domingo, 26 de janeiro de 2014

18.- Semente do Bem. Atrás da aparência está escondida alguma coisa surpreendente.



Dentro da casca 
está hospedada a semente.

Hospedada, sim, porque ali dentro da casca 
não é o lugar definitivo dela.

E se a semente não morrer 
não explodirá para outro estilo de vida.

Se ela não morrer, secará ou apodrecerá.
Frustrará a sua finalidade 
que é a de viver livre, fora da casca.

A semente tem finalidade definida: 
sair de dentro do provisório.
A semente tem, 
em potência, a ânsia de sair.

A semente cultiva a impaciência:
quer sair para outro mundo.
A semente não aceita ficar
na natureza fechada.

A semente vegetal aceita morrer 
para continuar a viver, 
de uma forma diferente.
A semente humana não aceita morrer.

Não aceita morrer 
porque não compreende
o mistério da sua vida.

Há muito ainda a aprender 
sobre a vida.
Ainda está em aberto o capítulo: 
A vida da Vida.

Dentro das aparências 
estão escondidas outras verdades 
e outras possibilidades.

Dentro do que é velho, por exemplo,
ainda existe uma possibilidade.

Há algo de novo dentro daquilo 
que está gasto e envelhecido.

Existem novidades 
dentro dos velhos e das velhas.

A semente em grão, que é um fruto, 
potencialmente tem a força de explodir
e se transformar de novo, num vegetal.

A natureza dos insetos
também assim nos mostra:
3de um verme que rasteja, 
nasce a borboleta que voa.

A natureza das coisas do campo
e da lavoura ou da agricultura
contém exemplos que comprovam 
estas proposições.

Fazer a transposição 
para o reino humano, 
(e sobre-humano) 
com o auxílio destas comparações, 
pode servir como ponto de partida 
para algumas conclusões.

Dentro do reino vegetal, 
existe uma capacidade interna 
de transformação:
a semente, a casca da semente morre 
e do seu interior, invisível, 
nasce outra vida.

No reino dos insetos,
também ocorre transformação:
O bicho-da-seda morre 
e nasce a borboleta.

Houve aqui, nos insetos, 
a transformação muito mais sofisticada.

No reino humano, está programada 
uma transformação muito, 
mas muito mais especial.

Em todas as sementes, 
há uma potencialidade 
para mais uma sobrevida.

Porém, nos reinos inferiores, 
a morte fenece para sempre 
(pelo que ainda é sabido).

No reino humano, a passagem, 
a mudança com a morte 
gerará uma nova vida, 
e esta, será para sempre, 
pois que o espírito, 
já presente no humano, 
é unidade indivisível 
que não sofre corrupção.

Pensando no nosso jeitão, 
macambuzo e rabugento, 
reduzimos nosso potencial, 
secando-nos como semente, 
como repolho nos fechando, 
prejudicando o alcance 
do nosso visual, 
reduzindo a quase nada,
uma potência infinita.

Que poder danado tem a rotina. 

Que poder redutor 
tem a acomodação 
e a preguiça.

Quanto prejuízo sofremos 
quando não desenvolvemos
o potencial de observação, 
reflexão e contemplação.

No dia a dia da vida, 
lavrador que fomos e somos, 
na horta da existência, 
quase só cultivamos pepinos, 
abóboras e ervas daninha.

Moranguinhos, ameixas 
e frutas gostosas, 
raramente colhemos, 
porque não as semeamos 
e não as cultivamos, 
e porque exigem muito 
da nossa natureza acomodada.

Mas que burrice. 

Que cegueira.

Sentimentos de inutilidade 
florescem como mato na nossa horta.

A autoestima desce aos porões 
das prisões escuras.

Sentimentos de depressões
obscurecem nossa vista.

Teimamos em ficar rastejando 
como insetos.

Entramos no elevador da vida
e apertamos o botão: “desce”.

Há uma inversão 
a ser feita nos botões.

Mas é necessário 
sair do automático.

Há que se tomar 
o controle manual
e procurar o botão ‘sobe’.

Se o campo de ação 
está próximo das nossas mãos, 
se temos as ferramentas, 
se temos as sementes das boas frutas, 
porque guardá-las, 
e no pote da prateleira estocá-las?

Não são exatamente estes produtos 
que o mercado mais procura?

Vem o inverno, passa o inverno, 
vem o verão e passa também o verão, 
vem a explosiva primavera 
e passa rapidamente.

E os outonos também veem e passam.

E nós aqui de novo 
a cultivar ervas daninhas, 
pepinos e repolhos.

Perdendo tempo precioso. 
Enterrando talentos sem nada fazer.

A omissão, a preguiça e a apatia 
nos desclassificam como operários 
destinados a não merecer 
qualquer tipo de herança.

O despertador toca.
O relógio do tempo 
convida a levantar.

Dentro da vida, dentro de nós, 
existe a semente de eternidade.

Se formos filhos 
do nosso Pai que está nos céus,
somos potencialmente herdeiros 
de promessas divinas.

Não queremos, não devemos, 
não podemos mais ficar 
na casca e na superfície, 
lustrando e guardando aparências 
que não encontram eco 
naqueles que esperam de nós 
um jeito novo de ser pessoa humana.

Um jeito novo e bom, 
um ser novo está agitando aqui dentro; 
querendo sair, querendo manifestar-se.

Um ser especial há de brotar, 
nem que algo tenha de morrer.

O despertador fala: 
Heipo, Heipo, acorde’.

Se a semente não morrer, 
não viverá para sempre.

Mas se aceitar doar-se, morrer-se,
praticará as obras que a eternizarão.

Todos nós nascemos originalmente 
para cultivar 
essa verdadeira personalidade.

Há um Heipo escondido 
dentro de cada um de nós 
querendo manifestar-se.

De dentro da já velha natureza humana 
há um inconformismo agitando, esfolando, 
forçando as paredes para sair, 
igual ao broto novo 
que da casca sai de um novo jeito, 
e reaparece esperto, 
na forma do Heipo.

*Leia os primeiros textos sobre o Heipo 
para você perceber que em cada um de nós 
existe uma personalidade escondida, 
a personalidade do Heipo, 
querendo manifestar-se, 
explodir para fora, 
como a semente.

É com o Heipo 
que vocês gostam de conviver.

E é com este personagem 
que vocês gostam de estar.

“Por favor, 
quando este Heipo não estiver acordado,
desperte-o”.

   Com o passar do tempo 
   vamos construindo armaduras 
   de proteção.

Estes mecanismos de proteção 
vão endurecendo e atrofiando 
nossa sensibilidade original.

Lentamente fomos perdendo 
a maleabilidade das qualidades infantis.

E fomos criando algo parecido 
com as cascas das tartarugas.

Agora há um retrabalho: 
para recuperar este bem precioso, 
teremos de quebrar a casca dura 
que nos envolve.

Convém ligar o desconfiômetro 
e raciocinar se podemos ou não, 
estarmos vivendo na ilusão, 
achando que a casca 
realmente nos oferece 
verdadeira proteção.

... Pura ilusão.

Não, a casca não está nos protegendo.
     A casca prejudica. 

A casca são representações 
ou símbolos das nossas máscaras.

O autêntico Heipo está lá dentro, 
no fundo, ansioso por manifestar-se, 
e libertar-se definitivamente.

Há uma filosofia de vida nova, 
ou renovada, 
que pode ser decidida
a partir deste ponto.

Prestar atenção nestas resistências 
e planejar atitudes de reviravolta 
é a placa indicativa 
para virar na próxima esquina.

Se procurarmos viver 
a partir desta posição, 
estaremos correspondendo 
às expectativas de todos e 
recolocando o Heipo no caminho 
da evolução.

É possível incentivar o Heipo 
a expressar-se.

Primeiramente é necessário despertá-lo, 
vesti-lo e alimentá-lo 
com as vitaminas próprias 
da convivência com outros Heipos.

Assim como as flores, hortaliças, 
verduras e plantas, 
insetos e animais 
alimentam-se e vivem 
graças às assistências recebidas,
assim também há que se atender 
às necessidades básicas do Heipo
para que ele se manifeste.

O Heipo manifesta-se 
depois de um ato de generosidade.

O Heipo aparece transbordando alegria 
logo depois de dar uma esmola 
a um necessitado.

O Heipo está junto com as palavras
e com os gestos de perdão.

Aí está o Heipo, 
após o esforço perseverante 
em tentar subir mais um degrau 
em busca de um ideal maior.

O Heipo manifesta-se 
depois de um encontro com um amigo 
ou com uma pessoa querida 
que nos estendeu a mão.

O Heipo está junto, 
na hora do diálogo gostoso 
com os amigos.

O Heipo manifesta-se 
após cada ato de bondade, 
cada atitude de justiça 
e cada ação caridosa.

O Heipo está na origem do carinho 
dado à sua esposa e filhos.

O Heipo demonstra-se 
no ato de atenção 
a quem o procura.

O Heipo revela-se 
quando há a procura 
por momentos de interiorização.

O Heipo revela-se 
como anjo na volta da Igreja 
ou na volta das reuniões 
com os cristãos engajados.

O Heipo revela-se 
no abrir-se e entrar 
na profundidade da própria alma, 
onde está escondida, 
a saudade eterna 
do Criador que é o nosso Pai.

O Heipo revela todo o seu ser, 
depois de entrar em contato 
com o seu Pai, o Criador, 
alimentando a consciência 
da Presença Escondida.

É da própria essência do Heipo 
a atitude voluntária de abrir-se 
para receber e de dar para realizar-se.

É da própria essência do Heipo ‘
ser para o outro’ uma resposta 
a uma expectativa.

O Heipo, uma vez repleto 
dos ingredientes necessários 
à manutenção da sua própria essência, 
retribui na mesma moeda 
com o princípio franciscano 
é dando que se recebe’, 
ensinado e vivido
por São Francisco de Assis. 

O Heipo se realiza como humano, 
sendo útil para os outros.

Esta é a sabedoria 
que poucos livros ensinam.

Esta é a busca certa que dá retorno 
a todo e qualquer investimento 
na dimensão do ser pessoa.

A sutil insatisfação 
que sentimos de vez em quando, 
e que faz brotar a pergunta 
pelo sentido da vida 
ou pelo significado de tudo que existe, 
só pode ter uma explicação:
a saudade do nosso Pai e Criador.

A saudade, a sutil insatisfação, 
a constante procura da pessoa  
por aquilo que é essencial 
manifesta um desconforto existencial.

   O que será isso 
   ou que leitura podemos fazer 
   a partir destas constatações?

É o Heipo ansiando em viver 
e vibrar com todos os valores.

É o Heipo expressando 
com autenticidade e coerência 
os tesouros que já possui. 

Mesmo que, 
ainda como semente, 
deseja explodir.

O Heipo vem sempre se apresentando 
como uma carência e às vezes, 
como recompensa.

Coitado do Heipo, 
se vive fora da sua órbita. 
Quando o Heipo é atrofiado
sufocado, desvirtuado 
e, por isso, despersonalizado, 
ele procura compensar o vazio, 
no desvio.

Quando uma pessoa desconhece o Heipo, 
ignora a natureza ideal de viver, 
adapta-se com a rotina 
e vai vivendo de qualquer jeito.
 
Acostuma-se com as lamentações, 
com as tristezas, com o pessimismo 
e com o derrotismo.

E, amargurada, 
amargura a vida dos outros.

Desconhecendo o Heipo que te habita
poderá se tornar uma pessoa insatisfeita,
com tudo e com todos.

A pessoa dividida, 
esparrama-se para qualquer lado, 
ou pesada, não sai do lugar.

Aquele ou aquela 
que desconhece a companhia do Heipo,
não encontra companhia alguma 
que lhe satisfaça. 

Insegura, vive como órfão, 
sem pai nem mãe, sem irmãos, 
sem companheiros de caminhada.

Onde foi parar o encanto da vida?
Para onde mandaram o divertimento, 
o passeio em família?

Porque a música clássica, 
a orquestra, o violino, 
o sax já soa tão distante?

Em verdade vos digo: 
se não mudardes e não voltardes 
a cultivar as qualidades próprias das crianças, 
como a simplicidade e o encantamento, 
de modo algum entrarão 
no reino dos Heipos realizados.

E não desfrutarás 
das alegrias mais puras 
e deixarás de receber 
os presentes mais desejados 
e, portanto, perderás os maiores dons 
que lhe foram destinados.

   Uma vez despertado, 
   o Heipo é a esperança 
   de que as coisas começam a melhorar,
   para si, para os outros 
   e para toda a humanidade.

Onde existe um Heipo desperto
ali a história toma uma direção 
definida e construtiva.

Quando o Heipo desperta, 
tudo começa a andar nos trilhos.

Tudo recomeça 
a dirigir-se naturalmente 
para o seu fim: 
a realização das potencialidades
em direção à perfeição.

Em todas as criaturas 
existe um princípio de bondade, 
de finalidade intrínseca, 
como a força da semente 
em querer explodir.

O Heipo manifesta 
a tendência natural para a bondade.

O Heipo grita, como profeta, 
para todos se porem a caminho, 
conquistando e defendendo 
a última verdade, a bondade 
semeada em abundância
em toda a Terra boa. 

O Heipo deixa-se encantar pela beleza 
e se empenha para que ela apareça 
e permaneça.

O Heipo briga e apanha 
para defender a dignidade.

O Heipo se defende para manter limpa 
a sacralidade do viver e existir.

Esta é a sugestão proposta pelo Heipo: 
“Imortalize-te o quanto te for possível” 
e o quanto antes.

O Heipo sabe-se destinado 
para a perfeição da imortalidade.

As personalidades boas do passado 
tornaram-se imortais 
por suas boas obras.

Nós somos eternos aprendizes, 
isto é, possuímos capacidades 
para aprender e evoluir sempre.

O Heipo se apresenta na linha do ser. 
O fazer é expressão do ser.

A casca, a parte de fora, 
age manifestando as coisas boas, 
hospedadas lá dentro.

A semente está para explodir.

A semente é o amor.

"O amor 
é a única energia atômica, 
que se explodir, salvará o mundo".
Pierre Teilhard de Chardin.

Tem coisa boa e grande lá dentro.
de cada semente, de cada pessoa. 

Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com  41 98854 5166

Criado em 29/05/2015.
Atualizado em 30/01/2016
Atualizado em 22/04/2026






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