Heipo é o personagem
humano
que carrega escondido
um personagem que já é eterno.
O Heipo é você por dentro.
É aquele ser que não está
totalmente
visível na aparência.
Não está totalmente visível,
mas é potencialmente
capaz de manifestar-se
e palpita dentro de cada um.
Somos de vez em quando como os mendigos,
andarilhos pela vida, às vezes artistas produzindo shows e algumas vezes como
os anjos celestiais, escondidos, carregados de tesouros invisíveis.
Atrás da aparência esconde-se o verdadeiro
personagem. Pode ser que o mendigo seja um artista, ou um anjo, os seja
simplesmente o herdeiro de uma grande fortuna.
A viagem já foi
iniciada lá atrás, há mais de 14 bilhões de anos.
E cada mendigo, cada Heipo, possui uma fortuna avaliada em 14 bilhões, mas
que infelizmente nem sempre sabe gastar.
A viagem continua.
Não obstante todas as riquezas conquistadas, ainda
estamos vivendo como mendigos, isto é, como aqueles que desconhecem ou não
escolheram os caminhos para onde direcionar os passos e projetos.
Muita gente não
acredita, mas há algumas mensagens afirmando que cada um de nós, mendigos e andarilhos,
ou artistas, somos herdeiros de uma imensa fortuna.
O homem e a mulher,
somos produtos naturais aqui da terra,
mas fomos feitos e planejados
para ser de lá, lá do céu.
Vivenciamos a dimensão humana e terrena
naturalmente.
Despercebidamente, dentro da dimensão terráquea,
existe uma semente, germinando um ser,
projetado para ser eterno.
A
experiência da insatisfação existencial
e a experiência que fazemos da
não-completude
comprovam esta tese.
Existem bilhões de estrelas. Cada estrela é um sol. Se cada sol for o
centro de um mundo, há bilhões de mundos a conhecer. Talvez seja lá, em uma das
estrelas que iremos morar no futuro.
Há um pesadelo que nos atormenta: o medo da morte.
Mas existe também um sonho que dá
sentido ao nosso dormir, com promessa de realização, na vida eterna.
É nesta promessa
e proposta que apostamos nossas fichas de humanos fracos, mortais, andarilhos,
porém, com perspectivas de que a morte seja apenas a porta de entrada por onde
o espiritual ou o corpo espiritualizado entrará para sempre.
Então, não é aqui, na terra, a morada definitiva.
Eu
bem que desconfiava.
É
lá no céu que está nosso destino final.
O ideal é
que cada ser humano que vive neste planeta Terra, tome consciência do projeto
de que cada um é herdeiro dos céus.
Se é um projeto, cada um tem que envolver-se nele.
O
ideal para cada um de nós é efetuar a leitura da natureza toda, do infinito
cosmos e de tudo o que existe em nossa volta, como feito para nós, para cada um
de nós. É a herança já disponibilizada, antecipadamente.
É um ideal a ser
procurado, relacionando-nos com tudo o que de bom existe, destinado para a
leitura, descoberta, assimilação e curtição.
O Heipo
representa neste livro o que de melhor existe em cada um de nós.
As esperanças, expectativas, sonhos, ideais e
promessas que levamos dentro daquilo que ainda, em grande parte, se apresenta
como mistério, são componentes bons que carregamos.
A vida do mendigo humano é um mistério que vai sendo
decifrado aos poucos.
Aos poucos, devido às
dificuldades para decifrar os segredos da natureza e do cosmos.
Aos poucos, devido à
nossa natureza racional e às resistências quanto ao mundo invisível.
Lentamente vamos adquirindo e desenvolvendo as
capacidades que revelam que somos mais do que aparentamos e que fomos feitos
para algo mais.
A condição de mendigo, é para pouco
tempo.
É só o tempo necessário para perceber que somos fracos e que precisamos da
ajuda externa para evoluirmos para a fase definitiva.
O Heipo é
o tipo de personagem criado e destinado para viver aqui, mais ou menos do jeito
que viveremos lá.
De certa forma, o Heipo quer ser o
profeta ou a profetisa da esperança.
A esperança se propõe ser a porta que
abre para o infinito.
O Heipo pode ainda
estar dormindo ou já está desperto de alguma forma, em tudo aquilo que de bom
há em cada um de nós ou como potencialidade ou capacidade de melhorar.
Aqui o Heipo assimila e
se alimenta de todos os valores que ultrapassam a racionalidade lógica.
Depois, quase
explode de alegria por todas estas potencialidades e capacidades escondidas
embaixo da poeira da rotina.
A velocidade com que passamos
pelo mundo nos prejudica.
Não darmos a chance de pousar nossos olhos
na contemplação de tantos tesouros escondidos lá dentro ou na profundidade
deste grande dom que temos, que é a vida.
Destreinados e pouco educados,
insistimos em viver como mendigos. Mendigos tristes.
Extraordinária visão é ver, assistir um mendigo alegre, dançando,
pulando, saltitando. Você já viu? Mas tem. Preste atenção e verá.
Como uma
tartaruga nos movemos.
Lentamente se degustam melhor os sabores e os valores.
Não se deixe levar pela
pressa, pois ela te desviará e te roubará os valores da profundidade.
O que nos
distingue como seres humanos é a superação das dificuldades.
E o que nos caracteriza como seres em
evolução é a busca das soluções, usando as múltiplas ferramentas que temos na
mochila da criatividade.
Existe em nós um
impulso, uma força que nos desacomoda e nos projeta para além dos problemas ou
dificuldades que se apresentam.
Os relatos da história e da evolução
testemunham este poderio do ser humano dotados de racionalidade, afetividade e
espiritualidade. Graças a estas ferramentas, evoluímos.
A
alegria é o equilíbrio.
A tristeza é o desequilíbrio.
A alegria vem como resultado das nossas
conquistas.
A tristeza é situação em que nos encontramos quando algo
não foi alcançado ou conquistado. É o resultado de um desejo não
satisfeito. Uma meta não realizada.
Mesmo que aconteçam momentos de tristeza, a
esperança e as forças permanecem ativas porque acreditamos no potencial de superação.
Alguma vez na sua vida, tiveste vontade de gritar bem alto, com todas as
forcas, extravasando sentimento de completude, de total satisfação? E se
já aconteceu este impulso, conseguistes ser original, expressando este sentimento?
Pois é assim que o Heipo se expressa.
Quando um jogador de futebol faz um gol, veja em seu semblante, a
expressão de alegria.
Reveja ou relembre as expressões dos goleadores, dos fazedores de
gol, no futebol e na vida. Relembre alguns gols que já fizestes em sua vida.
Reveja, reflita, pense,
analise e avalie quando a alegria aparece como consequência. Avalie todo o
contexto anterior, o cenário, as lutas e esforços necessários para que a
alegria chegue como consequência.
Quando um tenista
completa os pontos e encerra a partida com vitória, o cansaço é recompensado
pelo grito comemorativo da conquista.
É o Heipo
expressando-se.
Quando um maratonista
completa o percurso, é o Heipo que completa.
Quando fazemos
aniversário, é o Heipo aniversariando.
Quando nasce um filho ou
um neto, é o Heipo que renasce.
Quando tiramos nota dez
num trabalho escolar, é o Heipo recompensado.
Quando somos
reconhecidos e elogiados pelo nosso trabalho, enfim, quanto momento já
experimentou e que mereceram o grito: Heeeeeiiipooooooo. Faça este teste. Grite
bem alto, extravase o gigante que está dentro e você. Deixe ele sair.
Este é um personagem que
existe em cada um de nós. Não morto, talvez dormindo ou despertando. Sabemos
que ele existe porque o sentimos e o expressamos.
O Heipo é um personagem
humano ou é um tipo de manifestação do ser humano que sente, pensa, avalia e se
comove.
O Heipo escolhe uma
maneira de ser que se caracteriza como filosofia de vida bondosa, compreensiva,
companheira, dialogante, atenciosa e complementar.
A alegria vem como
resposta, como consequência, ou prêmio ou como resultado.
O Heipo é hum mano.
Perceba a soma das palavras um + mano. Quer dizer, um irmão, na nossa língua
portuguesa.
Humano também porque nós, seres racionais, somos definidos e conhecidos como
humanos, carregados de faculdades e capacidades que nos distinguem dos animais
e, ao mesmo tempo, nos projetam para uma dimensão maior, acoplada à nossa
natureza, que é a estupenda experiência da vida do espírito inserido na vida
corporal.
Perceba como não é o
oposto: falamos de vida espiritual no corpo. Não falamos de vida corporal no
espírito.
Não, nem uma nem outra é correta. A experiência que fazemos é de unidade.
Somos uma vida, sem distinguir e separar corpo de espírito ou espírito de
corpo. Este é um dos propósitos bem claros da pedagogia que este texto carrega:
fazer a experiência da unidade, eliminando ou superando toda origem ou
causas de divisão.
Uma das metas do Heipo é procurar os meios para recuperar a inocência e a
originalidade. É fazer a experiência de unidade substancial. A experiência da
divisão nos diminui e reduz nosso potencial. O desafio que o Heipo faz é
provocar e direcionar para a busca da unidade.
A dimensão espiritual na
qual a natureza humana está enxertada é extraordinária.
Nesta riqueza é que o personagem Heipo quer investir, pesquisar e acima de tudo
vivenciar.
Transformar o mendigo triste num herdeiro alegre, superando, através da
conquista da sabedoria, os bens a que temos direito, disponíveis desde já.
A espiritualidade é a
dimensão superior equipada com a potência de superação das imperfeições de
todas as nossas capacidades humanas.
No corpo, experimentamos limitações, limites e portas fechadas.
Nas faculdades espirituais, habita potencialmente, expectativas, esperanças,
desejos infinitos e portas abertas.
A espiritualidade é este
espírito, este motor adicional que nos capacita a pensamentos e ações de
superação de fases e etapas. É o motor da evolução.
A dimensão espiritual
nos capacita para as conquistas de outros reinos.
A constatação de a
pessoa humana ser dotada de uma alma disponibiliza recursos extraordinários
pelos quais superamos quaisquer outros obstáculos da natureza animal e humana.
É a alma que caracteriza
e capacita o ser humano-animal a superar a sua própria natureza humana.
Este texto, em todas as linhas e entrelinhas, quer ser amigo, quer demonstrar a
natureza divina escondida como semente, dentro da natureza humana.
O herdeiro terá de aperfeiçoar-se para ter condições de administrar sabiamente
a fortuna que já herdou.
Cabe-nos a tarefa de
interpretar personagens humanos, que desenvolveram plenamente suas capacidades,
oferecendo aos olhos dos outros nossos irmãos, o que possa haver de mais belo,
comovente, entusiasmador, motivador e mensageiro de complementação, não obstante
as limitações e incompletude atual.
Nós humanos não
conseguimos experimentar ainda um limite para nossas capacidades espirituais.
Jamais encontramos
alguém que tenha dito: já atingi o limite das minhas capacidades.
A limitação faz parte da
experiência humana.
Felizmente não existem limitação ou barreiras instransponíveis.
As limitações são desafios e provocações.
As limitações existiriam caso não fôssemos equipados com as faculdades e
capacidades espirituais.
As ferramentas que temos
são capazes de superar qualquer limitação ou trave, ou parede, ou muro.
A história da humanidade
prova: estamos sempre em via e condições de aperfeiçoamento.
Esse é o nosso destino:
estarmos destinados à perfeição, pois que somos imagem e semelhança com o nosso
Pai e, além de tudo, Criador de tudo o que é e cabe dentro do universo. E, como
filhos, é natural que tenhamos alguns traços da personalidade do nosso Pai.
O Heipo é aquela parte
que tem sede de ser aperfeiçoada.
Nasceu fraco, incompleto e imperfeito, mas se sente capaz de se fortalecer. É
capaz de aprender esta possibilidade e até de construir novas ferramentas.
O Heipo é simplesmente
humano com possibilidades de adquirir capacidades supra-humanas.
É um humano simples, mas é ao mesmo tempo um divino composto de três naturezas:
animal, humana e divina.
Percebemos a
característica superior na pessoa humana quando ela demonstra ter consciência
dos valores que lhe são próprios, como a capacidade de poder ser especial.
Experimentamos
limitações e fragilidades, mas mesmo assim, persistimos.
Obstáculos provocam e despertam nossas forças.
O Heipo é o ser humano consciente de estar equipado com capacidades superiores
e espirituais que possibilitam a prática do aperfeiçoamento constante e
ilimitado.
Estas percepções nos
fazem sentir o que é ser herdeiro dos bens do nosso Pai; fazem-nos sentir o que
é estar equipados com todos os talentos e poderes do dono da empresa.
O Heipo é uma das melhores
e maiores expressões do ser humano.
É aquela capacidade que existe em cada um de nós com possibilidade de crescer
até o infinito.
Possuímos uma força
interior semelhante a uma semente: explodimos de dentro para fora.
Somos uma potência para
nós, e para os outros.
E é a exteriorização do
que é bom em nós que faz bem e contagia as pessoas que estão próximas.
É por isso que gostamos
internamente e demonstramos externamente o amor que existe em nós.
Por isso, encantamo-nos e nos apaixonamos e nos tornamos amáveis.
Demonstramos a capacidade do amor afetivo com atitudes carinhosas, olhares
bondosos e compreensivos. E, mais, dessa forma, servimos, somos úteis,
acompanhando e completando os que convivem conosco.
É por isso que olhamos e
admiramos, escutamos e expressamos alegria.
A força interior e o que
temos de bom dentro de nós é o que queremos cultivar.
O Heipo é o que de melhor existe em nós. É esta dimensão que necessita ser
alimentada, cultivada e vivida.
É no nosso interior que
temos a fonte do amor, a fonte da bondade, da admiração. É lá que nascem as
boas intenções e os primeiros passos para a ação.
Não tem água que sacie
nossa sede.
Estamos sempre em busca de uma fonte definitiva, que sacie a sede insaciável
que existe em nós. Esta é a dimensão invisível que, como motor de arranque,
está acionado desde nosso nascimento, à espera do momento em que pegará mais
velocidade.
Como humanos,
experimentamos e sentimos ainda muitas barreiras.
Mas não nos concentramos nelas.
Concentramo-nos nas nossas possibilidades e nas capacidades de vencer estes
obstáculos.
Somos maiores que qualquer problema, humanamente falando.
O humano que vemos é a casca.
O Heipo que não vemos, é o herdeiro escondido nos trajes de mendigo.
O Heipo enfrenta
situações desagradáveis, mas não enterra a cabeça na areia; não foge e não se
entrega, mesmo que no agir encontre resistências e limitações.
O Heipo supera-se,
porque se motiva e se encanta.
Deixa-se atrair pelas estrelas e pelo infinito.
Não é porque as estrelas
estejam longe que deixamos de pesquisá-las.
Não é porque as estrelas estejam fora do nosso alcance que vamos ignorá-las ou
desprezá-las.
Sabemos que elas existem.
Se for para lá que sonhamos viajar,
das estrelas queremos
nos aproximar.
Existe nas estrelas a
força da atração.
Por que será que elas
atraem?
O Heipo é a melhor parte
que existe em cada um de nós.
O Heipo gosta de receber
cuidados especiais.
Ele quer ser cultivado
em sua própria personalidade,
para sentir-se mais
completo,
e encontre sentido ou
razão de existir,
e sinta-se como uma
lâmpada
que a tudo e a todos
clareia
e facilita o andar.
É possível incentivar o
Heipo a expressar-se.
Primeiramente é
necessário plantá-lo,
replantá-lo, aguá-lo e
alimentá-lo
com as vitaminas
próprias,
leitura e convivência
com outros Heipos.
Como o cultivo de
flores,
hortaliças, verduras e
plantas,
é necessário cultivar e
dar assistência
às necessidades de vida
destes elementos.
O Heipo quer voar, sem ter asas.
Quer pular por cima das montanhas,
mas tem pés e peso.
Não, não tem asas, ainda,
mas pelo pensamento, já se antecipou.
Não é bom experimentar esta possibilidade?
Esta liberdade?
Esta estupenda e possível realidade?
Voar com o pensamento,
atravessar distância e fronteiras,
com o dom da liberdade espiritual?
O Heipo emociona-se.
Possui sentimentos e
emoções.
É humano, chora, ri,
canta, grita, pula e corre.
Anda na chuva.
Pisa descalço no chão,
na lama, na pedra lisa,
na areia,
nas trilhas das matas,
na calçada e no asfalto.
Não tem chão que o Heipo
não pise.
E onde pisa, conquista.
O Heipo é aquela parte
do ser humano
que se manifesta com
alegria,
com entusiasmo,
com brilho nos olhos
e com carinho nos
gestos.
É vibrante.
O Heipo, capacitado com
o dom da visão,
aperfeiçoado pela
contemplação,
pode ver onde se
encontra o calor humano,
onde há receptividade,
abertura e bondade,
amor e carinho e um
mundo de fantasias,
riso, música, dança e
brincadeiras,
com o bom humor.
É um olhar atento, contemplando o outro,
vendo tudo e todos, com deslumbramento,
entusiasmo e vibração.
O Heipo é aquela parte
inocente,
sem censura pessoal,
grupal e social,
que se manifesta com o
coração
e com a simplicidade.
Aprendeu a ler a frase
invisível
que está escrita na
testa de cada pessoa humana:
‘olhe para mim, me dê atenção e note
que eu existo’.
O Heipo é autêntico,
transparente e natural.
Conhece-se profundamente
e por isso não mente.
É coerente.
Sabe que cada ser é uma
realidade
que quer ser descoberta,
conhecida,
reconhecida e amada.
No Heipo há um charme
querendo cativar.
Há um convite no olhar.
Há uma intimação materna
e uma autoridade paterna
impondo as leis do amor
como critério único
para todos os irmãos.
O Heipo manifesta-se
quando ultrapassa
os limites culturais,
geográficos e corporais
pelo pensar sem
barreiras,
pelo querer sem
preconceitos,
pelo sentir-se livre
qual ave nos céus.
O Heipo possui espírito.
Tem alma.
O Heipo vê as coisas com
deslumbramento,
com emoção, com
entusiasmo e vibração,
porque vê o interior, e
além das aparências,
vê o Pai Criador na
origem de tudo,
de onde vieram todos os
valores.
O Heipo consegue ver a
realidade invisível,
dentro de cada ser.
Sabe que lá dentro há
uma alma,
uma centelha divina,
uma semente-mensagem do
Paizão do céu.
O Heipo é a criança que
se manifesta na pessoa adulta.
É aquela parte do adulto
que permaneceu criança.
É aquela parte da
criança que permaneceu inocente,
íntegra e original.
A maioria de nós,
adultos, é tão assustada, tão civilizada que acabamos inventando disfarces e
máscaras para nós mesmos e saímos pela vida com um ar sério, agindo com
imponência. Chamamos a isso, ser adultos. Eis nós aí adultos, com nosso trajar
adulto, ocupados com serviços adultos, apressando os pequeninos para que venham
para o mundo dos adultos, o mais depressa possível. Querendo que venham para
onde estamos, como se o nosso estilo de viver seja o estilo ideal e perfeito.
O Heipo é simples.
Sim, você já percebeu:
nós, humanos,
deixamos de ser simples.
Perdemos a simplicidade,
a beleza, a transparência.
Perdemos a
originalidade.
Estamos desequilibrados.
Deixamos de dar
importância
ao eixo que equilibra a
vida ideal.
Deixamos de ser
admirados.
Não somos mais os
ídolos,
nem despertamos paixões
nos pequeninos.
Perdemos qualquer coisa
que nos despersonalizou, desviando-nos do rumo certo.
O que é que anda errado
no nosso mundo de adultos? Por que admiramos e invejamos o mundo das crianças?
Por que deixamos de brincar com as crianças? Por que queremos que as crianças e
os jovens venham para nosso mundo de adultos?
As crianças, os
adolescentes e os jovens, já com boa carga de conhecimentos adquirida, na sua
natural teimosia, percebem em nossos semblantes algo incoerente, e se assustam,
opondo resistências.
Com extraordinária
clarividência, as crianças e os jovens nos perguntam: Que mundo é este de
vocês, adultos, que querem que nós passemos para ele? O que tem de bom e
promissor por aí?
E o mundo infantil opõe
resistências, porque não há muitos atrativos e, além de tudo, testemunhamos
pouca alegria por estar no mundo adulto.
Quem está certo? Nós
adultos ou as crianças, os adolescentes e jovens?
Fomos crescendo,
crescendo, e crescemos até demais aos nossos próprios olhos.
Chegamos a um estágio do
conhecimento que provocou um efeito colateral: fizemo-nos racionalistas em dose
exagerada e nos impomos mais como semideuses do que como herdeiros conscientes
de uma herança eterna.
É tendência de a pessoa
humana justificar ou achar desculpas quando não entende ou quando não consegue
alguma coisa.
Acabamos percebendo
quanto mal nos fizemos, humilhando ou sufocando nossas capacidades afetivas,
desequilibrando nosso emocional sob o domínio do racional. Nossas potencias
racionais são quase perfeitas, mas esbarram ainda no mistério, no invisível, no
desconhecido, no não compreensível.
Estamos preocupados
demais com o desenvolvimento das nossas capacidades intelectivas, racionais,
mentais, econômicas, financeiras e produtivas, todas voltadas e relacionadas
para a conjugação do verbo ter. Tornamo-nos ferramentas que se
medem pela eficiência e eficácia.
Não quero dizer que não tem que ser assim. Pode até
ser, mas sem estresse, desgaste, desfalques que levem à mutilação do
Heipo. Sem a falência ou atrofia do essencialmente humano, da
simplicidade, própria das crianças, das brincadeiras, do perder-tempo com
coisas essencialmente humanas, com a conjugação do verbo brincar, conjugar
afetividade amorosa, carinhosa, elementos que alimentam as motivações e o
entusiasmo pela vida.
Nascem consequências
negativas e desastrosas para a nossa vida quando não há uma preocupação igual
pelo desenvolvimento das nossas capacidades afetivas e interativas, coracionais
e espirituais. São os efeitos colaterais de uma receita cultural não muito
sábia.
Buscar o equilíbrio e a
harmonia das nossas faculdades de integração é o que sonha o Heipo. O Heipo
sabe disso e quer ser o remédio certo, incorporando vitaminas, apoio, saída,
escape, uma válvula na panela de pressão do mundo ‘novo’.
Teimo em afirmar que
somos uma unidade. Nossa velha mania dualista, separatista, indelevelmente
desorganiza nossa unidade substancial. Busquemos a ocupação de achar a pérola
preciosa da unidade.
O Heipo nasce e renasce
da observação
e da convivência
com as pessoas
portadoras do espírito de infância,
tão raras no passado,
escassas no presente,
e tão necessária para o
futuro.
O Heipo gosta de
expressar-se sem censura
e sem rodeios, pois ele
é autêntico.
Ele é o que aparece por
fora,
revelando o que é por
dentro.
É uma expressão da
unidade interna,
da harmonia conquistada
pela firme decisão de
procurar um ideal
de simplicidade, bondade e de justiça,
valores essenciais,
que são bons para todos.
O Heipo tem o bom-senso
de escolher o que é bom,
útil, simples e alegre,
e continuar cultivando a
criança na criança,
cultivando e mantendo o
espírito de criança no jovem,
imitando a criança no
homem e na mulher,
cheios de vida, nos anos
vividos.
Os Heipos serão
necessários para o futuro.
Mas já existem alguns
Heipos que vieram do futuro
e estão residindo no
presente,
neste tempo, que
chamamos agora,
nesta época que se chama
hoje,
neste hoje que é um
presente,
um presente degustado,
curtido.
Um presente, de um
futuro antecipado.
Um Heipo é um profeta.
Um Heipo é um símbolo da
pessoa humana ideal.
A pessoa humana é
símbolo e imagem do Criador.
O Heipo tem a intenção
de despertar em cada leitor a vontade racional de reconquistar a personalidade
original, perdida ou enroscada em lugares ou objetos que não retribuem energias
de realização.
O Heipo tem a intenção
de demonstrar que fomos adquirindo a malícia e a esperteza como sinônimos de
inteligência. Estes defeitos provocam atitudes de desconfiança e fechamento,
prejudicando o tipo ideal de relacionamento fraterno.
Quanto gostaria de carregar
de valor o Heipo, a tal clareza de compreensão e assimilação que te fizesse
encantar-se por ele.
O Heipo é, na terra, a
imagem da pessoa do Pai do céu. É mais do que símbolo. Se somos imagens do
nosso Pai, quero que vocês percebam o que é ser imagem, comparando com o que é
símbolo. Não sei qual termo carrega mais conteúdo ou qual tem mais força para
percebermos a riqueza de sermos imagem do nosso Pai.
Lendo o livro Os
Sacramentos, liturgia do próximo, do escritor Juan José Tamayo
Acosta, publicado pela Editora Paulus/SP, em 1998, achei importante
transcrever algumas frases para enriquecer este texto: “Um símbolo representa algo que vai além
do seu significado imediato e do alcance da razão. Muitas coisas escapam ao
alcance do conhecimento humano e requerem a mediação do símbolo para a sua
expressão e comunicação. O símbolo remete a experiência, aspirações e níveis
profundos da existência humana e da realidade cósmica inclusive, que não são
expressáveis pela via da razão teórica ou do discurso racional. O símbolo se
caracteriza por possuir um algo a mais de sentido. Acrescenta um novo valor a
uma ação ou a um objeto, até a um personagem, convertendo-o em algo aberto que
leva à profundidade do real. O símbolo torna presente uma ausência e atualiza algo
que não pode ser alcançado, que é impossível de perceber ou não é conhecido. O
específico do símbolo é ser a manifestação do mistério, manifestação do
indizível. O símbolo nos abre para as realidades superiores no seio daquilo que
nos é natural, aponta para a presença no meio da ausência, remete à comunicação
quando se experimenta a solidão. O símbolo nos introduz na ordem cultural,
religiosa e ritual. Em virtude da riqueza e da profundidade do símbolo, há
sempre um fundo ao qual nunca se chega e nem se pode expressar. A riqueza e a
profundidade do símbolo mostram outro elemento fundamental: a variedade e a
pluralidade de significações. O que o símbolo faz é desvendar a face oculta da
realidade, e ao mesmo tempo, velar a realidade para preservar o seu mistério. O
símbolo revela certos aspectos da realidade, os mais profundos, que se negam a
qualquer outro meio de conhecimento. Os símbolos respondem a uma necessidade e
preenchem uma função: pôr a nu as modalidades mais secretas do ser”.
Muito do que somos
revela nosso Criador, nosso Pai.
E muito do que não
conhecemos em nós, e nos outros,
revela a falta de
conhecimento que temos do nosso Criador.
Nós, humanos, já
possuímos duas qualidades de poder infinito: a capacidade de conhecer e a
capacidade de amar. Estas capacidades são melhores experimentadas pelos
cristãos, por aqueles que se consideram de fato, filhos e herdeiros dos bens
Dele. Estas duas capacidades são ilimitadas. Para conhecer nosso Pai Criador, o
Deus Infinito e perfeito, Uno e Amoroso, temos que ter as condições. Só podemos
chegar a este tipo de conhecimento se Ele nos repassar esta capacidade.
Só podemos dizer ‘tal pai, tal filho’, pelas semelhanças que nos
identificam.
Está aqui a confirmação
de que o Heipo é herdeiro dos bens do Paizão dos céus, do universo infinito,
desde já. Temos a capacidade de conhecer, que já é infinita, e a
capacidade de amar sem limites. Estes dois atributos do Deus Pai já
estão à nossa disposição para usarmos. E a terceira qualidade com potencial e
alcance infinito é a capacidade de perdoar.
Nós, humanos, fazemos
parte dos personagens como segundo figurante, sujeitos e objetos de todo o
planejamento e obra da criação. Fomos elevados à dignidade existencial por
sermos imagem e semelhança com o Deus Criador. Ainda mais, carregamos a
dignidade de ser ‘lugar de morada’ do Espírito Santo, do Deus invisível, mas
presente e atuante fora e além do alcance e poder dos nossos olhos materiais.
Somos e fomos criados
para sermos filhos do Pai Eterno e, finalmente, herdeiros das propriedades e
valores celestes. Quer mais do que isto?
Agora não estamos mais
falando em símbolos, mas em participação no plano do Criador. Fazemos parte. Já
temos a participação no Jardim que Ele pediu para administrarmos.
Deixamos de ser criança.
Ganhamos maturidade, mas
perdemos a simplicidade.
Parece que está faltando
um elemento
para percebermos o
tamanho do presente.
Uma condição
que talvez fuja do
natural.
Difícil sim, mas não
impossível:
reavivar a criança
que ainda mora em cada
um de nós.
Reavivar o Heipo.
Como crianças alegres e
divertidas,
poderíamos estar a
desfrutar o presente.
Mas não vemos mais o
presente como um presente,
por isso nosso mundo de
adultos,
não atrai as crianças,
nem os adolescentes e
nem os jovens,
pois nosso mundo de
adultos,
não exerce mais atração,
por termos reduzido o
tempo
e reduzimos também o
tempo e os motivos
de brincar e sorrir.
Qual criança gosta de
entrar no mundo dos adultos?
As crianças olham para
lá.
Lá quase não se brinca.
Lá quase não se dão
gargalhadas gostosas.
Há poucas manifestações
da alegria infantil.
Pedagogicamente não
adianta insistir sobre os desequilíbrios, erros, defeitos e problemas das
pessoas.
Somos humanos e,
por isso, ainda imperfeitos. Se nos concentrarmos na filosofia do Heipo,
estaremos nos concentrando nas possibilidades.
É para frente que
estamos indo e não para o passado.
Do passado aprendemos
como não ser, o que evitar,
do que fugir e no que não se apegar.
Somos portadores de
potências
e forças capazes de
abrir novas estradas.
O Heipo é o espírito de
infância
que não não falece nem
desaparece.
Importantíssimo na
terra,
e tão necessário para
crer no céu
e no Prometedor dos
céus.
O Projeto Heipo está
sendo construído sobre o princípio de que entre todas as criaturas do universo,
o homem e a mulher são os seres mais nobres e especiais da criação.
Temos, portanto, a
missão de revelar e não esconder o que somos.
O processo é evolutivo e
lento. Supõe entrar por este caminho, familiarizar-se com o conhecimento desta
realidade, transformando o conhecimento em convicções e ações.
Portanto, o ser
masculino ou feminino, homem ou mulher, é mais do que aparenta.
Somos filhos do Criador do Universo, filhos e herdeiros de todos os bens que
Ele preparou para nós, como filhos queridos.
Estaremos caminhando
dentro do livro focando a dimensão espiritual e eterna do ser humano.
O ser humano, além da
sobrevivência, busca a transcendência, porque não é daqui. É natural que queira
conhecer e alcançar a sua finalidade última.
O Heipo fundamenta a
grandeza e a dignidade do ser humano, que, consciente ou inconscientemente, não
aceita ser diminuído, excluído, ridicularizado, desprezado ou manipulado,
porque é embaixador e filho do Pai, Criador do Céu e da Terra.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com - 41 98854 5166
Criado em 21/09/2014.
Atualizado em 29/01/2016.
Atualizado em 07/04/2026

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