domingo, 26 de janeiro de 2014

27.- Profeta em posição de alerta.






O profeta

tem a função de alertar,
avisar,
fazer ver a situação em que um povo
ou uma nação inteira está envolvida.

 

O profeta está alerta,
percebendo,
como quem está fora da bolha de ar
em que a nação toda está absorvida. 


A nação
está anestesiada,
acomodada, atrofiada
ou indiferente.

 

O indivíduo humano
que está dentro da geografia da nação
está na mesma situação. 


A rotina
tem o poder de anestesiar. 


A literatura
tem o poder de alienar. 


A palavra lida, as imagens, as avalanches de comunicação atrofiam a capacidade de raciocinar.

 

Tudo que fica na superfície
mostra apenas uma pequena parte.

 

A própria palavra lida,

escutada e transmitida,

pode estar morta

se não houver

o espírito nela,

que a vivifica.


A letra, se não mata,

pode invalidar o conteúdo,

se não estiver associada

à raiz da vida.


Nós humanos,

estamos sujeitos à superficialidade. 


Esta atitude carrega a possibilidade de afastar-nos do aprofundamento, o nível em que percebemos o peso e o vigor da palavra.  


A permanência só na superfície visível funciona como anestésico que provoca um efeito colateral prejudicando a verdade e a nossa dignidade.

 

Não havendo profundidade suficiente, a base fica comprometida, e o edifício conhecerá abalos.


Mas existe ainda a função do profeta que alerta, que desacomoda, que mostra o que precisa ser mostrado. 


A fala do profeta revela o que está oculto aos olhos confusos; olhos ofuscados pela névoa envolvente, névoa da ganância, névoa do egoísmo, névoa do imediatismo. 


Não pensar, não analisar, não escolher entre várias alternativas é um sintoma de falência de vários órgãos vitais. 

 

Estamos todos olhando e avaliando como quem está dentro do mundo, olhando horizontalmente, sem nenhuma profundidade e abertura para o vertical, acima das aparências.

 

O que aparenta

nem sempre é a verdade

esperada e procurada.

 

O profeta quer propor que o olhar seja lá de cima, como quem está vendo o planeta terra, lá das estrelas.

 

O profeta vê os humanos, como formiguinhas, cá embaixo, dirigindo-se para lugares onde não estão os nutrientes vitais, permanentes.

 


O Profeta,
e o poeta,
procuram penetrar
além das aparências.

 

 

Sensibiliza tanto o profeta como o poeta, a indiferença das pessoas, das formiguinhas, diante das realidades visíveis que contém valores. As formiguinhas reagem com atitudes de apatia e até de oposição às realidades invisíveis.

 

Há um “dentro” das coisas que quer comunicar-se, que quer ser descoberto, revelar-se, dar-se a conhecer. Porém, estão codificados.

 

Existem símbolos gritando, exigindo que decifrem seus códigos internos.

 

Decifrar o que está lá dentro exige sensibilidade, atenção, pesquisa, acolhimento, simpatia, adesão, compromisso.

 
Além da superfície está a profundidade, lá onde a raiz capta as energias e transfere para cima, a vitalidade.

 

Tudo o que é grande e maravilhoso no Universo, são dicas, do Cientista Criador-Invisível.
 
Tudo o que é pequeno, invisível a olho nú, também fala Dele.

 

Estamos todos envolvidos por uma literatura que foi aos poucos sendo esvaziada, despersonalizada e  desenraizada da magia, do encanto, do mistério.


Resultado do pouco esforço, a literatura do mundo de hoje pode estar nos mantendo só na superfície.

 

Se a cultura do mundo de hoje é o consumismo, ler muitos livros não significa garimpagem de pérolas preciosas. Pode ser algodão doce, só enchendo a barriga de açúcar artificial.  


Tudo o que fica só nas palavras, nos livros, como letra morta, nos mantém numa rotina, acostumando-nos apenas a ouvir, repetir e a ler as palavras.

 

Estamos nos acostumando a viver no mundo das palavras, no mundo virtual. 

 

Preste atenção ao seu comportamento diário. Veja quanta comunicação chega aos teus olhos e aos teus ouvidos ... Ainda bem que são dois, dois olhos e dois ouvidos. Mas mesmo assim não conseguimos processar tudo, filtrar tudo, e ficar só com o que nos amadurece.


O profeta alerta avisando: de tão prejudicados, não estamos mais nem mesmo reagindo.

 

Faltam profetas, profetas que alertam.  

 

A verdade que o profeta quer revelar é que estamos escravizados.

 

Escravos da literatura, de tudo aquilo que está circulando nos meios de comunicação visual, escrita, virtual ...  

 

 

Vejam quanta resistência opomos quando nos pedem que deixemos as cadeiras macias em favor dos que tem necessidades especiais ou são mais idosos. Não avaliamos o sacrifício dos mais idosos na demora em levantar-se, arrumar-se, locomover-se.

 

Estamos todos envolvidos na cultura do conforto e do comodismo que desemboca na rotina e leva à acomodação, levando-nos a escolher tudo o que nos convém, sem pensar. 

 

É urgente perceber que a nossa consciência está anestesiada. 


Pensar ativa a consciência.

Se a consciência está dormindo,

não adianta pensar. 


O profeta grita mais alto ainda, para que a consciência acorde. 

 

As opções pelo conforto nos leva a fugir ou a recusar novas responsabilidades.

 

Fugir ou recusar responsabilidades nos mantém parados, estagnados, atrofiados e acomodados. 


Esta opção provoca inconscientemente a nossa falência como seres destinados à evolução.

 

Converter a direção do veículo em direção ao mundo do invisível, eis aqui o alerta do Profeta.

 

A insistência do profeta sempre foi alertar para a conversão.

 

As ciências falam, buscam e insistem em evolução.

 

Mas que adianta alertar se nossos feitos estão com defeitos. 

 

O Profeta se manifesta com a finalidade de tirar o pano de cima, tirar a poeira que altera a cor da profundidade.

 

O profeta procura despertar a sensibilidade que anseia pela verdade e aproveita para cutucar as resistências e penetrar na casca dura, petrificada.

 

Cada ser humano guarda dentro de si

um personagem divino.

 

O personagem humano que cada um é

manifesta-se naturalmente.

 

O personagem divino

que existe dentro de cada um de nós,

ainda está sufocado,

querendo libertar-se

e exprimir-se

para além das suas próprias fronteiras.

 

Este é o papel do profeta: anunciar aquele que é maior do que o próprio profeta.


Você, leitor, é aquele que o profeta esta procurando para dizer que você ainda ignora o talento natural de filho e herdeiro do dono dos céus. 


Você não está habituado a conviver com os valores do mundo invisível.

 

Por isso, você sofre.

 

De novo, o profeta alerta: Se você está chorando, sofrendo, desnorteado, confuso, triste e desmotivado, então chore, porque tudo vai ser destruído, por tua própria culpa porque não soube perceber nem avaliar o apelo do Deus Pai através das ações, palavras e testemunho dos profetas, nem avaliar o apelo do Deus Pai Misericordioso dentro dos fatos e dentro da sua própria Criação. 

 

Espera-se que o leitor possa perceber que existe sim, a urgente necessidade de mudanças e conversões.

 

Quem é culpado por não perceber ou não aceitar o caminho que leva à paz? 

 
Palavras do profeta. profeta com letras minúsculas.
 

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski                  

Atualizado em 02/02/2016
eneaspb@gmail.com
 
 

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