domingo, 26 de janeiro de 2014

02.- Heipo. O Heipo é filho da dona Terra e do senhor dos Céus.





Heipo é o personagem humano 
que carrega escondido 
um personagem que já é eterno. 


           O Heipo é você por dentro. 

                   É aquele ser que não está 
                    totalmente visível na aparência. 

Não está totalmente visível, 
mas é potencialmente capaz de manifestar-se 
e palpita dentro de cada um. 

          Somos de vez em quando como os mendigos, andarilhos pela vida, às vezes artistas produzindo shows e algumas vezes como os anjos celestiais, escondidos, carregados de tesouros invisíveis.  

         Atrás da aparência esconde-se o verdadeiro personagem. Pode ser que o mendigo seja um artista, ou um anjo, os seja simplesmente o herdeiro de uma grande fortuna.

          A viagem já foi iniciada lá atrás, há mais de 14 bilhões de anos. 
          E cada mendigo, cada Heipo, possui uma fortuna avaliada em 14 bilhões, mas que infelizmente nem sempre sabe gastar.

         A viagem continua. 

      Não obstante todas as riquezas conquistadas, ainda estamos vivendo como mendigos, isto é, como aqueles que desconhecem ou não escolheram os caminhos para onde direcionar os passos e projetos.  
       Muita gente não acredita, mas há algumas mensagens afirmando que cada um de nós, mendigos e andarilhos, ou artistas, somos herdeiros de uma imensa fortuna.  
O homem e a mulher,
somos produtos naturais aqui da terra,
mas fomos feitos e planejados
para ser de lá, lá do céu.

Vivenciamos a dimensão humana e terrena naturalmente.
Despercebidamente, dentro da dimensão terráquea,
existe uma semente, germinando um ser,
projetado para ser eterno.  

A experiência da insatisfação existencial 
e a experiência que fazemos da não-completude 
comprovam esta tese.

                Existem bilhões de estrelas. Cada estrela é um sol. Se cada sol for o centro de um mundo, há bilhões de mundos a conhecer. Talvez seja lá, em uma das estrelas que iremos morar no futuro.
              Há um pesadelo que nos atormenta: o medo da morte. 
           Mas existe também um sonho que dá sentido ao nosso dormir, com promessa de realização, na vida eterna.
         É nesta promessa e proposta que apostamos nossas fichas de humanos fracos, mortais, andarilhos, porém, com perspectivas de que a morte seja apenas a porta de entrada por onde o espiritual ou o corpo espiritualizado entrará para sempre.
              Então, não é aqui, na terra, a morada definitiva.
              Eu bem que desconfiava.
              É lá no céu que está nosso destino final.
           O ideal é que cada ser humano que vive neste planeta Terra, tome consciência do projeto de que cada um é herdeiro dos céus.
            Se é um projeto, cada um tem que envolver-se nele.
             O ideal para cada um de nós é efetuar a leitura da natureza toda, do infinito cosmos e de tudo o que existe em nossa volta, como feito para nós, para cada um de nós. É a herança já disponibilizada, antecipadamente.
         É um ideal a ser procurado, relacionando-nos com tudo o que de bom existe, destinado para a leitura, descoberta, assimilação e curtição.
          O Heipo representa neste livro o que de melhor existe em cada um de nós. 
         As esperanças, expectativas, sonhos, ideais e promessas que levamos dentro daquilo que ainda, em grande parte, se apresenta como mistério, são componentes bons que carregamos. 
       A vida do mendigo humano é um mistério que vai sendo decifrado aos poucos. 
     Aos poucos, devido às dificuldades para decifrar os segredos da natureza e do cosmos. 
      Aos poucos, devido à nossa natureza racional e às resistências quanto ao mundo invisível.
        Lentamente vamos adquirindo e desenvolvendo as capacidades que revelam que somos mais do que aparentamos e que fomos feitos para algo mais. 
            A condição de mendigo, é para pouco tempo.  
           É só o tempo necessário para perceber que somos fracos e que precisamos da ajuda externa para evoluirmos para a fase definitiva. 
           O Heipo é o tipo de personagem criado e destinado para viver aqui, mais ou menos do jeito que viveremos lá. 
            De certa forma, o Heipo quer ser o profeta ou a profetisa da esperança. 
            A esperança se propõe ser a porta que abre para o infinito.
        O Heipo pode ainda estar dormindo ou já está desperto de alguma forma, em tudo aquilo que de bom há em cada um de nós ou como potencialidade ou capacidade de melhorar.
        Aqui o Heipo assimila e se alimenta de todos os valores que ultrapassam a racionalidade lógica.
       Depois, quase explode de alegria por todas estas potencialidades e capacidades escondidas embaixo da poeira da rotina. 
             A velocidade com que passamos pelo mundo nos prejudica. 
          Não darmos a chance de pousar nossos olhos na contemplação de tantos tesouros escondidos lá dentro ou na profundidade deste grande dom que temos, que é a vida. 
            Destreinados e pouco educados, insistimos em viver como mendigos. Mendigos tristes.
Extraordinária visão é ver, assistir um mendigo alegre, dançando, pulando, saltitando. Você já viu? Mas tem. Preste atenção e verá.

            Como uma tartaruga nos movemos.
            Lentamente se degustam melhor os sabores e os valores.
       Não se deixe levar pela pressa, pois ela te desviará e te roubará os valores da profundidade.
           O que nos distingue como seres humanos é a superação das dificuldades. 
          E o que nos caracteriza como seres em evolução é a busca das soluções, usando as múltiplas ferramentas que temos na mochila da criatividade.
          Existe em nós um impulso, uma força que nos desacomoda e nos projeta para além dos problemas ou dificuldades que se apresentam.
         Os relatos da história e da evolução testemunham este poderio do ser humano dotados de racionalidade, afetividade e espiritualidade. Graças a estas ferramentas, evoluímos.
            A alegria é o equilíbrio. 
            A tristeza é o desequilíbrio. 
          A alegria vem como resultado das nossas conquistas. 
      A tristeza é situação em que nos encontramos quando algo não foi alcançado ou conquistado. É o resultado de um desejo não satisfeito. Uma meta não realizada. 
        Mesmo que aconteçam momentos de tristeza, a esperança e as forças permanecem ativas porque acreditamos no potencial de superação.
     Alguma vez na sua vida, tiveste vontade de gritar bem alto, com todas as forcas, extravasando sentimento de completude, de total satisfação?  E se já aconteceu este impulso, conseguistes ser original, expressando este sentimento? 
   Pois é assim que o Heipo se expressa. 
  Quando um jogador de futebol faz um gol, veja em seu semblante, a expressão de alegria. 
   Reveja ou relembre as expressões dos goleadores, dos fazedores de gol, no futebol e na vida. Relembre alguns gols que já fizestes em sua vida.
Reveja, reflita, pense, analise e avalie quando a alegria aparece como consequência. Avalie todo o contexto anterior, o cenário, as lutas e esforços necessários para que a alegria chegue como consequência.
 Quando um tenista completa os pontos e encerra a partida com vitória, o cansaço é recompensado pelo grito comemorativo da conquista. 
É o Heipo expressando-se.
Quando um maratonista completa o percurso, é o Heipo que completa.
Quando fazemos aniversário, é o Heipo aniversariando.
Quando nasce um filho ou um neto, é o Heipo que renasce.
Quando tiramos nota dez num trabalho escolar, é o Heipo recompensado.
Quando somos reconhecidos e elogiados pelo nosso trabalho, enfim, quanto momento já experimentou e que mereceram o grito: Heeeeeiiipooooooo. Faça este teste. Grite bem alto, extravase o gigante que está dentro e você. Deixe ele sair. 
Este é um personagem que existe em cada um de nós. Não morto, talvez dormindo ou despertando. Sabemos que ele existe porque o sentimos e o expressamos.
O Heipo é um personagem humano ou é um tipo de manifestação do ser humano que sente, pensa, avalia e se comove.
O Heipo escolhe uma maneira de ser que se caracteriza como filosofia de vida bondosa, compreensiva, companheira, dialogante, atenciosa e complementar.
A alegria vem como resposta, como consequência, ou prêmio ou como resultado.
O Heipo é hum mano. Perceba a soma das palavras um + mano. Quer dizer, um irmão, na nossa língua portuguesa. 
Humano também porque nós, seres racionais, somos definidos e conhecidos como humanos, carregados de faculdades e capacidades que nos distinguem dos animais e, ao mesmo tempo, nos projetam para uma dimensão maior, acoplada à nossa natureza, que é a estupenda experiência da vida do espírito inserido na vida corporal.
Perceba como não é o oposto: falamos de vida espiritual no corpo. Não falamos de vida corporal no espírito. 
Não, nem uma nem outra é correta. A experiência que fazemos é de unidade. 
Somos uma vida, sem distinguir e separar corpo de espírito ou espírito de corpo. Este é um dos propósitos bem claros da pedagogia que este texto carrega: fazer a experiência da unidade, eliminando ou superando toda origem ou causas de divisão. 
Uma das metas do Heipo é procurar os meios para recuperar a inocência e a originalidade. É fazer a experiência de unidade substancial. A experiência da divisão nos diminui e reduz nosso potencial. O desafio que o Heipo faz é provocar e direcionar para a busca da unidade. 
A dimensão espiritual na qual a natureza humana está enxertada é extraordinária.
Nesta riqueza é que o personagem Heipo quer investir, pesquisar e acima de tudo vivenciar. 
Transformar o mendigo triste num herdeiro alegre, superando, através da conquista da sabedoria, os bens a que temos direito, disponíveis desde já.
A espiritualidade é a dimensão superior equipada com a potência de superação das imperfeições de todas as nossas capacidades humanas. 
No corpo, experimentamos limitações, limites e portas fechadas. 
Nas faculdades espirituais, habita potencialmente, expectativas, esperanças, desejos infinitos e portas abertas.
A espiritualidade é este espírito, este motor adicional que nos capacita a pensamentos e ações de superação de fases e etapas. É o motor da evolução.
A dimensão espiritual nos capacita para as conquistas de outros reinos.
A constatação de a pessoa humana ser dotada de uma alma disponibiliza recursos extraordinários pelos quais superamos quaisquer outros obstáculos da natureza animal e humana.
É a alma que caracteriza e capacita o ser humano-animal a superar a sua própria natureza humana. 
Este texto, em todas as linhas e entrelinhas, quer ser amigo, quer demonstrar a natureza divina escondida como semente, dentro da natureza humana. 
O herdeiro terá de aperfeiçoar-se para ter condições de administrar sabiamente a fortuna que já herdou.
Cabe-nos a tarefa de interpretar personagens humanos, que desenvolveram plenamente suas capacidades, oferecendo aos olhos dos outros nossos irmãos, o que possa haver de mais belo, comovente, entusiasmador, motivador e mensageiro de complementação, não obstante as limitações e incompletude atual.
Nós humanos não conseguimos experimentar ainda um limite para nossas capacidades espirituais.
Jamais encontramos alguém que tenha dito: já atingi o limite das minhas capacidades.
A limitação faz parte da experiência humana. 
Felizmente não existem limitação ou barreiras instransponíveis. 
As limitações são desafios e provocações. 
As limitações existiriam caso não fôssemos equipados com as faculdades e capacidades espirituais.
As ferramentas que temos são capazes de superar qualquer limitação ou trave, ou parede, ou muro. 
A história da humanidade prova: estamos sempre em via e condições de aperfeiçoamento.
Esse é o nosso destino: estarmos destinados à perfeição, pois que somos imagem e semelhança com o nosso Pai e, além de tudo, Criador de tudo o que é e cabe dentro do universo. E, como filhos, é natural que tenhamos alguns traços da personalidade do nosso Pai.
O Heipo é aquela parte que tem sede de ser aperfeiçoada. 
Nasceu fraco, incompleto e imperfeito, mas se sente capaz de se fortalecer. É capaz de aprender esta possibilidade e até de construir novas ferramentas.
O Heipo é simplesmente humano com possibilidades de adquirir capacidades supra-humanas. 
É um humano simples, mas é ao mesmo tempo um divino composto de três naturezas: animal, humana e divina.
Percebemos a característica superior na pessoa humana quando ela demonstra ter consciência dos valores que lhe são próprios, como a capacidade de poder ser especial.
Experimentamos limitações e fragilidades, mas mesmo assim, persistimos. 
Obstáculos provocam e despertam nossas forças. 
O Heipo é o ser humano consciente de estar equipado com capacidades superiores e espirituais que possibilitam a prática do aperfeiçoamento constante e ilimitado.
Estas percepções nos fazem sentir o que é ser herdeiro dos bens do nosso Pai; fazem-nos sentir o que é estar equipados com todos os talentos e poderes do dono da empresa.
O Heipo é uma das melhores e maiores expressões do ser humano. 
É aquela capacidade que existe em cada um de nós com possibilidade de crescer até o infinito.
Possuímos uma força interior semelhante a uma semente: explodimos de dentro para fora.
Somos uma potência para nós, e para os outros.
E é a exteriorização do que é bom em nós que faz bem e contagia as pessoas que estão próximas.
É por isso que gostamos internamente e demonstramos externamente o amor que existe em nós. 
Por isso, encantamo-nos e nos apaixonamos e nos tornamos amáveis. 
Demonstramos a capacidade do amor afetivo com atitudes carinhosas, olhares bondosos e compreensivos. E, mais, dessa forma, servimos, somos úteis, acompanhando e completando os que convivem conosco.
É por isso que olhamos e admiramos, escutamos e expressamos alegria.
A força interior e o que temos de bom dentro de nós é o que queremos cultivar. 
O Heipo é o que de melhor existe em nós. É esta dimensão que necessita ser alimentada, cultivada e vivida.
É no nosso interior que temos a fonte do amor, a fonte da bondade, da admiração. É lá que nascem as boas intenções e os primeiros passos para a ação.
Não tem água que sacie nossa sede. 
Estamos sempre em busca de uma fonte definitiva, que sacie a sede insaciável que existe em nós. Esta é a dimensão invisível que, como motor de arranque, está acionado desde nosso nascimento, à espera do momento em que pegará mais velocidade. 
Como humanos, experimentamos e sentimos ainda muitas barreiras. 
Mas não nos concentramos nelas. 
Concentramo-nos nas nossas possibilidades e nas capacidades de vencer estes obstáculos. 
Somos maiores que qualquer problema, humanamente falando.  
O humano que vemos é a casca. 
O Heipo que não vemos, é o herdeiro escondido nos trajes de mendigo.
O Heipo enfrenta situações desagradáveis, mas não enterra a cabeça na areia; não foge e não se entrega, mesmo que no agir encontre resistências e limitações.
O Heipo supera-se, porque se motiva e se encanta.
 Deixa-se atrair pelas estrelas e pelo infinito.
Não é porque as estrelas estejam longe que deixamos de pesquisá-las. 
Não é porque as estrelas estejam fora do nosso alcance que vamos ignorá-las ou desprezá-las. 
Sabemos que elas existem. 

Se for para lá que sonhamos viajar, 
das estrelas queremos nos aproximar.

Existe nas estrelas a força da atração.
Por que será que elas atraem?

O Heipo é a melhor parte
que existe em cada um de nós.

O Heipo gosta de receber cuidados especiais.

Ele quer ser cultivado em sua própria personalidade,
para sentir-se mais completo,
e encontre sentido ou razão de existir,
e sinta-se como uma lâmpada
que a tudo e a todos clareia
e facilita o andar.

É possível incentivar o Heipo a expressar-se.
Primeiramente é necessário plantá-lo,
replantá-lo, aguá-lo e alimentá-lo
com as vitaminas próprias,
leitura e convivência
com outros Heipos.

Como o cultivo de flores,
hortaliças, verduras e plantas,
é necessário cultivar e dar assistência
às necessidades de vida destes elementos.

O Heipo quer voar, sem ter asas.

Quer pular por cima das montanhas,
mas tem pés e peso.

Não, não tem asas, ainda,
mas pelo pensamento, já se antecipou.


Não é bom experimentar esta possibilidade?
Esta liberdade?
Esta estupenda e possível realidade?

Voar com o pensamento,
atravessar distância e fronteiras,
com o dom da liberdade espiritual?

O Heipo emociona-se.

Possui sentimentos e emoções.

É humano, chora, ri, canta, grita, pula e corre.

Anda na chuva.

Pisa descalço no chão,
na lama, na pedra lisa, na areia,
nas trilhas das matas,
na calçada e no asfalto.


Não tem chão que o Heipo não pise.
E onde pisa, conquista.


O Heipo é aquela parte do ser humano
que se manifesta com alegria,
com entusiasmo,
com brilho nos olhos
e com carinho nos gestos.

É vibrante.

O Heipo, capacitado com o dom da visão,
aperfeiçoado pela contemplação,
pode ver onde se encontra o calor humano,
onde há receptividade, abertura e bondade,
amor e carinho e um mundo de fantasias,
riso, música, dança e brincadeiras,
com o bom humor.


É um olhar atento, contemplando o outro,
vendo tudo e todos, com deslumbramento,
entusiasmo e vibração.


O Heipo é aquela parte inocente,
sem censura pessoal, grupal e social,
que se manifesta com o coração 
e com a simplicidade.

 
Aprendeu a ler a frase invisível
que está escrita na testa de cada pessoa humana:
olhe para mimme dê atenção e note que eu existo’.


O Heipo é autêntico,
transparente e natural.

Conhece-se profundamente e por isso não mente.

É coerente.

Sabe que cada ser é uma realidade
que quer ser descoberta, conhecida,
reconhecida e amada.

No Heipo há um charme querendo cativar.

Há um convite no olhar.

Há uma intimação materna
e uma autoridade paterna
impondo as leis do amor como critério único
para todos os irmãos.

 
O Heipo manifesta-se
quando ultrapassa
os limites culturais,
geográficos e corporais
pelo pensar sem barreiras,
pelo querer sem preconceitos,
pelo sentir-se livre qual ave nos céus.

O Heipo possui espírito.

Tem alma.

O Heipo vê as coisas com deslumbramento,
com emoção, com entusiasmo e vibração,
porque vê o interior, e além das aparências,
vê o Pai Criador na origem de tudo,
de onde vieram todos os valores.

O Heipo consegue ver a realidade invisível,
dentro de cada ser.
Sabe que lá dentro há uma alma,
uma centelha divina,
uma semente-mensagem do Paizão do céu.

O Heipo é a criança que se manifesta na pessoa adulta.

É aquela parte do adulto que permaneceu criança.

É aquela parte da criança que permaneceu inocente,
íntegra e original.

A maioria de nós, adultos, é tão assustada, tão civilizada que acabamos inventando disfarces e máscaras para nós mesmos e saímos pela vida com um ar sério, agindo com imponência. Chamamos a isso, ser adultos. Eis nós aí adultos, com nosso trajar adulto, ocupados com serviços adultos, apressando os pequeninos para que venham para o mundo dos adultos, o mais depressa possível. Querendo que venham para onde estamos, como se o nosso estilo de viver seja o estilo ideal e perfeito.
O Heipo é simples.

Sim, você já percebeu: nós, humanos, 
deixamos de ser simples.

Perdemos a simplicidade, a beleza, a transparência.

Perdemos a originalidade.

Estamos desequilibrados.

Deixamos de dar importância
ao eixo que equilibra a vida ideal.

Deixamos de ser admirados.

Não somos mais os ídolos,
nem despertamos paixões nos pequeninos.

Perdemos qualquer coisa que nos despersonalizou, desviando-nos do rumo certo.
O que é que anda errado no nosso mundo de adultos? Por que admiramos e invejamos o mundo das crianças? Por que deixamos de brincar com as crianças? Por que queremos que as crianças e os jovens venham para nosso mundo de adultos?
As crianças, os adolescentes e os jovens, já com boa carga de conhecimentos adquirida, na sua natural teimosia, percebem em nossos semblantes algo incoerente, e se assustam, opondo resistências.
Com extraordinária clarividência, as crianças e os jovens nos perguntam: Que mundo é este de vocês, adultos, que querem que nós passemos para ele? O que tem de bom e promissor por aí?
E o mundo infantil opõe resistências, porque não há muitos atrativos e, além de tudo, testemunhamos pouca alegria por estar no mundo adulto.
Quem está certo? Nós adultos ou as crianças, os adolescentes e jovens?
Fomos crescendo, crescendo, e crescemos até demais aos nossos próprios olhos.
Chegamos a um estágio do conhecimento que provocou um efeito colateral: fizemo-nos racionalistas em dose exagerada e nos impomos mais como semideuses do que como herdeiros conscientes de uma herança eterna.
É tendência de a pessoa humana justificar ou achar desculpas quando não entende ou quando não consegue alguma coisa.
Acabamos percebendo quanto mal nos fizemos, humilhando ou sufocando nossas capacidades afetivas, desequilibrando nosso emocional sob o domínio do racional. Nossas potencias racionais são quase perfeitas, mas esbarram ainda no mistério, no invisível, no desconhecido, no não compreensível.
Estamos preocupados demais com o desenvolvimento das nossas capacidades intelectivas, racionais, mentais, econômicas, financeiras e produtivas, todas voltadas e relacionadas para a conjugação do verbo ter.  Tornamo-nos ferramentas que se medem pela eficiência e eficácia.
      Não quero dizer que não tem que ser assim. Pode até ser, mas sem estresse, desgaste, desfalques que levem à mutilação do Heipo.  Sem a falência ou atrofia do essencialmente humano, da simplicidade, própria das crianças, das brincadeiras, do perder-tempo com coisas essencialmente humanas, com a conjugação do verbo brincar, conjugar afetividade amorosa, carinhosa, elementos que alimentam as motivações e o entusiasmo pela vida.
Nascem consequências negativas e desastrosas para a nossa vida quando não há uma preocupação igual pelo desenvolvimento das nossas capacidades afetivas e interativas, coracionais e espirituais.  São os efeitos colaterais de uma receita cultural não muito sábia.
Buscar o equilíbrio e a harmonia das nossas faculdades de integração é o que sonha o Heipo. O Heipo sabe disso e quer ser o remédio certo, incorporando vitaminas, apoio, saída, escape, uma válvula na panela de pressão do mundo ‘novo’. 
Teimo em afirmar que somos uma unidade. Nossa velha mania dualista, separatista, indelevelmente desorganiza nossa unidade substancial. Busquemos a ocupação de achar a pérola preciosa da unidade.

O Heipo nasce e renasce da observação
e da convivência
com as pessoas portadoras do espírito de infância,
tão raras no passado,
escassas no presente,
e tão necessária para o futuro.


O Heipo gosta de expressar-se sem censura
e sem rodeios, pois ele é autêntico.

Ele é o que aparece por fora,
revelando o que é por dentro.


É uma expressão da unidade interna,
da harmonia conquistada
pela firme decisão de procurar um ideal 
de simplicidade, bondade e de justiça,
valores essenciais,
que são bons para todos.


O Heipo tem o bom-senso de escolher o que é bom,
útil, simples e alegre,
e continuar cultivando a criança na criança,
cultivando e mantendo o espírito de criança no jovem,
imitando a criança no homem e na mulher,
cheios de vida, nos anos vividos.

Os Heipos serão necessários para o futuro.

Mas já existem alguns Heipos que vieram do futuro
e estão residindo no presente,
neste tempo, que chamamos agora,
nesta época que se chama hoje,
neste hoje que é um presente,
um presente degustado, curtido.
Um presente, de um futuro antecipado.

Um Heipo é um profeta.

Um Heipo é um símbolo da pessoa humana ideal.

A pessoa humana é símbolo e imagem do Criador.

O Heipo tem a intenção de despertar em cada leitor a vontade racional de reconquistar a personalidade original, perdida ou enroscada em lugares ou objetos que não retribuem energias de realização.
O Heipo tem a intenção de demonstrar que fomos adquirindo a malícia e a esperteza como sinônimos de inteligência. Estes defeitos provocam atitudes de desconfiança e fechamento, prejudicando o tipo ideal de relacionamento fraterno.
Quanto gostaria de carregar de valor o Heipo, a tal clareza de compreensão e assimilação que te fizesse encantar-se por ele.
O Heipo é, na terra, a imagem da pessoa do Pai do céu. É mais do que símbolo. Se somos imagens do nosso Pai, quero que vocês percebam o que é ser imagem, comparando com o que é símbolo. Não sei qual termo carrega mais conteúdo ou qual tem mais força para percebermos a riqueza de sermos imagem do nosso Pai.
Lendo o livro Os Sacramentos, liturgia do próximo, do escritor Juan  José Tamayo Acosta, publicado pela Editora Paulus/SP, em 1998, achei importante transcrever algumas frases para enriquecer este texto:  “Um símbolo representa algo que vai além do seu significado imediato e do alcance da razão. Muitas coisas escapam ao alcance do conhecimento humano e requerem a mediação do símbolo para a sua expressão e comunicação. O símbolo remete a experiência, aspirações e níveis profundos da existência humana e da realidade cósmica inclusive, que não são expressáveis pela via da razão teórica ou do discurso racional. O símbolo se caracteriza por possuir um algo a mais de sentido. Acrescenta um novo valor a uma ação ou a um objeto, até a um personagem, convertendo-o em algo aberto que leva à profundidade do real. O símbolo torna presente uma ausência e atualiza algo que não pode ser alcançado, que é impossível de perceber ou não é conhecido. O específico do símbolo é ser a manifestação do mistério, manifestação do indizível. O símbolo nos abre para as realidades superiores no seio daquilo que nos é natural, aponta para a presença no meio da ausência, remete à comunicação quando se experimenta a solidão. O símbolo nos introduz na ordem cultural, religiosa e ritual. Em virtude da riqueza e da profundidade do símbolo, há sempre um fundo ao qual nunca se chega e nem se pode expressar. A riqueza e a profundidade do símbolo mostram outro elemento fundamental: a variedade e a pluralidade de significações. O que o símbolo faz é desvendar a face oculta da realidade, e ao mesmo tempo, velar a realidade para preservar o seu mistério. O símbolo revela certos aspectos da realidade, os mais profundos, que se negam a qualquer outro meio de conhecimento. Os símbolos respondem a uma necessidade e preenchem uma função: pôr a nu as modalidades mais secretas do ser”.
Muito do que somos revela nosso Criador, nosso Pai.

E muito do que não conhecemos em nós, e nos outros,
revela a falta de conhecimento que temos do nosso Criador.

Nós, humanos, já possuímos duas qualidades de poder infinito: a capacidade de conhecer e a capacidade de amar. Estas capacidades são melhores experimentadas pelos cristãos, por aqueles que se consideram de fato, filhos e herdeiros dos bens Dele. Estas duas capacidades são ilimitadas. Para conhecer nosso Pai Criador, o Deus Infinito e perfeito, Uno e Amoroso, temos que ter as condições. Só podemos chegar a este tipo de conhecimento se Ele nos repassar esta capacidade.  Só podemos dizer ‘tal pai, tal filho’, pelas semelhanças que nos identificam.
Está aqui a confirmação de que o Heipo é herdeiro dos bens do Paizão dos céus, do universo infinito, desde já. Temos a capacidade de conhecer, que já é infinita, e a capacidade de amar sem limites. Estes dois atributos do Deus Pai já estão à nossa disposição para usarmos. E a terceira qualidade com potencial e alcance infinito é a capacidade de perdoar.
Nós, humanos, fazemos parte dos personagens como segundo figurante, sujeitos e objetos de todo o planejamento e obra da criação. Fomos elevados à dignidade existencial por sermos imagem e semelhança com o Deus Criador.  Ainda mais, carregamos a dignidade de ser ‘lugar de morada’ do Espírito Santo, do Deus invisível, mas presente e atuante fora e além do alcance e poder dos nossos olhos materiais.  
Somos e fomos criados para sermos filhos do Pai Eterno e, finalmente, herdeiros das propriedades e valores celestes. Quer mais do que isto?
Agora não estamos mais falando em símbolos, mas em participação no plano do Criador. Fazemos parte. Já temos a participação no Jardim que Ele pediu para administrarmos.

Deixamos de ser criança.
Ganhamos maturidade, mas perdemos a simplicidade.

Parece que está faltando um elemento
para percebermos o tamanho do presente.


Uma condição
que talvez fuja do natural.

Difícil sim, mas não impossível:
reavivar a criança
que ainda mora em cada um de nós.

Reavivar o Heipo.

Como crianças alegres e divertidas,
poderíamos estar a desfrutar o presente.

Mas não vemos mais o presente como um presente,
por isso nosso mundo de adultos,
não atrai as crianças,
nem os adolescentes e nem os jovens,
pois nosso mundo de adultos,
não exerce mais atração,
por termos reduzido o tempo
e reduzimos também o tempo e os motivos
de brincar e sorrir.

Qual criança gosta de entrar no mundo dos adultos?

As crianças olham para lá.

Lá quase não se brinca.

Lá quase não se dão gargalhadas gostosas.

Há poucas manifestações da alegria infantil.

Pedagogicamente não adianta insistir sobre os desequilíbrios, erros, defeitos e problemas das pessoas.
 Somos humanos e, por isso, ainda imperfeitos. Se nos concentrarmos na filosofia do Heipo, estaremos nos concentrando nas possibilidades. 

É para frente que estamos indo e não para o passado.

Do passado aprendemos como não ser, o que evitar, 
do que fugir e no que não se apegar.


Somos portadores de potências
e forças capazes de abrir novas estradas.

O Heipo é o espírito de infância
que não não falece nem desaparece.


Importantíssimo na terra,
e tão necessário para crer no céu
e no Prometedor dos céus.

O Projeto Heipo está sendo construído sobre o princípio de que entre todas as criaturas do universo, o homem e a mulher são os seres mais nobres e especiais da criação.
Temos, portanto, a missão de revelar e não esconder o que somos. 
O processo é evolutivo e lento. Supõe entrar por este caminho, familiarizar-se com o conhecimento desta realidade, transformando o conhecimento em convicções e ações.
      Portanto, o ser masculino ou feminino, homem ou mulher, é mais do que aparenta. 
         Somos filhos do Criador do Universo, filhos e herdeiros de todos os bens que Ele preparou para nós, como filhos queridos.
Estaremos caminhando dentro do livro focando a dimensão espiritual e eterna do ser humano. 
O ser humano, além da sobrevivência, busca a transcendência, porque não é daqui. É natural que queira conhecer e alcançar a sua finalidade última.
O Heipo fundamenta a grandeza e a dignidade do ser humano, que, consciente ou inconscientemente, não aceita ser diminuído, excluído, ridicularizado, desprezado ou manipulado, porque é embaixador e filho do Pai, Criador do Céu e da Terra.

Eneas Paulo Budel Bogucheski    
eneaspb@gmail.com     -   41 98854 5166       

Criado em 21/09/2014. 

Atualizado em 29/01/2016.
Atualizado em 07/04/2026


 
 

 

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