado do pouco esforço, a literatura do mundo de hoje pode estar nos mantendo só na superfície.
Se a cultura do mundo de hoje é o consumismo,
ler muitos livros não significa garimpagem de pérolas preciosas. Pode ser
algodão doce, só enchendo a barriga de açúcar artificial.
Tudo o que fica só nas palavras, nos livros, como letra morta, nos mantém numa rotina, acostumando-nos apenas a ouvir, repetir e a ler as palavras.
Estamos nos acostumando a viver no mundo das
palavras, no mundo virtual.
Preste atenção ao seu comportamento diário.
Veja quanta comunicação chega aos teus olhos e aos teus ouvidos ... Ainda bem
que são dois, dois olhos e dois ouvidos. Mas mesmo assim não conseguimos
processar tudo, filtrar tudo, e ficar só com o que nos amadurece.
O profeta alerta avisando: de tão prejudicados, não estamos mais nem mesmo reagindo.
Faltam profetas, profetas que alertam.
A verdade que o profeta quer revelar é que
estamos escravizados.
Escravos da literatura, de tudo aquilo que
está circulando nos meios de comunicação visual, escrita, virtual ...
Vejam quanta resistência opomos quando nos
pedem que deixemos as cadeiras macias em favor dos que tem necessidades
especiais ou são mais idosos. Não avaliamos o sacrifício dos mais idosos na
demora em levantar-se, arrumar-se, locomover-se.
Estamos todos envolvidos na cultura do
conforto e do comodismo que desemboca na rotina e leva à acomodação,
levando-nos a escolher tudo o que nos convém, sem pensar.
É urgente perceber que a nossa consciência
está anestesiada.
Pensar ativa a consciência.
Se a consciência está dormindo,
não adianta pensar.
O profeta grita mais alto ainda, para que a consciência acorde.
As opções pelo conforto nos leva a fugir ou a
recusar novas responsabilidades.
Fugir ou recusar responsabilidades nos mantém
parados, estagnados, atrofiados e acomodados.
Esta opção provoca inconscientemente a nossa falência como seres destinados à evolução.
Converter a direção do veículo em direção ao
mundo do invisível, eis aqui o alerta do Profeta.
A insistência do profeta sempre foi alertar
para a conversão.
As ciências falam, buscam e insistem em
evolução.
Mas que adianta alertar se nossos feitos
estão com defeitos.
O Profeta se manifesta com a finalidade de
tirar o pano de cima, tirar a poeira que altera a cor da
profundidade.
O profeta procura despertar a sensibilidade
que anseia pela verdade e aproveita para cutucar as resistências e penetrar na
casca dura, petrificada.
Cada ser humano guarda dentro de si
um personagem divino.
O personagem humano que cada um é
manifesta-se naturalmente.
O personagem divino
que existe dentro de cada um de nós,
ainda está sufocado,
querendo libertar-se
e exprimir-se
para além das suas próprias fronteiras.
Este é o papel do profeta: anunciar aquele
que é maior do que o próprio profeta.
Você, leitor, é aquele que o profeta esta procurando para dizer que você ainda ignora o talento natural de filho e herdeiro do dono dos céus.
Você não está habituado a conviver com os valores do mundo invisível.
Por isso, você sofre.
De novo, o profeta alerta: Se você está
chorando, sofrendo, desnorteado, confuso, triste e desmotivado, então chore,
porque tudo vai ser destruído, por tua própria culpa porque não soube perceber
nem avaliar o apelo do Deus Pai através das ações, palavras e testemunho dos
profetas, nem avaliar o apelo do Deus Pai Misericordioso dentro dos fatos e
dentro da sua própria Criação.
Espera-se que o leitor possa perceber que
existe sim, a urgente necessidade de mudanças e conversões.
Quem é culpado por não perceber ou não aceitar
o caminho que leva à paz?
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 02/02/2016
eneaspb@gmail.com
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